Betânia: Deixa ver se entendi o raciocínio do gênio 🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔 séculos após séculos de clausura de mulheres já não justifica o atraso na competição em pé de igualdade com homens, mas 17 anos de um governo em 526 de um país, destruiu o país inteiro??? 🤔
William: Deixa eu ver se faz sentido.
Digamos que eu e você nascemos em 1980.
Estudamos no mesmo tipo de escola.
Eu e você passamos na USP, engenharia da computação.
Eu desenvolvo um software de sucesso.
Você não consegue nada de novo.
A razão é óbvia!?
Sua mãe, vó ou bisavó não conseguiram entrar na USP, é isso?
Meu pai, avô, bisavô também não conseguiram, mas isso não vem ao caso?
No mais...
Betânia: Quando na história da humanidade o homem foi privado de direitos????
Avô, bisavô, tataravô...... ?🤔
William: Essa tese de atribuir a ancestralidade uma diferença de "competividade individual atual" é uma das coisas mais imbecis que leio.
Meditem comigo, é difícil explicar o óbvio 😉, mas eu sempre tento.
Suponhamos que todos meus ancestrais foram analfabetos.
Não sei muito sobre meus avós e bisavós, pode ser até que fossem.
Meu pai era bem alfabetizado, nunca percebei nele ou na minha mãe alguma dificuldade de leitura.
Eu fui matriculado na escola normalmente aos 6 anos, junto com outras inúmeras crianças brancas.
Faz sentido para alguém eu justificar alguma falha de leitura em relação a um garoto branco o fato dos meus antepassados terem sido analfabetos!?
O que seria isso, uma mutação genética do analfabetismo que herdei dos meus ancestrais!? 😉
Da mesma forma, suponhamos que antes da minha mãe nenhuma mulher podia estudar.
A geração de mulheres da minha mãe estudaram na mesma escola com homens, as mesmas matérias e professores.
Minhas irmãs, estudam se formaram engenheiras da computação (só um exemplo fictício) são boas profissionais, porém não desenvolvem nenhuma novidade relevante.
Esteves Jobes, que cursou a mesma faculdade, desenvolve uma placa de vídeo que revoluciona o mercado.
Sério que podemos atribuir o melhor desempenho do Esteves Jobes porque o avô dele podia estudar e a vó das minhas irmãs não?
Uma filha desde muito cedo adorava jogos eletrônicos.
Minha esposa comprou os jogos que pode, deu um Xbox para ela.
Minha filha ficou muito boa, mas nunca soube dela ser pareô para aqueles garotos muito habilidosos.
Se fosse de certo ela se inscreveria em algum campeonato e ganharia grana com isso.
Que humano não quer ganhar dinheiro e prestigio fazendo algo que gosta muito.
Minha filha não é um fenômeno em jogos eletrônicos porque as mulheres dos passado não tinham acesso a esses jogos?
Caraca!
O primeiro Xbox foi lançado em 2001.
Os pais, avôs, bisavôs do passado também não tinham acesso.
Enfim.
Quando a pessoa fala de dificuldades econômicas herdadas, faz sentido.
A pessoa (independente da cor ou sexo) que nasce na pobreza, geralmente tem mais dificuldade para conseguir estudo de boa qualidade.
Mas nascendo em condições bem semelhantes a de outra criança e atribuir uma maior ou menor habilidade em determinada área a uma "ancestralidade" ... não tem lógica pra mim.
Tipo fórmula 1, imaginem o sucesso que faria uma mulher sendo campeã pela Ferrari.
O prestígio para a marca seria fantástico.
Vocês acham mesmo que se aparecesse uma mulher fenômeno das pistas ela não seria aproveitada?
No ramo cientifico é a mesma coisa.
Recentemente a substância Polilaminina da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio ganhou enorme repercussão por seu "potencial" inovador de regenerar lesões na medula espinhal e ajudar pacientes com paraplegia ou tetraplegia a recuperarem movimentos.
Tropecei em comentários dizendo que se fosse um homem o remédio já tinha sido aprovado.
Ou seja, a patente dessa substância (caso funcione satisfatoriamente) pode render bilhões, mas como esta sendo desenvolvida por uma mulher, isso basta para a "gananciosa indústria farmacêutica" ignorar.
Quando interessa a narrativa que o capitalismo só visa lucro, ela é usada.
Quando não interessa parece que nunca existiu.😉
✧✧✧
Resumo:
1. Competitividade individual não é determinada pela ancestralidade A habilidade ou desempenho de uma pessoa em determinada área não pode ser logicamente atribuída ao fato de seus antepassados terem tido ou não acesso a oportunidades. Isso seria como supor uma espécie de "herança genética de competência".
2. Condições semelhantes de partida invalidam o argumento ancestral Quando duas pessoas nascem e crescem em contextos socioeconômicos e educacionais equivalentes, invocar a trajetória dos ancestrais para explicar diferenças de desempenho não tem sustentação lógica.
3. Dificuldades econômicas herdadas são o argumento legítimo William distingue: faz sentido falar em desvantagem competitiva quando há pobreza herdada e falta de acesso a educação de qualidade — independentemente de cor ou sexo. Esse é o fator real, não a ancestralidade em si.
4. O argumento do Xbox: todos os ancestrais eram igualmente excluídos de novidades Usando o exemplo dos jogos eletrônicos, mostra que tecnologias recentes são igualmente novas para todos os antepassados, tornando absurdo o argumento de desvantagem histórica nesses domínios.
5. O mercado recompensa o talento independentemente do sexo Nos exemplos da Fórmula 1 e da ciência, argumenta que uma mulher verdadeiramente excepcional seria aproveitada pelo mercado por puro interesse econômico — uma campeã Ferrari, por exemplo, representaria enorme valor de marca.
6. Incoerência narrativa no uso do capitalismo como argumento Critica a contradição de usar o capitalismo como vilão gananciosos quando convém (caso da Polilaminina) e ignorá-lo quando não convém. O mercado não desprezaria uma patente bilionária por preconceito de gênero.
7. A tese da "competitividade por ancestralidade" é, na sua visão, logicamente falha Conclui que atribuir diferenças de desempenho individual atual a uma herança ancestral de privilégios ou privações — fora do contexto econômico concreto — é um dos argumentos mais frágeis do debate, pois confunde contexto histórico coletivo com capacidade individual presente.
.

