quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Boa Infância

  “A juventude é uma coisa maravilhosa. Que pena desperdiçá-la em jovens.”
 [George Bernard Shaw]


  Visualizar a estrutura de pensamento prazer nos faz decifrar muitos enigmas da vida, por essa eficiência é a estrutura que mais visitei e visito.
  Vejo muitos idosos reclamando do distanciamento dos jovens atualmente, mas isso acontece desde que o mundo é mundo.
  Um dos motivos desse distanciamento [talvez o principal] é que o jovem tem que seguir o seu caminho, estudar, ter uma profissão, viver seus amores.
  Hoje eu sou o homem mais importante da vida de minhas filhas, mas mais cedo ou mais tarde elas irão se apaixonar e inevitavelmente eu ficarei em segundo plano.
  Se uma delas tiver o firme propósito de namorar um rapaz não tenho como impedir ou impor minha vontade.
  Quando forem mães seus filhos serão mais importante que eu e seus maridos, é a dinâmica da vida, não acontece sempre assim, mas é o que mais acontece.

  Vamos encaixar o prazer nessa dinâmica.

  Como poderei me manter agradável para minhas filhas e netos?

  Digo isso por que chega o momento que conviver com um idoso não é prazeroso.
  Sim, o carinho permanece, mas o desejo de estar junto diminui bastante, porque?

  “Gente velha” [não necessariamente idosa] tem a mania de achar que a nova geração está perdida ou não sabe aproveitar a vida.
   Com essa visão negativa dos jovens as pessoas velhas passam boa parte do tempo criticando e não é prazeroso ficar perto de quem só nos critica.
  É complicado porque você não perde o carinho, não perde o respeito e justamente por isso prefere o distanciamento.

  Para não ficar discutindo você prefere ficar em silêncio ou a distância.

  No G+ foi colocado lado a lado o desenho de crianças brincando no recreio na década de 80 com gangorras, balanços, bolinhas de gude... a "boa infância” e outro desenho com crianças brincando com seus eletrônicos... a "má infância".
  Os comentários foram todos saudosos e entendi que para ser um "velho chato" nem precisa ser idoso.
  Basta acreditar que o que você viveu na infância e adolescência é sempre melhor ou mais puro que o que vivem as crianças e adolescentes de agora.
  É, com apenas 30 anos já está assim de velho chato.

  Você que não quer ficar um velho chato precisa entender que gosto/prazer é algo muito pessoal e “indisfarçável” ... para um bom observador.
  Se a criança de hoje sentisse mais prazer no escorregador que mexendo em seu celular ou notebook ela estaria escorregando e não digitando.

  Como posso afirmar que a infância de uma criança não está sendo prazerosa só porque não é igual a minha!?

  A diferença é que a criança pode largar o tablete e ir para o balanço, esses dois prazeres estão disponíveis, enquanto no passado recente tínhamos menos escolhas.
  Lembro que eu era louco para ter um autorama ... nunca tive.
  Como posso dizer que “tive prazer em não ter?”
  Se eu tivesse um autorama de certo teria passado muitas horas brincando com ele, me daria mais prazer que ficar brincando com carrinhos imaginários.
  Eu fazia uma pista na terra, pegava alguns pedaços de telha na rua e fingia que eram carros de formula 1.
  Eu jogava um dado e o número que saísse era o número de palmos que o carro/telha avançava.
  Era uma emocionante competição com 5 ou 6 carros/telha...





  O celular é uma invenção moderna, é demonizado por isso!?

  O escorregador foi uma invenção moderna, no passado de certo as pessoas escorregavam na neve ou na grama.
  Escorregar em uma longa extensão de grama exige mais exercício físico que fazer a mesma coisa em um escorregador, acontece que o escorregador é mais acessível, fácil de montar em qualquer canto.
  Quem escorregava na grama ou na neve acredita que a infância foi melhor.
  Acontece que as cidades cresceram, não é tão fácil encontrar grama para escorregar, escorregador cabe em qualquer playground.
  Minhas filhas se divertiram muito com o escorregador existente no condomínio, tiveram uma boa infância.
  Tiveram celular de verdade e não um celular telha.

 Mas esse texto é só uma vaselina para a lógica entrar em sua mente.
 Quero escrever sobre a infância de crianças índias de quanto as privamos da modernidade crentes que estamos fazendo o melhor para elas.
  Os índios tem a infância que qualquer "intelectual" gostaria de ter e é essa infância que devemos preservar.
  Será mesmo?

   Negamos aos indiozinhos, opções, prazer, conhecimento.
  Índio tem que viver como índio e não se fala mais nisso!


  Mas eu vou falar... I’ll be back.





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