segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Eu era Feliz

  “Felicidade foi se embora; E a saudade no meu peito ainda mora” ♫♫♫♫
  [Caetano Veloso]



  Nós vivemos cercados de coisas maravilhosas, mas a rotina faz que nem percebamos.

  A vida tem que ser assim. 

  Já disse da maravilha que é abrir uma torneira dentro da casa da gente e sair água potável.
  Antigamente você tinha que puxar o balde de um poço ou andar até o rio ou lago mais próximo.
  Ter agua em casa de maneira tão fácil é maravilhoso.
  Mas já pensaram se cada vez que fossemos beber água ficássemos extasiados?
  Sim, estamos diante de algo maravilhoso, mas que faz parte da nossa rotina.

  Veja o caso recene da Internet, ligar o computador e ter acesso fácil a tanto conhecimento da humanidade é fantástico, como faz parte da nossa rotina achamos tudo “normal”.

  Uma frase que ouvimos muito é:

“Eu era Feliz e não sabia.”

  Na verdade não éramos felizes, vivíamos uma situação “aparentemente” ou realmente melhor.
  [Este texto é complexo, sigam-me os bons!]



  Vamos ficar no exemplo simples da água encanada e do computador e vocês projetem para todo o resto.
  Seria bom que ter água encanada e banda larga em casa nos fizesse felizes, plenamente satisfeitos com a vida, mas não fazem, a vida é muito mais que isso.
  De qualquer forma é melhor tê-los que não tê-los, acredito que todo mundo concorda.
  Por um motivo qualquer você fica sem água e Internet é como se sua vida virasse um caos, daí você diz “eu era feliz e não sabia.”
  Oras, você não era Feliz, você tinha uma vida melhor, mais confortável ou satisfatória, daí a dizer que foi Feliz tem uma distância enorme.
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  Muitas pessoas cometem o suicídio ou ficam muito deprimidas justamente por acreditar que um dia no passado foram felizes e nunca mais poderão ser nessa vida.

  As pessoas podem cometer o suicídio por várias causas, mas as campeãs são por motivos financeiros ou amorosos.
  É terrível quando seu padrão de vida despenca, muitas pessoas que foram a falência cometeram suicídio, claro que mesmo ganhando pouco dá para você ter uma vida satisfatória, mas quem conheceu a fartura é difícil conviver com a austeridade, ir no mercado calculando para ver se o dinheiro vai dar para você comprar o básico.
  Muitas pessoas vivem bem em um apartamento de 70 m², mas para quem vivia em um de 150 m²... “eu era feliz e não sabia”.

  Vocês percebem claramente que acreditar na Felicidade futura ou passada é um grande enrosco.

  Como podemos lidar com isso?

  Embora vivamos cercados de coisas maravilhosas a própria sistemática da vida trata de não nos deixar ficarmos extasiados, a rotina transforma coisas fantásticas em coisas normais é assim que tem que ser.
  No entanto as pessoas deixam de valorizar bons momentos, chegam até desprezar, vão para o outro extremo do êxtase, ficam cegas para tudo de bom que possuem e sempre vão atrás do “algo mais”.
  Esse querer mais é até uma virtude, não nos deixa ficar muito acomodados, mas em excesso se torna um vício, uma transtorno obsessivo.

  Minha esposa chega do trabalho praticamente sempre o mesmo horário, é uma coisa normal, não fico extasiado por esse momento, mas reconheço o valor desse acontecimento.
  Ele significa que minha esposa teve mais um dia rotineiro, chegou ao trabalho em segurança, fez tudo que tinha que fazer e voltou em segurança para mim e para nossas filhas de forma que nossas vidas possam seguir absolutamente normais.
  Se as meninas deixaram algo fora do lugar eu faço com que arrumem ou eu mesmo arrumo, para que minha esposa encontre a casa em ordem quando chegar.
  A mesma coisa ela faz comigo e seguimos essa vida “normal e rotineira”.
  Eu gosto da normalidade, gosto da rotina porque valorizo os momentos.

  Se eu acreditasse na Felicidade no casamento, por mais que minha esposa fizesse sempre eu esperaria mais.

  Acho muita ingenuidade Filosófica esperar [em muitos casos “exigir”] que as outras pessoas nos façam felizes, isso significa que elas precisam corresponder a todas nossas expectativas, nos satisfazer plenamente... é muito EGOÍSMO.

  O objetivo desse texto é amarrar os textos anteriores onde eu disse sobre “imaginar fatos”.
  A Felicidade não existe, mas por vezes imaginamos que ela existiu no passado e isso nos deixa deprimidos no presente, porque realmente certas situações não temos como reconstruir.

  Como uma mãe pode ter de volta um filho que morreu?
  Como você pode ter de volta uma esposa que já não quer mais saber de você?
  Como ter de volta o belo corpo da juventude?
  Os filhos crescem cada um segue seu rumo, como ter de volta aqueles bebezinhos?
  O amor da adolescência, a adolescência e suas inúmeras possibilidades... como ter de volta?
  Aquele bom emprego que por algum motivo já não existe mais, como ter de volta?

  É senhoras e senhores não éramos felizes no passado, a felicidade do passado não é um fato, mas em certas coisas nossa vida era mais [digamos] “legal”.
  Mesmo que seu passado tenha sido de glórias você tem que procurar sua glória agora, o que faz sua vida legal agora.

  Não adianta se enganar, muitas situações, muitos sentimentos não tem como serem revividos com a intensidade do passado.
  Reconhecer que viveu bons momentos é bom, é desejável que tenhamos boas recordações, mas achar que a Felicidade ficou no passado... nos faz desvalorizar os momentos bons do presente.
  Claro que sinto saudades das minhas filhas bebezinhos, mas é bom vê-las se transformando em moças, é assim que deve ser, a vida segue seu rumo.
  Um Livre Pensador não deve se ocupar de buscar algo que não existe, sim, mais uma vez estou falando da Felicidade, nós imaginamos que ela existiu no passado, imaginamos que existirá no futuro, mas NUNCA A VIVEMOS DE FATO.
  Devemos nos ocupar de buscar bons momentos, valorizar as pessoas procurando facilitar suas vidas, sermos CIVILIZADOS.

  Devemos nos ocupar de buscar bons momentos, nos valorizando, procurando tornar nossa vida fácil e agradável.

  Onde podemos chegar com isso?
  Em algo que existe a ...

SERENIDADE!







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