segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Razão me Disse

  “Toda a instituição passa por três estágios - utilidade, privilégio, e abuso.” 
  [François René]

  Se a instituição é necessária tem que ser constituída.

  Não sou radicalmente contra privilégios desde que sejam justificados.
  O pior nas instituições são os abusos é quanto a eles que devemos ficar atentos.
  Vou falar de Condomínios e vocês ampliem para Município, Estado, País e até empresas das mais diversas atividades.

  NECESSIDADE
  Quando você mora em edifício se organizar em Condomínio é uma necessidade.
  As áreas em comum devem ter uma regulamentação de uso, até as atividades dentro do apartamento devem ter um acordo coletivo senão vira o caos.

  Não adianta ficar contando só com o bom senso das pessoas porque simplesmente há pessoas que não tem bom senso.

  Por exemplo, um musico deve procurar um lugar apropriado para seus treinamentos, não é civilizado submeter o vizinho a horas de som de guitarra, bateria, violão, piano ou qualquer outro instrumento.
  Em último caso, sem outra opção, o indivíduo deve ter o bom senso de separar um quarto em seu apartamento com forro acústico de alta qualidade e respeitar os horários de toque de silêncio.
  O piano é um instrumento com som muito bonito, mas imagine o cara treinar 5 horas por dia justo no momento que você está em casa ou de madrugada na hora de dormir.
  Imagine seu vizinho fazer trabalhos de marcenaria.
  Enfim, geralmente é proibido atividades comerciais ou industriais dentro de prédios residenciais para evitar esse tipo transtorno, há essa necessidade para que o prazer de um não seja o inferno do outro, afinal ele também tem direito ao “aconchego” no lar.

  PRIVILÉGIO
  O sindico pode ter o privilégio de não pagar o Condômino, se a dedicação for muita pode até ganhar salário por isso.
  Deficientes físicos podem ter vaga na garagem que lhes facilite o acesso.

  ABUSOS
  O sindico não pode assumir dívidas em nome do Condomínio sem ampla consulta.
  Se é uma vaga na garagem por apartamento as vagas de emergência ou descarga não podem ser usadas como estacionamento rotineiro do segundo carro de ninguém.
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  O grande problema começa quando as pessoas confundem o Condomínio com a figura do Sindico ou Zelador, assim como confundem o Município com a figura do Prefeito ou Vereador.

  Condomínio é uma associação feita entre todos os moradores do prédio.

  Município é uma associação feita entre todos os moradores da Cidade.

  Quando meu apartamento foi roubado muita gente disse que eu deveria processar o Condomínio.
  Eu não entendi, mas como raramente entendo o que as pessoas dizem preferi ficar quieto.
  O interessante é que quando minha esposa foi fazer o B.O ouviu a mesma recomendação na delegacia!
  Processar o Condomínio!
  E porque não o Estado?
  Afinal a segurança pública é uma tarefa do Estado, o Condomínio está dentro de um Estado e esse me cobra impostos.
  Pela lógica de muitos cidadãos eu processo o Condomínio e esse processa o Estado...

  Claro que “instintivamente” eu gostaria de reaver meus bens, pegar o ladrão e aplicar-lhe uma boa punição.
  Se não consigo dar vazão a esse primeiro instinto vou para segunda opção que é responsabilizar alguém pelo prejuízo e buscar uma indenização.

  Não que haja algo de errado com esses dois instintos, se a situação permite que eles tomem forma é isso que devemos fazer, orientar nossos instintos com o máximo de eficiência.
  Quando um cachorro o ataca, seu instinto manda correr e se proteger e muitas vezes é realmente o melhor a fazer, se você perder muito tempo pensando pode ser tarde demais.
  Quando você é roubado seu primeiro instinto é não querer ficar no prejuízo, de “qualquer forma” quer seu bem de volta.
  Bem, no meu caso reaver os bens é muito difícil e pegar o ladrão também uma vez que nem sei quem foi.
  Vamos nos concentrar no pedido de indenização e ver sua RACIONALIDADE, temos tempo para pensar... o roubo já aconteceu mesmo e o tempo não voltará para trás.
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  A Razão me disse para reforçar a segurança dentro do apartamento e avisar o maior número de vizinhos possível para que fiquem atentos, meus companheiros de Condomínio/Sociedade.

  O Raciocínio é bem fácil para quem não se deixa dominar pelo INSTINTO.
 
  Eu faço parte do Condomínio, como posso processar eu mesmo!?

  Oras, se eu buscar na justiça esse direito e ele me for concedido todos os outros condôminos terão o mesmo direito.
  Imaginem, em um apartamento distante é roubado produtos no valor de 20 mil reais, eu terei que arcar com o prejuízo na parcela que me cabe.
  Não é o Sindico ou Zelador que irão pagar ELES NÃO SÃO O CONDOMÍNIO.
  Essa lógica entra em sua mente?
  Isso pode ficar ainda pior, um vizinho de má índole simula um roubo de 100 mil...

  “O Bem não conhece o Mal, mas tenham certeza que o Mal conhece o Bem e está sempre à espreita para tirar vantagem desse conhecimento.” [William Robson]

 “Toda a instituição passa por três estágios - utilidade, privilégio, e abuso.”

  Sem entender esse conceito sobre Instituições nossa Sociedade dá constantemente tiros no próprio pé, protege homens de má índole e socializa os prejuízos com os homens de boa índole, mais uma vez é o inocente pagando pelo pecador.
  Comemoram qualquer indenização que o Estado tenha que pagar como se o dinheiro fosse sair do bolso de quem está governando e não de toda população pagadora de impostos.
  Se a justiça obriga o Município a entregar um terreno para invasores de terra isso não vai afetar em nada as contas bancarias do Prefeito.
  É você cidadão que está abrindo mão de um pedaço de terra que era de todos e agora é só de alguns que nem pagaram pela propriedade.

  Falta ao brasileiro essa noção que terras do Estado não são “terras de ninguém” são “terras de todos nós”.
  O mesmo raciocínio se estende para Empresas Estatais e todos os bens PÚBLICOS.


  PS: Esse texto é muito mais profundo do que pode parecer a princípio.
  Não se trata de isentar o Condomínio/Estado das atribuição que lhes cabe.
  Se trata de mostrar que Instituições não são pessoas físicas, são uma necessidade COLETIVA, nós é que traçamos suas diretrizes
  A razão sugere as pessoas físicas algo que elas se recusam a ouvir, “na maior parte do tempo”...
CADA UM DEVE CUIDAR DE SI MESMO!


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