sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Força da Tradição

  “Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura.” 
 [Aristóteles]



  A inteligência nos confere um grande poder, mas no passado não éramos muito inteligentes... esse pensamento tem uma grande falha de estrutura, mas vamos seguir apesar disso.
  As mulheres são tão inteligentes quanto os homens, se muitas sociedades se estruturaram patriarcalmente podemos supor que a grande diferença para destacar os homens diante das mulheres foi a FORÇA física do homem.

  Com pouco conhecimento disponível a força se sobrepõe facilmente a inteligência.

  Isso é bem fácil de entender pela teoria da evolução proposta por Darwin, mas para tornar esse texto mais interessante vamos usar a Bíblia.
  Eva foi “inteligente” o bastante para desejar mais conhecimento, ela comeu o fruto e CONVENCEU Adão a come-lo também.
  Adão não foi inteligente o bastante para comer o fruto [isso é uma provocação, para crentes não houve inteligência houve desobediência], mas caso Adão comece primeiro o fruto não precisaria “convencer” Eva, poderia força-la a comer usando a força física.

  Podemos deduzir que se apenas Eva comece o fruto sua inteligência superior a faria dominar o homem, claro, se Deus não decidisse a destruir por sua desobediência poupando Adão.

  Entretanto, na história narrada na Bíblia, o homem também come o fruto e fica tão inteligente quanto a mulher.
  Agora ele tem uma inteligência igual e é superior em força física.
  Quando o homem se tornou tão inteligente quanto a mulher ele tinha a vantagem de poder subjuga-la, obriga-la a fazer o que ele queria, a vontade da mulher podia ficar em segundo plano.

  Percebam que se a força e a inteligência estiverem em lados opostos a força leva vantagem.

  Eva teve que convencer Adão a comer, mas se Adão se recusasse a comer Eva não teria como força-lo.


  Vamos a uma ilustração mais fácil de visualizar.
  Você é inteligente, tem duas faculdades, é diretor na empresa que trabalha, mas tem 1.65 de altura e não está na sua melhor forma.
  Chega um “dimenor” com 17 anos, 1.80, em plena forma física e “solicita” sua carteira.
  Você tem a inteligência ele tem a força, qual a probabilidade de você ficar com sua carteira?
  Pouca, bem pouca; você precisa de um golpe de sorte (soco ou chute que o derrube) ou correr bastante.

  E se você estiver armado?

  A força muda de lado ... situação interessante para nossa meditação.
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  Eu sou um homem alto e forte, mas qualquer mulher ou criança em condições de puxar o gatilho de um revolver consegue me matar.

  Por mais inteligente que eu seja, sou presa fácil diante de uma pessoa armada.

  Fica fácil perceber que para alguém inteligente a primeira providência é trazer a força para o seu lado.
  Tenho que usar minha inteligência para construir a melhor arma isso traz a força para meu lado.
  A inteligência e a força do mesmo lado são imbatíveis.
  Aqui começa nossa paixão pelas armas:

  “DEUS criou os homens desiguais, mas o COLT 45 igualou a todos.”

  Com o desenvolvimento das armas de fogo a força passou a estar disponível a todos, para buscar uma diferenciação fomos obrigados a buscar mais INTELIGÊNCIA.

  Caso Adão tivesse comido o fruto primeiro, mesmo mais inteligente ele não tinha como forçar a Eva comer se ela tivesse maior força física ou um revolver.
  Por outro lado a Eva comeu o fruto e passou a ser mais inteligente, conseguiu convencer Adão a comer o fruto sem precisar usar a força.
  [Sei que está confuso, mas certas coisas não tenho como facilitar.]

  O importante é você perceber o jogo complexo entre força e inteligência.
  O primeiro recurso da pessoa inteligente é o diálogo/convencimento, mas se isso falha é bom se garantir pela força caso seja uma situação crucial.
  Hitler queria invadir a Inglaterra e toda diplomacia não conseguia demove-lo da ideia, se os ingleses não se armassem até os dentes o desfecho seria obvio.

  O ideal é que um exército tenho força e inteligência, mas por mais inteligente que um exército brasileiro seja não tem força para enfrentar o exército americano, no entanto se os militares americanos fossem tornados todos burros poderiam ser derrotados apesar dos melhores equipamentos.

  Na história da humanidade vemos este jogo de força e inteligência em todas as guerras.
  Nem sempre o exército mais forte vence, mas isso foi o que mais aconteceu.
  A narração da Guerra de Tróia simboliza muito bem esse embate entre FORÇA e INTELIGÊNCIA.
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  Hoje temos fronteiras bem definidas entre os países, mas antigamente as guerras para anexação de territórios eram constantes.

  Não havia exército profissional, se houvesse uma invasão de outro povoado os homens de cada família tinham que providenciar a defesa.
  Com a invenção das armas de fogo até mulheres e crianças podiam ser treinadas para se defenderem, imagine você invadir um território com pacíficos camponeses e invadir outro com camponeses armados até os dentes... tudo fica bem mais complicado.
  Os pioneiros americanos travaram grandes batalhas com povos indígenas além de ingleses e como se não bastasse ... bandidos há em todos os tempos, o “velho oeste” era uma terra com pouca lei, ter armas em casa era de suma importância, uma grande NECESSIDADE.

  A paixão pelas armas começou com essa garantia de LIBERDADE ou pelo menos a possibilidade de lutar por ela.

  Sem as armas os mais fortes fisicamente continuariam ser os donos do pedaço, as armas nos forçaram a sermos mais INTELIGENTES, mais DIPLOMÁTICOS.
  Hoje em dia não há mais necessidade da família americana se manter armada até os dentes para defender seu território, principalmente os americanos que tem o mais poderoso exército profissional da Terra.

  Se a necessidade se foi a Tradição permanece, ela é um osso duro de roer.

  Acredito que os americanos inteligentes deverão mostrar a suas crianças que não há mais necessidade de se manterem fortemente armados, isso só facilita a ação de psicopatas em provocar grandes tragédias.
  O máximo que podemos fazer é dificultar a ação deles porque evitar totalmente é impossível, psicopatas são imprevisíveis e não dá para prender uma pessoa por um crime que “achamos” que ela irá cometer.
  Nem todos “psicopatas” se tornam assassinos.
  Estou usando esse “idioma” da Psicologia para que a sociedade Freudiana possa entender, mas eu como Filosofo acredito que há “espíritos” monstruosos que vibram em uma frequência de maior violência sempre que suas vontades não são integralmente obedecidas.
  É evidente que isso varia em infinitos graus, a resposta pode vir em forma de uma simples calunia até chegar a agressão, roubo e assassinato.

  Acredito que os americanos deveriam criar leis limitando a quantidade e o tipo de armas disponíveis ao público, no entanto o mais importante seria esse tipo de conversa que estamos tendo, convencendo as pessoas que a paixão por armas se tornou sem sentido, algo incompatível com o nosso tempo como são as touradas ou a escravidão.

  Estou falando de um esforço máximo para mudar a CULTURA dos cidadãos.

  É preciso convencer americanos a não comprarem tantas armas, mas se o diálogo não é suficiente usem a força da lei.
  Pistolas são suficientes para auto defesa.
  Fuzis, metralhadoras ... é um exagero.

  Mudar Cultura/Tradição não é tarefa fácil, mas o que nunca começamos nunca terminamos.
  Deixo claro que NÃO sou a favor da eliminação das armas.

  Em um mundo perfeito não existiria armas, mas não vivemos em um mundo perfeito há muita gente do mal.

  Se deixarmos apenas o “mal” acumular FORÇA o “bem” não tem como permanecer em segurança por mais inteligente que seja, um Stalin ou qualquer marginal do bairro subjugaria os homens de bem facilmente.

  Eu defendo a possibilidade do cidadão de bem ter “direito” a manter uma arma em casa sempre que ele achar que é necessário para sua defesa pessoal... não para começar uma pequena guerra.
  Se o cidadão tiver ótimos antecedentes deve ter direito ao porte de arma, esse cidadão de bem terá força para combater um marginal ou proteger alguém caso seja necessário.

  O Estado não tem como me proteger de tudo o tempo todo, não acho certo ele não permitir meu direito a auto defesa.

  Entre o extremo da proibição e o extremo da liberação irrestrita há muito “meios”.
  Espero que os americanos usem a INTELIGÊNCIA para minar a FORÇA da TRADIÇÃO.

  “Um Filosofo não pode ignorar os extremos, mas tem que se ater aos meios.”

  Se eu fosse uma mulher ameaçada por um ex companheiro violento eu faria curso de tiro, não contaria “só” com o Estado.
  Todos temos direito a auto defesa.
  Situação extrema, atitude extrema, mas claro que prefiro e busco o EQUILÍBRIO mental e espiritual.
  Essa lógica entra em sua mente?





   “Homem bate em mulher dentro de casa e leva uma surra do sogro na rua.” [YouTube]








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