Bertolt Brecht: "O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas."
William: Muitas pessoas esperam tudo
em “Deus”, mas cobram tudo do Governo (Politica).
Passeando pelo
Google+ li versos endereçados a Deus por uma garota que ainda não trabalha,
esse é um trecho:
“Deus
não permitirá que eu caia,
Ele vigia e cuida de mim,
Ele não dorme e nem se descuida,
Mas me guarda constantemente.”
Em resumo Deus lhe dá saúde, sabedoria,
alimentação e segurança.
Eu postei:
“Não
corre atrás das coisas para ver se elas caem do céu!
Alguém trabalha na sua casa, senão você não tinha casa e nem o que
comer.”
Uma pessoa
concordou comigo enquanto as outras preferiram me repreender.
As pessoas
entendem meus comentários como se eu estivesse desrespeitando Deus, levam para
o extremo de eu estar propondo que esqueçamos Deus ou que ele não existe.
Não escolhemos o que sentir, decidimos como agir diante do que sentimos.
O que eu quero dizer
mesmo é que a Fé pode ser RACIONAL.
Você senti que Deus existe e talvez ele
exista mesmo, não precisa ignorar esse sentimento.
Frequente uma igreja, se reúna
em oração, isso te faz bem e não está prejudicando ninguém, não há motivo para
racionalmente sermos contra isso.
Apenas entenda
que as boas (ou más) condições Sociais quem nos traz é a POLÍTICA.
A boa condição
individual “teoricamente” vem do nosso próprio empenho em conseguir as coisas.
Na “pratica” observo
que nem tudo depende de nós, percebo “sorte e azar”, mas sobre essa parte não
temos controle.
Me parece bem
menos difícil orientarmos os caminhos da Política que orientarmos os desígnios
de alguma “espiritualidade”.
Se você senti que existe uma
entidade que está no controle de tudo... tudo bem, mas AJA fazendo a parte que
lhe cabe.
Não escolhemos o que sentir, mas escolhemos
como agir.
Vamos a uma “ilustração”.
Eu não fico
espionando a conversa das pessoas, mas não sou surdo e me parece que as pessoas
falam um pouco mais alto justamente na intenção de serem ouvidas por outros.
Eu trabalho no SUS, HC Unicamp.
A situação é: Uma senhora cuida da irmã mais velha que está com catarata em estágio bem
avançado, a irmã está praticamente cega o que sobrecarrega o cotidiano da
senhora.
A senhora está
indignada porque a cirurgia foi marcada para daqui 1 ano.
Ela aparentemente
(pela roupa) é evangélica e repetiu várias vezes:
“Só Deus para dar forças.”
Uma colega minha
que também ouviu a reclamação começou a falar mal do Governo, que aquilo não
deveria acontecer, era uma situação de urgência...
Isso inflamou
mais os ânimos da senhora indignada que disse que a humanidade está perdida, e
seguiu o seu caminho num misto de indignação e desânimo.
Eu claro fiquei
no mais absoluto silêncio fazendo apenas uma expressão de pesar como se
concordasse com tudo que estava sendo dito.
Até que minha
colega disse:
Fulana: “Esse Governo não faz nada pela gente,
político nenhum presta, são todos corruptos.”😡
Disse a ela:
Cirurgia de
catarata é corriqueira o que não quer dizer que é simples.
O que você
sugere?
A pessoa que irá
ser operada hoje e que está esperando há um ano ceda o lugar para a irmã da senhora
indignada?
Minha colega
concordou que não seria justo, a melhor maneira seria buscar um jeito de
diminuir as filas.
William: “Você acha que é mais fácil
diminuir as filas para operação de catarata redirecionando a aplicação dos
impostos ou implorando pela graça de Deus?”
Minha colega fez
aquela expressão que eu reconheço facilmente, ela sabe a resposta óbvia, mas
não aceita, antes que ela ficasse indignada com o “mensageiro” consegui mudar
de assunto e falar qualquer trivialidade, falei de futebol.
Disse a ela que o
que a Caixa iria gastar com o Corinthians daria para realizar muitas operações
de cataratas e diminuir as filas.
“Desde que a Caixa Econômica Federal anunciou
que seria o patrocinador master do Corinthians, a entidade sofreu diversas
críticas pelo fato de ser um órgão público patrocinando um clube de futebol.
Independentemente da polêmica entre a união
do público com o privado, o próprio investimento em si é contrário ao atual
momento do marketing esportivo...”
[R7 Noticias]
“Se” a Caixa quer
promover sua marca (não entendo exatamente porque um Banco Estatal precisa de
propaganda) poderia, por exemplo, promover uma grande campanha de
combate a catarata, não digo com folhetos e comerciais, mas pagando as
cirurgias, as clinicas e hospitais que participassem do programa colocariam
enormes faixas e distribuiriam camisetas, já que é tão importante para Caixa
ter o nome em camisetas...
NÃO!
Não que eu
ache que seja obrigação da Caixa fazer isso, nem ao menos recomendo que seja
feito, mas lembram-se da lógica perversa?
Como a Caixa é um
Banco Estatal o dinheiro dela é também meu, já que não tenho como evitar que o
gasto seja feito prefiro ajudar a mulher da catarata que o time do Corinthians, é o menos pior a ser feito.
Observem que o
Corinthians não vai prestar nenhum serviço a Caixa, ele vai apenas “divulgar” a
marca, será que tem alguém no Brasil que não conheça a Caixa?
Vamos supor que o
objetivo do Diretor de Marketing da Caixa é “melhorar” a imagem da Empresa, me
parece que time de futebol é uma aposta pouco eficiente.
Tá bom, a marca
Caixa vai ficar mais simpática para os corintianos, mas promovendo operações
cirurgias de catarata não atingirá um público muito maior? (Inclusive os
corintianos)
Esse diretor de
Marketing é ineficiente ou é coisa de corintiano no Governo intervindo na
aplicação de recursos da Caixa?
Um corintiano me disse que a Petrobrás
já gastou milhões com o Flamengo e ninguém falou nada.
Claro que pessoas iguais eu falam, o problema é somos ignorados.
Priorizar a eficiência no
gasto do dinheiro dos impostos não parece ser a preocupação do povo brasileiro.
Preferimos deixar
tudo nas mãos de Deus, demonizar a política e eleger os corruptos de estimação.
Esperar 1 ano para
uma cirurgia de catarata é só consequência.
O nosso grande
prazer é futebol e reclamar.
Vamos fazer uma “cirurgia de filosófica de
catarata” e enxergar o que ninguém quer ver.😉
Quanto custa uma Cirurgia de Catarata?
Os Preços variam com a técnica aplicada e a clínica
onde é feita a operação, mas em média o preço oscila entre os 2 a 4 mil reais. (Ano 2012)
Convenhamos que 4
mil reais não é uma grana desprezível, mas também não é uma fortuna.
Se você está em
uma situação de “extrema urgência” e 4 mil reais podem te tirar dela ... porque
ficar esperando do Governo ou de Deus?
A situação não é de extrema urgência
ou você é extremamente mesquinho.
(Evidente que não estou falando daquela pessoa pobre abaixo da média.)
Epicuro: “É sem valor pedir aos deuses aquilo que nós mesmos podemos realizar.”
(Deixemos que os espíritos, caso existam, se concentrem nas grandes causas que estão além das nossas forças.)
William Robson: “Podemos pedir tudo ao Governo e ele nos pedirá o dobro em impostos.”
(É a necessária
taxa de administração e em muitos casos ... porcentagem de propina.😥)
✧✧✧
Resumo:
1. Fé e ação não são excludentes, mas a responsabilidade social é da política Você não nega Deus nem a fé — pelo contrário, defende que a fé pode ser racional. O ponto central é que as condições sociais dependem da política, não da providência divina. Quem sente que Deus existe deve agir fazendo a sua parte.
2. A contradição entre delegar a Deus e cobrar do Governo Você observa uma incoerência comum: as pessoas agradecem tudo a Deus, mas exigem tudo do Estado. Essa contradição revela uma confusão sobre de quem é a responsabilidade pelo que.
3. Reclamar sem propor solução não resolve nada No episódio da senhora com catarata, você questiona sua colega: qual seria a alternativa justa? Furar a fila de quem esperou um ano? A saída racional é buscar formas de reduzir as filas, não apenas demonizar a política.
4. O problema é a má alocação de recursos públicos Você usa o patrocínio da Caixa Econômica ao Corinthians como exemplo concreto: o mesmo dinheiro poderia custear cirurgias de catarata, atingindo um público muito maior e com impacto social real. A ineficiência no gasto público é uma escolha política, não uma fatalidade.
5. O brasileiro prefere futebol e reclamação à participação política efetiva Sua crítica mais dura: a população demoniza a política, mas elege os mesmos corruptos. Esperar um ano por uma cirurgia de catarata é consequência direta dessa postura de desengajamento.
6. Para quem pode pagar, a passividade é uma escolha Você distingue quem genuinamente não tem recursos de quem simplesmente prefere esperar. Para quem tem condições, pagar 2 a 4 mil reais (valor de 2012) e resolver o problema é uma opção real — esperar do Governo ou de Deus, nesse caso, é escolha, não necessidade.
7. É mais fácil influenciar a política do que os desígnios do sobrenatural Sua conclusão filosófica central: orientar a aplicação de impostos é uma tarefa humana concreta e viável. Invocar forças espirituais para resolver problemas que têm solução política e prática é, além de ineficiente, uma fuga de responsabilidade.
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