sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Divagações “Facebookianas”

  "Numa noite chuvosa, chegando de carro ao seu prédio, você vê uma mãe na saída de uma favela próxima, com um bebê no colo, esperando um ônibus.            
  Ela mal consegue segurar o bebê e o guarda-chuva ao mesmo tempo. Você pensa:" 

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a) ¹Eu aqui, indo para meu apartamento confortável, e ela nesse desespero.
   ²Que país injusto! Isso me corta o coração
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  ¹Eu tenho um apartamento confortável, mas não sei como ao “conquista-lo” eu tirei alguma coisa da mulher.
  O apartamento é fruto de muito trabalho, muito esforço, muito juízo financeiro meu e de minha esposa.
  Mesmo que eu tivesse ganho o apartamento dos meus pais não vejo razão para me sentir culpado, se a mulher não tem pais tão bons quanto os meus que culpa eu posso ter!?

  Se alguém consegue relacionar o fato de eu ter uma casa própria com o fato de uma outra pessoa não ter, por favor, faça isso.

  ²Sem saber maiores detalhes da história de vida da mulher [analise básica de texto] é leviano afirmar que ela é “vítima de um país injusto”.  
  Eu teria que admitir que nosso governo é 100% responsável pela vida de qualquer pessoa o que não é observável.
  O governo não é responsável pela “qualidade” dos pais da mulher, não é responsável pela decisão dela de ser mãe, não é responsável pela “sorte ou azar” dela em alguma situação.

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b) Se o governo fosse digno desse nome, haveria uma ambulância aqui para atender essa mãe e esse menino.
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  Essa me parece a alternativa menos problemática com relação a implicar o Governo.
  Nosso serviço de SAMU deve funcionar com eficiência isso é uma questão de bom planejamento e uso de verbas por parte das autoridades políticas.
  O problema surge porque pelo que está escrito não dá para afirmar que é um caso de emergência.
  Procure no enunciado algo que ao menos insinue que a criança está doente e que a mulher está indo para o hospital.

  Percebam que as duas questões estão IMAGINANDO coisas como “a mulher mora na favela e a criança está doente.”

  Se é para imaginar podemos supor que a mulher está vindo de uma festa, visita a parente, igreja próxima... esperou a chuva passar, mas como a chuva não passou resolveu voltar para casa assim mesmo.

  Se ela não tem carro, ou se ele não está disponível no momento uma opção de transporte é o ônibus e como há ponto de ônibus no local “deduzimos” que a favela é atendida por uma linha regular de ônibus é o “Governo” fazendo a parte que lhe cabe nessa história.

  Se podemos ignorar o enunciado e imaginar o pior cenário podemos também imaginar um cenário melhor.

Mais uma vez:

Dedução:
1 - Resultado, consequências, ilação.
2 - Raciocínio ascendente (da causa para os efeitos).

Imaginação:
1 - Criar imagens, representações, fantasias.
2. Falsa idéia proveniente de um juízo errôneo ou de uma apreciação irrefletida.
3. Suposição; cisma.

 Uma interpretação eficiente de textos/enunciados deve ter por base a dedução lógica.
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c) Se não fôssemos tão tolerantes para com a corrupção e a incompetência nos serviços públicos, já haveria uma ambulância aqui.
  ¹Mas essa mulher é uma guerreira: ²esse menino vai ter um exemplo admirável para seguir na vida.
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   Mais uma vez nos deparamos com a introdução de algo que não está no enunciado.
  Ambulância é para atender doentes não é táxi “gratuito” [bancado pela Sociedade].

  O resto da questão “c” são divagações “Facebookianas”.
  ¹A mulher é uma “guerreira” por estar em um ponto de ônibus com uma criança no colo!?
  Pode ser também uma irresponsável, sem noção, alguém que foi a favela em busca de drogas, o bebe é um ótimo disfarce.
  Percebem que no campo da “imaginação” podemos praticamente tudo?
  Essa é a importância de se ater ao texto.
  Filosofia de boa qualidade tem como base FATOS, a imaginação é ilimitada começamos a criar “contos” e nos desconectamos da realidade observável.

  ²O menino vai ter um exemplo admirável para seguir na vida com base em quê!?
  Eu e minha esposa não expusemos nossos bebes em risco, lutamos para lhes dar uma casa.  
  Por planejar uma boa qualidade de vida para nossas crianças pais responsáveis não são bom exemplo!? Não somos “guerreiros”?

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d) Como é triste a ignorância.
  Imagine esperar até essa hora para tomar a decisão de levar a criança ao hospital
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  Caraca!
  Há uma fixação em algo que NÃO está no enunciado.

  Devido a insistência vamos imaginarr que a criança está doente ou sofreu um acidente.
  Essas coisas não tem hora para acontecer, como você aí de dentro do seu carro pode saber como foi o dia da mulher e que ela “esperou” alguma coisa?
  Febre, convulsões, quedas acontecem a qualquer hora sem aviso prévio.
  Essa questão “d” me parece preconceituosa: “pobre é sempre burro e ignorante.”

  Ignorante é alguém que ignora alguma coisa, lhe falta um conhecimento.
  Eu por exemplo sou ignorante com respeito a dirigir caminhões, nunca dirigi, não tenho essa habilidade ou conhecimento.

  “Burro” é alguém que não consegue aprender mesmo que seja ensinado, mesmo que seja apresentado ao conhecimento.


  Este preconceito é um dos mais perigosos da Sociedade atual, pois nos leva a ILUSÃO que um grande contingente de nossa população não tem como se cuidar sozinha, precisamos cuidar delas de todos os modos, dando casa, comida, dinheiro.
  São “burros e ignorantes”, não tem jeito “sempre serão assim”.
  Precisamos proteger eles deles mesmos!

  Burros tem em todos os extratos sociais.

  Quanto a ignorância tem gente que conscientemente opta por ela, dão pouco valor ao estudo, o importante é “curtir a vida”.
  Tem pessoas que não sabem, não querem saber e tem raiva de quem sabe.
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  Para eu uma mulher no ponto de ônibus com uma criança no colo é ... uma mulher no ponto de ônibus com uma criança no colo.
[Olha o óbvio aí geeente!]

  Dependendo do local eu corro mais risco parando o carro que a mulher que é da “comunidade”.
  É evidente que se eu observar [não “imaginar”] uma situação que a mulher ou a criança precisem de ajuda eu as ajudarei.
  Já socorri vizinhas em trabalho de parto, por exemplo.
  Mas entrar em crise existencial, xingar o governo, sociedade e o mundo por uma cena urbana vista da janela do meu carro acho muito NEURÓTICO!

“Nas grandes cidades do pequeno dia-a-dia
 O medo nos leva a tudo, sobretudo a fantasia”  ♫♫♫♫






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