sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sempre Juntos

  “Se os esposos não vivessem juntos, haveria mais matrimônios felizes.” 
  [Nietszche]

  Os Filósofos tem uma visão do casamento bem diferente dos Poetas e Psicólogos.

  Poetas acreditam que o amor pode tudo.
  A Psicologia tende a “comunisticamente” padronizar tudo.

  Filósofos são mais realistas:

  O amor não pode tudo e nem todos se adequam a um padrão.

  Para Poetas e Psicólogos quem ama quer estar sempre junto.
  Para Filósofos “juntos” não é grudados e “sempre” é um conceito muito profundo e inflexível.
  Quero dizer que viver a dois não é se fundir em uma pessoa só.  
  “Sempre” (aplicado a qualquer coisa) é um padrão difícil de seguir.

  Minha esposa [como a maioria de nossa Sociedade] é envolvida pelo Freudianismo e prefere os Poetas que os Filósofos.
  Teve um momento que eu senti que se ao menos em relação ao casamento eu não conseguisse fazer com que minha esposa ouvisse mais os Filósofos nossa vida em comum seria um inferno.
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  Vale mais uma vez alertar que nesse Blog o objetivo não é entender precisamente o que o Pensador quis dizer, para isso você teria que conhecer detalhadamente a vida de Niet, em que circunstancias ele emitiu o pensamento, confiar na veracidade da história pesquisada pelo historiador, confiar na fidelidade da tradução... tudo isso é muito complexo, tem gente que gosta eu não acho muito útil.
  Acredito que é útil usar o pensamento como ponto de partida, o filosofo nos provoca um pensamento, uma emoção e seguimos vasculhando nossa própria mente e conhecimento.
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  Quando você começa a amar ou desejar uma pessoa quer estar sempre perto porque obviamente NÃO ESTA.
  Você só a vê na escola, ou trabalho, ou igreja, ou balada... e não tem intimidade.
  Quando você namora passa mais tempo junto, mas a vontade de “estar sempre junto” já fica amenizada chega uma hora que é bom cada um ir para sua casa, há quem diga que por isso namorar é tão gostoso, as circunstancias nos obrigam a dar um tempo, manter um “espaço”.

  Nós idealizamos a tal ponto essa coisa de estar sempre juntos que quando casamos e conseguimos de fato estar sempre juntos não queremos admitir que estávamos enganados.

  Estar sempre junto não é bom, o amor onipotente defendido pelos poetas não pode mudar este fato.

  Os psicólogos e suas terapias não conseguem nos prender nesse padrão de querer estar sempre juntos.

  Eu amo minhas filhas quero estar “sempre junto delas”, mas para Filosofia isso é só uma força de expressão, é uma TRADIÇÃO dizer isso.
  “Juntos” não é grudados e “sempre” é muito inflexível, é bom quando minhas filhas vão brincar no playground é importante elas irem a escola, é importante que estejam com crianças da mesma idade e não mergulhadas no mundo adulto meu e de minha esposa.

  Amo minha esposa, mas não vejo necessidade ou “possibilidade” de estarmos sempre juntos.
  Filósofos são péssimos em inventar realidade.
  Insistir nesta utopia criada por poetas e psicólogos só complica a vida.
  Limpe sua mente do Freudianismo por poucos minutos simplesmente observe a realidade.

  Você quer assistir ao jogo e ela quer ver novela se permanecerem juntos um dos dois não ficará satisfeito, terá que ceder a vontade do outro.
  Você quer tomar uma cervejinha com os amigos, mas ela prefere olhar vitrines no shopping.
  Você quer passar o Domingo na casa da sua mãe e ela quer passar na casa da mãe dela.

Ficar sempre juntos é uma padronização/idealização a qual não precisamos ceder.

  Em situação de interesses conflitantes não havendo graves consequências um Filosofo diz que cada um deve fazer o que lhe interessa mais, ele vai tomar a cerveja com os amigos e ela vai passear no shopping com as amigas... mas quem ouve os Filósofos?
 Qual o grande problema de ter dois bons televisores em casa?
 Um vê a novela o outro vê o jogo.

  O problema é:
  Quem ama de “verdade” quer estar sempre junto, esse é o padrão.

  Se você não quer estar sempre junto então não “ama de verdade”.
  
  Um padrão criado por poetas, reforçado por psicólogos e que virou tradição.
  Ai, ai... poetas e psicólogos dois grandes chutes no saco.

  Se tem algo interessante para eu e minha esposa nós assistimos juntos.
  Se ela prefere ver o Silvio Santos e eu pela terceira vez ver o mesmo episódio de Dr. House... temos dois bons televisores.

  Junto não é grudado, se o AMOR pode tudo deveria poder entender que nem SEMPRE você e a pessoa amada tem os mesmos interesses.

  Pessoas não deveriam demonizar padrões e nem santifica-los.
  Padrões de comportamento são uma sugestão, você segue se puder ou quiser. (Claro que estou falando de coisas licitas)

  O casal dormir no mesmo quarto é um padrão/tradição, mas cada um ter seu próprio quarto não é ilícito ou “imoral”.

  Nos filmes, novelas, livros dormir junto é tudo de maravilhoso, mas será que é mesmo?
  Dormir abraçadinho é bom para quem?
  Nossos membros rapidamente ficam dormentes e você não pode se mexer para não acordar a parceira, é muito difícil ter uma boa noite de sono nessa situação.

  Mulheres e homens tem prioridades muito diferentes, porque cada um não pode ter o seu espaço do seu jeito? O maravilhoso amor não suporta isso!
  Quando estamos namorando o sexo é uma das prioridades, mas no casamento ... trabalho, filhos, pagamento de contas ganham destaque.
  Por vezes tudo que você (homem ou mulher) quer depois de um dia duro é tomar um bom banho e se espalhar na cama.

  [Essa parte da nossa meditação é desagradável, mas o texto não ficaria satisfatório sem ela, me desculpem os sensíveis...]

  Durante o sono você não tem controle sobre certas ações do seu corpo, roncos, gases, movimentos involuntários de pernas e braços, baba, falar dormindo, aquele bafo que surge por melhor que você escove os dentes...
  Sei, sei o “amor verdadeiro” resiste a tudo isso, mas se podemos evitar situações desagradáveis porque não fazê-lo?
  Todos nós precisamos limpar o nariz em algum momento do dia, quantos de nós fazem isso em público ou diante da pessoa amada?
  Todos nós vamos ao banheiro em algum momento do dia, quantos de nós fazemos isso diante da pessoa amada?
  Se conscientes poupamos as pessoas de certas situações por que não estender isso para a inconsciência do sono?
  Enfim, esse é um ótimo exemplo.
  Se o casal faz questão de dormir no mesmo quarto não vejo problema em seguir essa tradição, não vejo problema em seguir esse padrão.
  Da mesma forma que não vejo problema do casal dormir em quartos separados não dando a mínima para a tradição.

  Concordo com Nietszche, essa obrigação social de casais serem um só é um fardo pesado demais para o casamento...
 To be continued...



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