quarta-feira, 6 de maio de 2026

Incompatibilidades

 





 Comentarista: Decidi participar de um concurso de contos. 

  Passei dias escrevendo e lapidando, até meu marido ajudou com a gramática e enviei faltando 3 minutos para o prazo fechar.

  Em um primeiro momento pensei “ideia boa execução medíocre”, desistindo de participar.

   Pensava em duas esferas: Seria terrível ver uma ideia que eu gostei reduzida a pó e seria horrível expor o meu primeiro mito poético, que eu deveria somente guardar.

   Já faz um tempo que tenho me levantado contra esses meus mecanismos infantis de proteção. 

  Tenho me exposto, gostando ou não. 

  Ao me expor me abstenho de me importar com métricas, ou qualquer tipo validação. 

  Com isso, acredito que serei também uma referência melhor para meus filhos.

   Mas, quem me fez me ajustar nesse sentido foi meu marido. 

  Seu amor me impulsa sempre a ser mais livre; sua personalidade estóica me ensinou a rir das minhas falhas.

   E na minha escrita ou nos meus pensamentos, sempre tenho companhia. 

  Eu falo com as paredes durante o dia, mas a noite tenho quem desenvolver uma grande conversa noturna.

  No final das contas, eu o torturo, as vezes com falações a meia noite, outras com questões filosóficas tarde da noite, mas acima desses terríveis crimes contra o coitado: é sempre melhor ser dois que um.




William: É bom pra você, mas quanto está sendo bom pra ele?

  Se eu fosse você, pelo menos a noite, o deixaria em paz.

  Minha esposa gostava bastante de alguns programas de auditório tipo Silvio Santos.

  Eu nunca gostei, mas no começo até ficava na sala para lhe fazer companhia.

  Com o tempo comprei um segundo televisor, o prazer da minha esposa me entediava demais, claro que disse isso a ela.

  Até hoje é assim, ela assiste coisas no YouTube as quais não tenho o menor interesse.

  Patrulha do Consumidor, dois homossexuais narrando suas viagens, Doramas...


  Do meu lado ... é Filosofia na veia😉.

  Debates, reportagens investigativas, filmes com bons diálogos, politica, economia...

  Claro que somos compatíveis na maioria das coisas senão não estaríamos casados.


  Evitamos "nos torturar" com nossas incompatibilidades.


   Se seu parceiro já deu sinais claros que "seu prazer" esta exigindo demais dele, que tal se impor um limite?


  A vida a dois não é tão difícil quando usamos o conhecimento que temos do outro para calibrar o relacionamento de modo a evitar ao máximo "torturas".

  Quando fazemos "constantemente" coisas "dispensáveis" só para agradar o outro.


  Aceitar a vida a dois esta longe de se tornar um só.

  

  Essa lógica entra em sua mente? - Link




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