terça-feira, 5 de março de 2013

Amor Próprio

  "Se alguém vem a mim e ama seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs e até sua própria vida mais do que a mim, NÃO pode ser meu discípulo.”

  DISCÍPULO é a mesma coisa que aluno, aprendiz.
  Pode ser também alguém que segue a doutrina de outrem.

  Jesus está dizendo que se você não ama-lo acima de qualquer coisa não pode nem ser seu aluno, não pode seguir sua doutrina.

  Sempre me preocupou essa carência exagerada de Jesus/Deus na Bíblia.

Deus precisa desesperadamente ser amado!?

  Sei lá! Não combina com o que se espera de um Deus.
  A princípio um Deus é totalmente autossuficiente, não precisa de nada, ainda mais tão desesperadamente.

  “Sócrates ensinava filosofia voluntariamente e passava horas discutindo com os cidadãos de Atenas.
  Ele nunca cobrou por aulas.
  Ensinava em lugares públicos e argumentava com qualquer pessoa que o escutasse ou que se submetesse a suas perguntas.
  Sócrates acreditava que sua missão era procurar o conhecimento sobre a conduta correta, pela qual ele poderia guiar uma melhora intelectual e moral dos cidadãos de Atenas.”

  Para ser “discípulo” de Sócrates bastava ter vontade de aprender, ter amor a sabedoria.

  Claro que nossos professores precisam ganhar o seu sustento, mas acredito que os bons professores gostam de ensinar, principalmente se o aluno demonstra vontade de aprender.
  O professor não espera que você o ame acima de tudo, bom comportamento na sala de aula e vontade de aprender já é o suficiente.

  Um bom cozinheiro tem prazer em fazer uma comida bem feita, ter o salário é importante para seu sustento e quanto mais melhor, mas se o cidadão não gosta de cozinhar é difícil se estabelecer nessa profissão.

  Quero dizer que só a vontade de você seguir os ensinamentos de Jesus já devia lhe bastar, dinheiro de certo Deus não precisa então porque essa necessidade desesperada de ser amado!!
  Veja bem, Jesus (segundo a Bíblia) EXIGE seu amor senão não quer você nem perto dele.

 Eu tenho duas filhas e sou capaz de muita coisa por elas, mas sinceramente nunca esperei que elas me amassem acima de qualquer coisa.
  Não espero que minhas filhas gostem de mim mais que da mãe delas, mais que o futuro marido e filhos.
  Tenho o amor de filhas para um pai e é o que me basta.
  Entretanto já vi tanto filho mal agradecido e desobediente ...nem por isso seus pais deixaram de o ajudar “podendo ajudar”.
  Tem situações que realmente não tem jeito o filho entrou em uma encrenca tão grande que os pais não tem forças para socorre-lo.

  Acontece que “segundo os antigos” que escreveram a Bíblia, Deus é onipotente, pode tudo.
  Sei lá, Deus pode nos permitir inúmeras reencarnações mandando seus anjos para nos orientar, ajudar a nos tornarmos mais civilizados.
  Mas “civilizados” segundo a Bíblia é ama-lo e idolatra-lo dia e noite!
  O ápice da evolução é adorar incondicionalmente um “ser espiritual”?

  Se tudo que Deus quer é adoração porque não nos programou para isso?

  Os defensores do pensamento dos antigos dizem que é por uma questão de “livre arbítrio”.
  Mas aí tem o surrado exemplo do latrocínio.
  Alguém lhe aponta um revolver e diz:

  “O celular ou a vida.”

  Você tem o “livre arbítrio” para escolher 😄

 A “ideia de deus” dos antigos é ainda mais cruel, você ama a Deus incondicionalmente e acima de tudo ou ficará eternamente no inferno, um lugar de dor e sofrimento.
  Veja bem, biologicamente se alguém lhe dá um tiro, você morre e acaba tudo.
  No pensamento dos antigos você ficará eternamente num lugar de dor e ranger de dentes...
  Está ruim?

  Calma ... tudo vai ficar pior...

  O amor não é uma coisa que “decidimos sentir”, Deus mais que ninguém deveria saber disso.
  O criador deve conhecer sua criatura.

  Se Deus é tão passional quanto diz a Bíblia eu não consigo nem gostar dele, como posso ama-lo!?
  Se eu não conseguir ama-lo ele me mandará eternamente arder no fogo do inferno.
  Gostar, respeitar não são suficientes Deus quer que eu o ame acima de tudo.
  Deus poderia simplesmente aniquilar quem não conseguisse essa idolatria cega, mas ele prefere infantilmente deixar que o diabo fique torturando as pessoas por toda a eternidade.
  É muito difícil eu admirar um Deus que moralmente não chega aos pés do meu amigo Sócrates e ...  eu não idolatro Sócrates.

  ATENÇÃO: Estou descrevendo o Deus que nos é apresentado no “livro sagrado” Bíblia, NÃO estou afirmando que Deus é assim.

  Comparando o que chegou até nós sobre Sócrates e o que chegou até nós sobre Deus eu admiro e respeito muito mais Sócrates.
  Todas essas passagens bíblicas que Deus ou Jesus precisam desesperadamente de nosso amor eu considero no mínimo ESTRANHAS.

  Na “minha opinião” como deveria a passagem em destaque, que tipo de mensagem eu admiraria se Jesus tivesse proferido?


  “Alguém que quer ser meu discípulo a primeira lição é tratar bem seu pai, sua mãe, filhos, esposa, esposo, irmãos, cuidar bem do seu corpo e da sua mente”

  Notem que Deus não estaria impondo uma condição para você ser seu aluno, a vontade de segui-lo é o suficiente, ele lhe propõe um treinamento, uma preparação, um DESENVOLVIMENTO.

  Um dos grandes problemas da Filosofia apresentada na Bíblia é  complexo expor, vou tentar:
  Tem dois extremos sempre exaltados.

Amar a Deus < ------ [--------amor próprio--------] ------- > Amar o inimigo

  Entre os colchetes está o “se amar”, esta “SEU AMOR PRÓPRIO” e este praticamente não está presente na Filosofia apresentada na Bíblia.
  O Fascinante é que é um reflexo de nossa filosofia social.
  Deus é tudo de bom nunca é responsabilizado por nada do mal que acontece.
  No sentimos “culpados” se não amamos nossos “inimigos” ... menores infratores, marginais, invasores de terra, drogados, pessoas irresponsáveis financeiramente.

  Na área criminal garantimos todos os direitos do bandido.
  A morte da vítima e todo dano a seus familiares e amigos... foi a vontade do “bondoso” Deus, cada um tem sua hora e aquele tiro ocorrido no assalto foi a hora da vítima!!

  Um Filosofo não ignora os extremos, mas se atem aos meios.
[William Robson]

  Como alertei, esse pensamento é muito complexo.
  Não devemos ignorar o “radicalismo”, por vezes precisamos tomar decisões extremas para o bem ou para o mal.
  Mas nossa prioridade, nossa busca, deve ser o bom senso, o equilíbrio.
  Nós devemos primeiro NOS AMAR.
  Mas não sempre acima de tudo e de todos.
  Para ajudar outros preciso me ajudar primeiro.
  Se eu não tenho 100 reais ... não tenho como dar 100 reais a alguém.
  Se eu só tenho 100 reais, porque dar tudo a alguém e eu ficar em dificuldades!?
  Entre 0 e 100 há infinitas possibilidades, nos guiemos pela razão sem ignorar a emoção.




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Saindo do micro e indo para o macro.
Saindo do subjetivo e indo para o objetivo.
Esse texto é interessante: 

  “Esta caridade excessiva e mal direcionada da ONU acaba com a possibilidade destes países evoluírem como aconteceu com a própria Europa, impede o surgimento de uma classe média de agricultores, comerciantes e industriais.”





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