quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cargo de Confiança

 “Cargos de confiança independem de concursos públicos e podem ser preenchidos livremente, conforme os interesses políticos.
 Eles são a chave do aparelhamento do Estado.”



   Quando encontramos uma pessoa pela primeira vez ela é uma grande incógnita.

  Se suas decisões como chefe dependerão das decisões ou informações que essa pessoa for te passar é natural que você tente conhece-la melhor.
  Acontece que conhecer melhor as pessoas demora um bom tempo, um tempo que por vezes você não dispõe.
  Quando você recebe uma promoção é bom que apresente algum resultado rápido.
  Na dúvida, ao assumir um cargo de comando, optamos em ter por perto pessoas que já conhecemos.
  Não que elas sejam necessariamente melhores que as outras, mas você já conhece suas qualidades e DEFEITOS.
  Seu colega Otacilio você conhece há anos é muito honesto, mas exagerado e dramático.
  Sabendo das características do Otacilio você consegue ficar mais tranquilo quanto a não ocorrer roubos ou corrupção ao mesmo tempo que tira um pouco do drama e exagero das informações que ele lhe trouxer.

  Não sou radicalmente contra os cargos de confiança, mas de certo defendo que eles deveriam ser muito mais limitados.

  Você quer levar o Otacílio com você?
  Tudo bem.
  Mas levar todos os “amigos e familiares” que te apoiaram ... é sacanagem né? 😲
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  Um bom líder deve ser capaz de fazer uma análise rápida e razoável das pessoas que ele encontra, mesmo as que ele nunca viu na vida.

  Se o indivíduo não desenvolveu essa habilidade sua liderança não será de boa qualidade.
  Todos nós assim que entramos em contato com alguém automaticamente fazemos uma análise do indivíduo: bonito, feio, simpático, ansioso, triste, alegre, ambicioso, convencido, carente...

  Não se julga um livro pela capa, mas com poucas folheadas já sabemos do que trata o livro e se ele é ou não do nosso interesse.

  Com o passar dos anos desde que não nos deixemos dominar pelo “preconceito” essa capacidade de análise do que esperar das pessoas nos é muito útil.
  Então levar 2 ou 3 assessores de confiança acho aceitável dependendo da abrangências do cargo.
  Dispensar toda uma chefia sem ao menos tentar conhece-la considero uma grande inapetência para o poder.
  Fica mais ou menos assim:

 “Você está sendo demitido [ou colocado de lado] porque eu não te conheço e não quero conhecer, prefiro colocar a “minha gente.”

  Uma Empresa é como um organismo vivo, trocar uma chefia apenas por trocar raramente dá coisa boa.

  Pensem em trocar um rim que está funcionando bem.
  Essa operação desnecessária traz riscos, provoca grandes transtornos.
  Se o rim não está tão bem por vezes basta algum tratamento simples.
  Se o rim está bem, fazendo o que se espera dele, porque troca-lo?

  Por isso há planos de carreira tanto no setor público quanto no privado.
  Não dá para todo mundo ser chefe ou chegar a diretor da empresa, mas é triste você perder um cargo só porque trocou a diretoria.

  Quando você tem uma carreira tem um nome a zelar, a empresa passa a ser extensão do seu lar, no sentido de fazer muito parte da sua vida, um “sobrenome”.

  “Sou Carlos trabalho na Bosch”.
  “Sou Ariadne das Faculdades Anhanguera”.
  “Sou Rogério do Banco do Brasil.”
  “Sou William trabalho na Unicamp.”

  No cargo de confiança as coisas mudam, você não tem uma carreira.

  Se você vai ficar apenas 4 anos em uma empresa e por melhor que trabalhe será enxotado de lá com a troca da direção... tudo fica muito diferente.
  É o que acontece quando você ocupa um cargo de confiança na política.

  Você é conhecido do Prefeito, ele te dá um cargo na prefeitura se for reeleito você fica mais 4 anos caso não o novo prefeito dificilmente te manterá no cargo … colocará um conhecido dele.
  Fica fácil entender porque muitos assessores se corrompem.
  É como entrar em um supermercado, lhe darem 4 horas para pegar o que conseguir levar.
  Você não tem nenhuma identificação com o supermercado, só quer se dar bem.
  Se a única possibilidade de continuar no cargo é o seu “padrinho” na direção continuar com seu mandato então você fará tudo para que isso aconteça, inclusive participando de caixa 2 e desviando verbas para o partido.
  Veja o caso da Rose:



  “Uma história ilustra o estilo de atuação de Rose.
   Em 2005, uma funcionária da Guarda Portuária passou a dizer na Codesp que fora indicada para o cargo porque era amiga da “namorada do Lula”.

  É evidente que quem tem uma grande vantagem pessoal apoiando um partido ou político vai querer manter essa situação.
  Se a pessoa comunga da mesma ideologia fica melhor ainda junta a fome com a vontade de comer.
   Um candidato pode conseguir muito apoio político se prometer “apadrinhar” muita gente aparelhando o Estado, afinal ele terá poder para isso.

  Defendo que precisamos de leis limitando cargos de confiança.
  Se limitarmos legalmente esse poder o candidato honesto não sofrerá tanta pressão e os candidatos fisiologistas não terão poder de barganha.

  Nas câmaras municipais, estaduais e federal é uma festa.
  Cada vereador ou deputado eleito tem direito há vários assessores.
  Caraca!

  As câmaras deveriam ter só funcionários concursados, o político eleito poderia levar um ou dois assessores e mais nada.

   Essa lógica entra em sua mente?








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