quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Mim é Brasileiro

  “O que realmente querem os índios e o que alguns antropólogos querem que eles queiram...”



  Tem gosto para tudo, mas é difícil encontrar alguém que não goste de ter energia elétrica em casa.
   Li uma pesquisa feita com índios onde 86% deles preferiam morar em casa de alvenaria e 79% gostariam de ter banheiro dentro de casa.

  Às vezes fico pensando em coisas bem simples e quanto elas são importantes.
  Já pensaram se cada vez que sentíssemos vontade de fazer nossas necessidades fisiológicas tivéssemos que procurar um matinho?
  Até banheiro coletivo é ruim, bom mesmo é o banheiro da casa da gente.
  Sei lá, se pensarmos em um índio que vive na selva seu primeiro contato com o banheiro simples de uma casa pode ser meio estranho, mas com uns 3 dias de uso deve se tornar objeto de desejo, principalmente se tiver um bom chuveiro quente.
  Há poucas coisas que me relaxam mais que um bom banho quente ou morno dependendo do clima.

  Essas coisas existem, são tão acessíveis, por que nega-las as crianças índias!?

  Como “velhos chatos” defendemos que as crianças Índias devem viver totalmente alienadas do mundo moderno como se isso fosse algo precioso que nós mesmos perdemos.
  Só admitimos alguma modernidade lhes fornecendo cestas básicas e alguns remédios.
  Criança é criança, assim como minhas filhas gostam de piscina os indiozinhos gostam de nadar no rio.
  Assim como minhas filhas gostam de TV os indiozinhos... bem, tribos isoladas não tem essa POSSIBILIDADE.
  Não ter contato com TV é melhor para os indios, algum “sabe tudo” decidiu isso por eles.
  De uma certa forma eu concordo; a TV é uma janela para toda modernidade que nos cerca.

  Se pretendemos manter os índios presos no passado é melhor que eles não tenham uma janela para o presente.

  O que eu queria era tratar os índios como cidadãos brasileiros com possibilidade de acesso a tudo que nossa sociedade pode oferecer.

  Alguns conseguirão enriquecer, outros permanecerão pobres, mas acredito que a maioria chegaria a classe média... casa, carro, compras no supermercado sem depender da esmola dos “brancos”, Internet, casa de tijolos com vaso sanitário e um gostoso chuveiro quente.
  Coisas simples e tão importantes.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Até 1999 eu não tinha tido contato com computadores, apenas observava a distância.

  Uma coisa começou a me incomodar muito, na empresa quem trabalhava com computador era tido como o supra sumo da inteligência humana, não eram como os trogloditas da produção.
[Eu era encarregado de produção]

  Como eu não conhecia computador não podia avaliar as pessoas pelo uso que elas faziam desse equipamento então as avaliava em outras coisas em conversas e reuniões.
  Pelas minhas observações as via como pessoas bem comuns, algumas até abaixo da média.
  Mesmo a distância o computador não me parecia algo muito complicado, era só uma calculadora crescida.
  Em 2000 fiz um curso na Microcamp e a facilidade do uso do computador me surpreendeu, acredito que não precisava nem ter feito o curso bastaria comprar um computador e ir experimentando.
  Já pensaram se eu fosse tratado como um indiozinho?
  Seria impedido meu acesso ao curso e ao comutador.

  Computador é só para a “espécie superior” que trabalha no escritório

  Me encantei com programas como Excel e Word, mas o orgasmo mental veio a primeira vez que acessei a Internet, era a página inicial da UOL, tantos recursos, tanta informação.
  Pensei: Vou ter Internet na minha casa!

  Um indiozinho que veja minha filha usando um Tablet vai acha-la um ser muito superior, uma raça especial.
  Como dizer para o indiozinho que a diferença entre ele e minha filha não é racial?

  A diferença é que a FUNAI não se importa com a vida da minha filha e se importa muito com a vida do indiozinho... sabe tudo que é melhor para ele.  

  Tenho dúvidas... e você?



Mim é brasileiro.
Mim gosta banana (banana!)
Mas mim também quer votar
Mim também quer ser bacana (bacana!) ♫♫♫♫


“Eles não precisavam nem das leis das cotas.
 Bastava-lhes a permissão de ser brasileiros.” [Nihil]



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