terça-feira, 20 de novembro de 2012

LIVRE PENSADOR

  “A gente foge da solidão quando tem medo dos próprios pensamentos.”
 [Érico Veríssimo]

  Um colega no Face implica com meu “arquivo morto”.
  Ele acha que eu não deveria resgatar/repetir meus textos.
  Acho engraçado porque ele é Católico, toda missa ele ouve repetitivamente o grande arquivo morto que é a Bíblia.

  Os assuntos são repetitivos, não dá para discutirmos como é a vida em Urano porque não vivemos lá.
  Se o assunto é comida uma hora ou outra acabaremos falando de batatas.
  Se o assunto é religião uma hora ou outra acabaremos falando sobre ateísmo.
  Se o assunto é violência uma hora ou outra acabaremos falando sobre polícia.

  Quando falo em “solidão sólida”, é uma “solidão filosófica” tão densa que no Mundo dos Pensamentos é facilmente visualizada.
  Tenho esposa, filhas, irmão, parentes, colegas ... não sou um humano solitário, sou um filósofo solitário.

  No conjunto das coisas que penso não encontro ninguém por perto, não estou falando de discordar ou concordar, estou falando na qualidade da argumentação.

  Eu resgato um texto com implicações filosóficas profundas e tudo que o leitor tem a dizer é que eu não deveria publicar arquivo morto!
  Quem matou o texto? Eu não.
  Se eu tenho uma música em meu MP3 eu a ouço sempre que tenho vontade, ela está viva para mim, mesmo que tenha feito sucesso há décadas.
  Se um texto tratou de maneira brilhante um tema, prefiro publica-lo de novo que escrever sobre o mesmo assunto, aí sim sendo repetitivo.
  Eu posso escrever vários textos sobre o mesmo assunto, mas gosto de ir mudando o ângulo de abordagem, gosto de trazer elementos novos.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
    Frequentemente me perguntam que livro estou lendo.
 
  Atualmente não leio livros me concentro em comentários e notícias.
  Prefiro escrever.
  As pessoas recomendam eu ler best sellers como “A Cabana.”
  Cansado de fazer cara de paisagem eu digo que escrevo coisas muito mais interessantes que meu xará William P. Young.
  A grande maioria ri, não me leva a sério, mas se interessa por saber o que eu escrevo, por isso ando com cartões do Blog.
  Esta semana um colega que leu o Blog disse que meu problema é que sou muito convencido.
  Confesso a vocês que não era, mas estou ficando.
  Vejo esse meu colega devorar dezenas de livros e não o vejo defender nada com uma boa argumentação.
  Suponhamos que ele leu um único texto do Blog, todos os textos abordam temas provocativos.
  Tudo que ele tem a dizer é que sou “convencido” !?

  Se os livros que ele lê não lhe são úteis para formar uma contra argumentação mínima ... porque seriam úteis a mim?

  É evidente que já devorei muito livros, mas essa fase passou, eu realmente vejo minhas argumentações como as melhores da Internet [pelo menos Brasileira].
  Todas essas pessoas que zombam de mim quando digo que sou melhor que seu escritor preferido, ao entrar em contato com o que escrevo não zombam mais.
  Uma boa parte fica extremamente chocada e as reações são diversas, muitas dizem que o que eu escrevo não tem nada a ver, mas o detalhe que chama atenção é não dizerem o que exatamente não tem a ver.

  Escolhi no texto anterior a parábolada Figueira porque em uma conversa um conhecido falou que qualquer religião que use os dons espirituais para praticar o mal não pode ser de Deus.
  Perguntei se provocar mal a uma planta era do agrado de Deus, ele disse que certamente não.
  Eu disse que Jesus usou a fé para secar uma Figueira.
  Ele disse que eu não entendi a parábola, mas não conseguiu sair dessa bomba mental.
  Eu disse que iria publicar em meu Blog e quando ele tivesse tempo me explicasse o entendimento correto daquela situação... até agora NADA!
  A melhor saída para essa bomba mental é admitir que a Bíblia não é 100% a palavra de Deus a segunda melhor é admitir que Jesus era bastante fútil.
  Eu prefiro acreditar que Jesus era um sábio e essa parábola foi um “caco” colocado na Bíblia.
  Acontece que esse conhecido idolatra papel e tinta, para ele é mais fácil dizer que não temos “inteligência suficiente para entender”.
  Aposto que se essa passagem não estivesse na Bíblia, mas fosse uma referência a uma história de Maomé no Corão nossa inteligência seria suficiente para apontar falhas nesse outro livro sagrado.

  “Vemos um cisco no olho do vizinho e não vemos uma trave no nosso.”

  Esse é um pensamento exposto na Bíblia o qual eu concordo.
  Não queria que fosse assim, mas é.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Eu não fico na “defensiva” ou me “escondendo” das pessoas ou das opiniões.

  Não sou eu que me isolo filosoficamente das pessoas elas que me isolam.

  As pessoas me consideram um cara muito legal desde que deixe minha Filosofia em casa, desde que eu não fique falando “abobrinhas”.

  Ontem apesar do feriado prolongado o texto “Obra Prima” teve 195 acessos.
  É muita gente para colocar em xeque meus argumentos e vejam se isso pode ser considerado um argumento:

  “Sobre a parábola, eu não vejo que é difícil o seu entendimento.
  Pelo contrário, vejo que é simplificado.
  Assim como na minha vida eu encontro propósito em tudo, na vida de Jesus também.
  Se ele quis amaldiçoar, que seja amaldiçoado, ora.
  Para que eu irei contender com isso?”
  [Comentarista no G+]

  Jesus usou a Fé para amaldiçoar e tudo bem, não se fala mais nisso.
  Vejam que não tem uma argumentação, “ele fez isso por causa daquilo...” ou “isso precisava ser feito por tal motivo...”
  O comentarista só nos convida a aceitar e não pensar mais nisso!
  Ele não contesta que fazer mal a uma planta é uma má ação, ele não aponta onde interpretei errado o texto, ele não diz onde tirei do contexto, se tirei do contexto...

    Esse Blog tem textos sobre os mais diferentes assuntos, não se limita a religião e mesmo nos outros assuntos o abismo filosófico persiste.

  Eu digo, por exemplo, que o que mais afeta a vida econômica de uma criança é a falta de juízo financeiro de seus pais, mas as pessoas dizem que é o Capitalismo, a colonização portuguesa, o imperialismo americano, a escravidão que ocorreu há mais de 100 anos...

  Corremos atrás de “resgatar dividas do passado” ao invés de exigirmos a responsabilidade na paternidade, pior que isso, defendemos que é justo o inocente pagar pelo pecador culpando os pais que são responsáveis [Sociedade] por aquela criança no semáforo.
  Insisto que não é o concordar ou discordar com o texto que forma o abismo, são a fraqueza das argumentações ou falta delas.

  Minhas observações na parábola estão erradas porque estão erradas...
  As observações das igrejas estão certas porque estão certas ...
  Eu nem deveria escrever as coisas que escrevo, devo me arrepender enquanto é tempo...porquê?
  Não devo PENSAR nisso, basta que eu entenda que estou sempre errado.

  O que devo fazer para não ser “convencido”?

  É deixar as pessoas me convencerem que estou sempre errado mesmo sem apresentarem argumentações coerentes.
  Hoje mais do que nunca ser chamado de convencido e arrogante ficará cada vez mais frequente.
  Escrevo uma obra maravilhosa e as pessoas com ARGUMENTOS deverão me convencer que não é.
  Quem desistiu de pensar tem todo esse direito, quem limita até onde quer pensar tem todo esse direito.

  Sou um LIVRE PENSADOR, tenho esse direito!


[Não fujo da solidão porque não tenho medo dos meus pensamentos]



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