domingo, 28 de outubro de 2012

Tapas e Beijos

  “Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em o deixar com vida.”
   [Nietzsche]

  Para muitos casais parece que as brigas são sua razão de viver.

  Meu pai não era um tirano era mais um sujeito imaturo.
  Tem homens [e mulheres] que realmente são tiranos, na sua mente esposa e filhos são suas propriedades.
  Há homens sádicos que sentem prazer em bater.
  Os homens sádicos no começo do relacionamento podem ser muito cavalheiros, como uma aranha vão trançando suas teias.
  A principal e indisfarçável característica é um ciúmes doentio.
  Não que a pessoa ciumenta seja necessariamente violenta.
  Se for ciumento e em algumas situações usar excesso de força como apertar o braço, beliscar, chutar a canela, ofender... o sinal de alerta tem que ficar ligado ao máximo, é melhor não arriscar.
  Se você mulher souber de antigos relacionamentos dele é desejável buscar referências.

  Segundo atesta o sucesso de 50 Tons de Cinza muitas mulheres gostam da submissão na cama, logo esses homens mais possessivos e agressivos provocam orgasmos intensos nas mulheres, mas lembrem-se, não dá para apoiar um relacionamento satisfatório apenas no sexo.
  Se a mulher é masoquista e o homem é sádico o relacionamento de domínio e submissão vai muito além do sexo, apesar de chocar a muitos o casal tem uma vida satisfatória para eles, nesses casos os problemas sempre são as crianças...

  Mas vamos para parte mais social e menos individual desse texto.
  A maior reclamação dos agentes que atendem vítimas de violência doméstica é que as mulheres desistem de levar o processo adiante, inventam mil desculpas, mas fica patente que a vítima ama o agressor.
  Isso aconteceu na minha casa.
  Certa vez uma viatura da polícia chegou para conversar com meu pai ele foi ignorante com os caras veio mais uma e o levaram a força, todos ficaram solidários com minha mãe e ofereceram todo apoio.
  Meu pai não ficou um dia preso porque minha mãe não registrou queixa.
  Por um lado entendi minha mãe, afinal ela casou por amor, tinha 5 filhos é natural que ainda restasse algum respeito por meu pai, mas por outro lado.
  Se não queria providências porque chamar a polícia?
  Da primeira vez não sei quem chamou a polícia [Tia ou vizinho], mas depois qualquer briga minha mãe queria a polícia em casa!
  Os policiais enfrentam tanto esse tipo de situação que acabam aceitando que a mulher gosta daquele relacionamento explosivo.
  Já nem atendem com presteza a ocorrência, vão cuidar de casos mais importantes.

  Muitos homens e mulheres adoram que as pessoas a sua volta sintam pena deles.

  Quando ouvem: “Coitado de você” é como se tivessem ganho o dia. 
  A pessoa não quer só cultuar o sofrimento quer também que as pessoas a sua volta reconheçam seu sofrimento.

  Minha mãe acabou se separando e por um tempo tememos por sua vida.
  Seria aceitável que meu pai recebesse uma ordem judicial para manter distância e caso não cumprisse fosse preso.

  Para concluir esse texto quero dizer que quando a mulher tem o “firme propósito” da separação e o indivíduo não aceita, faz ameaças de morte, a persegue... a sociedade tem que agir duramente contra esse cidadão.
  Há inúmeros precedentes desse tipo de história que não acaba nada bem, estaríamos agindo de acordo com FATOS históricos em nossa Sociedade.
  Atualmente ficamos esperando que o homem mate a ex-companheira para só depois fazer alguma coisa.
  Observem que nesses casos o indivíduo não está “pecando em pensamento”, ele está pecando em ação, atormentando a vida da família, com vários B.Os atestando, com testemunhas confirmando.

  Crimes passionais são dificílimos de evitar, o indivíduo nem sabe mais se sente amor ou ódio.
  Se o indivíduo não cumpre a ordem judicial de manter distância acho aceitável deixa-lo preso por algum tempo, para esfriar a cabeça, colocar as idéias no lugar, quem sabe encontrar um outro sentido na vida que não seja querer recuperar a esposa a qualquer custo ou acabar com a vida dela.

  Permitir posse de arma a vítima acho aceitável.

  Enfim, haveria muito a debater, muitas ações a serem propostas, mas primeiro devemos nos desfazer do Freudianismo de que todo homem é um cafajeste e toda mulher uma vítima indefesa das circunstancias, isso não corresponde à realidade observável.
  É como se a mulher fosse uma “folha em branco” escrita pelas ações dos homens.
  “Ele a seduziu”, “ele a conquistou”, “ele namorou com ela”, “ele não a tratou com respeito” ... a mulher é uma mente nula sob o impiedoso domínio da mente masculina ... acredite quem quiser...

  Sem considerar a mulher um ser pensante ao mesmo nível do homem eu só vejo gastos cada vez mais altos com resultados cada vez mais mínimos.

  Eu entendo todo desdém que os agentes de segurança tem com esse tipo de situação.
  Depois de um ano lidando com esses casos repetitivos em que o cara não vale nada ou é muito violento, mas a mulher o ama... qualquer um começa a ponderar

  Será que vale a pena intervir?

  VALE.
  Mas só nos casos que o cidadão está visivelmente fora de controle e/ou a mulher tem o firme propósito da separação.

  Fora isso eu sugiro aos policiais que andem com cartões de Psicólogos no bolso, deparou com essa situação de briga de casais apenas lhes entreguem o cartão e vão cuidar de ocorrências mais graves.
  O “Freudianismo” de considerar a mulher sempre vítima da situação precisa ser confrontado.
  Quem não conhece aquela moça que tem pretendentes interessantes, mas ela só quer saber do vagabundo, do marginal, do violento, do “galinha”?
  Por vezes vai contra o pai, a mãe, os amigos, contra o bom senso.
  Temos que nos responsabilizar por nossas escolhas, aqui no Brasil não tem casamento arranjado pelos pais, homens não entram nas residências e sequestram mulheres.
  A mulher tem o direito de escolher e o dever de assumir sua parcela de culpa se não fez uma boa escolha.

  Uma colega que saiu cedo de casa e teve filhos com um desses homens problemáticos vive dizendo que homens não prestam, que são todos cafajestes, que só querem sexo.
  Depois de uma vida sofrida ela se separou faz alguns anos, nunca falou de violência física, mas de bebedeira e irresponsabilidade financeira.
  Um dia cansado desse discurso de vítima dela fui curto e grosso, vou resumir a essência da conversa:
  Olha, você tem uma boa aparência, quando tinha 17 anos provavelmente tinha muitos pretendentes, podia se dedicar aos estudos, a alguma profissão enquanto experimentava parceiros para decidir por um bom, mas preferiu se entregar de corpo e alma a um homem que nem sua família aprovava (ela saiu de casa para ir morar no fundo da casa da sogra, estava gravida).
  Todas as mulheres passam pela adolescência e poucas tomam decisões tão radicais... assuma sua “irresponsabilidade”, tão grande quanto a do seu ex companheiro.
  Além do mais eu sou casado, Fulano é casado, Beltrano é casado (citei nomes de colegas de trabalho) não é porque você não escolheu um bom homem para casar que esse tipo de homem não existe.
  Eu, Fulano e Beltrano não agredimos nossas esposas e damos um duro danado para sustentar a família, se você olhar para os lados verá que a maioria dos homens agem como nós, se você fez uma má escolha assuma.

  Tenho duas filhas espero que elas escolham um bom homem para casar, trabalhador, responsável, que as respeite como pessoa.

  E se fizerem uma má escolha espero que pelo menos não venham dar uma de vítimas inocentes.


  “Mulher perdoa marido após ser agredida a socos e pontapés.” [Policia e Viola]
  Edmeire conta como aconteceu a agressão física. “Estávamos morando no Distrito de Bonfim de Feira e no dia 22 recebemos a visita de minha sogra. Ele estava bêbado e começou discutir com a própria mãe. Depois, partiu para meu lado, sem eu fazer nada e começou a me agredir com socos e pontapés. Ele me bateu tanto que meu rosto ficou deformado”.

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