sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Falar Abobrinhas

   “A consciência é a última e mais tardia evolução da vida orgânica e, por conseguinte, o que nela existe de menos acabado e de mais frágil.” 
  [Nietzsche]

  Sou meio Dr. House, não na genialidade claro, mas no jeito de quase não falar com as pessoas, confesso que não sinto necessidade.
  Passeando pela Internet gosto de deixar comentários, quando não sou censurado até dá para conversar alguma coisa, essa comunicação virtual já me basta.

  Não gosto de sair de casa, mas infelizmente não tenho como evitar e nessas saídas as conversas acontecem.
  É desagradável ficar algum tempo perto de pessoas e não dizer absolutamente nada, ainda mais quando puxam conversa.
  Não sou bom em conversar trivialidades, dependendo do que o indivíduo fala dezenas de frases de meus amigos mortos explodem na minha cabeça é inevitável que alguma saia pela minha boca em um momento de distração... a Filosofia acaba aparecendo.

  Uma das coisas que mais escuto é:
  “Você tem sua opinião eu tenho a minha.”

  Fica claro que a pessoa não concorda com o que foi exposto, não que ela tenha uma argumentação bem estruturada que coloque as minhas por terra, fica algo assim”.

  “Você aparentemente está certo, mas eu não concordo.”

  Esta frase não sai pela sua boca, mas dá para sentir em sua raiva, eu não deveria estar certo, minha argumentação bem amarrada a revolta.

  “Política, religião e futebol não se discute.”

  Nesse momento eu paro com a Filosofia e tento voltar ao tédio das trivialidades.
  Às vezes é difícil retomar a conversação, as pessoas se sentem fortemente ofendidas.
  Colocar em dúvida um dogma é como falar mal de um filho.

  Por esses dias uma colega numa conversa trivial soltou o dogma: “Deus sabe tudo.”
  Meio que no automático escapuliu uma daquelas coisas que sempre escrevo:

William – Porque Deus colocou a serpente no paraíso?

Colega – Para testar o homem.

William – Quem testa tem dúvida, não sabe tudo.

Colega – Prefiro quando você está quieto, quando abre a boca só fala abobrinha.

William – [Silêncio]
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  Política, Futebol e Religião não se discute?

  Futebol eu concordo que não é um assunto muito importante, no entanto o esporte perderia muito da graça se não fossem as discussões e provocações depois do jogo.
  A partida dura 90 minutos, mas gera inúmeras “mesas redondas”, dependendo do jogo é assunto para a semana inteira.
  Se não discutíssemos futebol acredito que o esporte perderia uns 90% da graça, pense bem, fora do momento da partida ninguém vestiria a camisa do seu time, ninguém falaria mal do outro time, ninguém analisaria a atuação do juiz, ninguém comentaria aquele lance incrível...

  Se a Filosofia não se ocupar de Política e Religião vai se ocupar de quê!?

  A não ser que estejamos em estado vegetativo Política e Religião fazem parte 100% de nossas vidas.

  Pensando melhor, até quando você está em coma existe políticas públicas regulamentando o procedimentos médicos como eutanásia ser crime.

  Nesse momento sua religião e de sua família também entra em cena:

 Deus quer o prolongamento da vida através das maquinas ou estamos desrespeitando o desígnio de Deus, o corpo já não tem condições, mas teimosamente o mantemos com nossa tecnologia?

  Se Deus não tivesse desejado o prolongamento não teria permitido a invenção das maquinas?

  No próximo texto vamos flutuar por esse dogma/opinião de não discutir Política e Religião.

     “A consciência é a última e mais tardia evolução da vida orgânica e, por conseguinte, o que nela existe de menos acabado e de mais frágil.” 


  Tentaremos tornar mais evoluída e menos frágil nossa consciência, mesmo que para maioria seja só abobrinhas...


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