quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

AUTO INTERESSE

   "Não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu "auto-interesse".
  [Adam Smith.]

  O que o amigo Adam diz é bastante observável.

  O açougueiro pode até ter uma alma maravilhosa que só pense no bem do próximo, mas no geral ele será aquele cidadão que compra e vende carne como forma de sustento.
  Ele espera e precisa de LUCRO para adquirir bens e serviços para si e sua família.
  Logo, ele gosta de lidar com carne, é uma pessoa boa, mas o motivo dele abrir um açougue é seu auto interesse.
  Isso serve para o padeiro, serve para a Nestlé ou Fiat.
  Serve para nós mesmos que não trabalhamos porque somos “bonzinhos”, trabalhamos porque temos interesse em nos sustentar, adquirir bens e serviços.
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  “O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba divulgou nota afirmando que o sistema vive a maior crise de sua história.
  E que segundo a FIPE a tarifa técnica estaria hoje em R$ 3,10.
  O valor pago pela Urbs é de R$ 2,898 – o que inclui subsídio do governo do Estado de cerca de R$60 milhões ao ano.”

  Esses 60 milhões subsidiando o transporte poderiam ir em parte para Educação, Segurança, Saúde, Infraestrutura, enfim quando você que paga impostos vota em quem quer fazer “justiça social” com passagens de ônibus, está abrindo mão de benefícios em outras áreas tão ou mais importantes.
  Nós que entendemos um pouco melhor as engrenagens do Capitalismo somos esmagados pela vontade da maioria, vou terminar essa série contando como lidei com essa situação de ser prejudicado pela vontade da maioria.

  Lá por 2007 no auge da minha crise financeira voltei a andar de ônibus, adquiri o Vale Transporte e tentei me adaptar a esse meio de transporte.
  Como eu praticamente só saio de casa para trabalhar meu custo era baixo, 6% do meu salário.
  Tem uma linha de ônibus na esquina de casa, mas ela é demorada.
  Me deslocava até a avenida João Jorge que é abastecida por mais linhas em direção da baldeação no Terminal Central.
  Do Terminal pegava um ônibus para região do bairro Santa Genebra.
  Entrava no trabalho ás 13:40 e quando saía ás 22 horas tinha que caminhar cerca de 1 Km até chegar na pista, o tempo era apertado, se eu perdesse o ônibus das 22:15 só passaria outro ás 22:45 ou 23 horas.
  Em 90% das vezes os ônibus estavam lotados tanto na ida quanto na volta.
  Eu perdia em média 2 horas por dia com transporte e olha que a distância era de apenas 12 Km de casa ao meu local de trabalho.

  Todo esse desperdício de tempo não satisfazia meu INTERESSE, mas minha poupança estava zerada.
  Tínhamos carro em casa, minha esposa ia trabalhar de fretado de forma que eu poderia utilizar o veículo, mas com meu salário baixo o gasto com o carro não seria inteligente.

  [Durante a crise com o restaurante que me levou a falência econômica eu fiz questão de não envolver financeiramente minha esposa, logo, sua capacidade de poupar permaneceu intacta.]

  A Filosofia Matemática só me oferecia como resposta satisfatória comprar uma moto.
  Fiquei anos sem dirigir moto, praticamente esqueci como pilotar.
  Confesso que não esperava mais em minha vida utilizar esse meio de transporte, mas a Matemática é implacável, era minha melhor resposta, iria financiar uma CG “muito” usada.
  Minha esposa vendo minha situação ofereceu 5 mil para que eu comprasse uma moto melhor, eu já havia ajudado anteriormente minha esposa na compra de 2 carros, não aceitar a ajuda seria um orgulho imbecil, não gosto de agir como imbecil.
  Com a moto minha qualidade de vida melhorou bastante, desisti do Vale Transporte e esse valor que deixou de ser descontado do meu pagamento era suficiente para pagar a gasolina do mês.
  Dirigindo tranquilamente, meu tempo de ida e vinda ficou em 1 hora sem nenhum inconveniente de ficar gastando sola de sapato.
  Subia na moto na porta de casa e descia na porta da Empresa... ô trem bão sô!
  Ganhei 1 hora mais de vida para cuidar dos meus interesses que era ... dormir mais por que não?
  Melhor que ficar espremido em um coletivo ou ficar vendo a grama crescer em um ponto de ônibus qualquer.
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  Sim senhoras e senhores!
  Dentro da lei, da ética, da honestidade devemos cuidar dos nossos interesses.

  Se tivesse uma linha de metrô integrada a linha de ônibus, se eu não tivesse que esperar tanto, se não houvesse distorção de preço... usar o transporte público seria do meu interesse, mas do jeito que está é muita injustiça e muito sofrimento, definitivamente:

   Injustiça e sofrimento não são do meu interesse!





 “Sobre a questão do subsídio, o prefeito informou que vai formalizar ao governador Beto Richa (PSDB) o pedido para que seja renovado o convênio entre Estado e município.
   "É uma questão de justiça social.
   A tarifa única foi criada exatamente para beneficiar aquelas pessoas que moram mais longe e o subsídio é necessário para garantir que a Região Metropolitana permaneça com a mesma tarifa do sistema integrado", disse o prefeito Fruet.”



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