segunda-feira, 23 de julho de 2012

Filosofia Inútil

  “É verdade que não podemos encontrar a pedra filosofal, mas é bom que ela seja procurada; procurando-a, descobrem-se muitos bons segredos que se não procuravam.” [Fontenelle]

  Não gostam de Filosofia porque dizem que é um falar, falar sem chegar a conclusão definitiva sobre nada.

  Peguemos qualquer assunto sexo, amor, violência, economia, educação... por mais que filosofemos sempre há mais coisas para ponderar e as opiniões são as mais diversas.

  Confesso que não entendo porque as pessoas esperam respostas definitivas da FILOSOFIA se nem a ciência e a religião apresentam satisfatoriamente esse tipo reposta.
  Me responda cientificamente o que é o amor?
  Me responda religiosamente o que é o amor?

  A vida não é exata e sempre fica uma ou várias pontas soltas.

  Sabem de uma coisa, um cobertor mesmo com pontas soltas, não estando nas melhores condições, é capaz de nos aquecer, nos proteger do frio.
  Dependendo do clima este cobertor esfarrapado pode ser a diferença entre a vida e a morte; uma noite fria suportável ou muito sofrimento, pergunte a qualquer sem teto.
  Vamos a um exemplo conceitual para não ficarmos pensando, pensando sem concluir nada.

  O amor acontece várias vezes na vida da pessoa.

  É, estou afirmando.
  Como deduzimos isto?

  Observando namoros que acabam, casamentos que acabam, as pessoas continuam a viver e se apaixonam novamente.
  Se você tem uma certa idade deve se lembrar daquele grande amor da quinta série que parecia insubstituível até que apareceu outro no colegial.
  Vários fatores interferem no número de amor que teremos.
  O amor nos leva a uma relação fechada e estável e quando somos jovens gostamos da experimentação.
  Como ter certeza que estamos com a pessoa “certa” se nunca estivemos com outra pessoa?
  Raras vezes o “primeiro amor” resiste a tanta tentação.

  Quem é a pessoa certa?
  Aquela que nos faz resistir a novas experimentações?

  “Os casamentos no Brasil duram, em média, 15 anos.
  Em média, os homens têm 42 anos quando se divorciam.
  As mulheres têm, em média, 39 anos quando encerram um casamento.” [Terra]

  Se considerarmos que entre que os que superam esses dados estatísticos em algum momento há uma “experimentação” extra conjugal o conceito de “pessoa certa” fica restrito a uma porcentagem mínima difícil de ser localizada se pesquisarmos a fundo a vida de qualquer casal.
  Em nome de um bem maior que é a família muitos calculam o “custo/benefício” e preferem encerrar as “experimentações”, até porque fica fácil perceber que a “alma gêmea”, a “pessoa certa”, o “amor verdadeiro”...são sonhos de perfeição que não resistem a realidade.
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  Filosoficamente percebemos fácil que não juntaremos todas as pontas desse pensamento, não chegaremos a uma resposta definitiva, mas algo fascinante acontece nesse processo de meditação.
  Como em uma equação de segundo grau reduzimos todas as incertezas a duas possibilidades mais EFICIENTES.

1 - Podemos concluir que o fim de um amor não é o fim do mundo e se esperarmos um pouco e nos mantivermos abertos outro amor surgirá.
  Esse cobertor esfarrapado, essa resposta parcial, pode nos proteger do frio pensamento que não podemos viver sem alguém e que nunca mais voltaremos a sorrir depois que um amor se for.
  Essa descoberta que a Filosofia nos trouxe faz toda a diferença quando estivermos com o coração partido querendo desistir de tudo, querendo matar ou morrer.

2 – Podemos perceber que estamos em uma relação boa e que buscar uma relação ótima é só ilusão.
  Corações não precisam ser partidos, sua relação com uma pessoa não tem como ser perfeita porque relações perfeitas não existem.
  Os sonhadores vivem varias e “ótimas” paixões... o ótimo, a felicidade acontecem em breves momentos, não são feitos para durar.
  Os realistas vivem bons casamentos duradouros.

  O que é certo? O que é errado?
  Se você busca a Pedra Filosofal, a solução definitiva para todos os seus problemas... a Filosofia tem muito pouco a lhe oferecer é melhor procurar uma religião e viver de ilusão, inventar uma realidade.
  Um Filosofo tem que pensar grande, buscar desvendar os enigmas do Céu e da Terra, mas se faltar sensibilidade para observar as pequenas soluções [deduções] que ficam pelo caminho tudo não passará de um meditar, meditar sem melhorar em nada sua vida.

    Se a Filosofia não serve para melhorar sua vida e das pessoas a sua volta... não serve para NADA!


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