sábado, 7 de julho de 2012

EU TE LIBERTO!

  “É "de esquerda" ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto “direitistas” defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado.” [Luís Fernando Veríssimo]

  A base de minha Filosofia não são as ideologias, sou um Livre Pensador.

 Sempre quando encontro uma criança muito deficiente, tipo distrofia muscular severa, me dá uma dor que poucos conseguem imaginar.
  Parte do meu pânico em sair de casa vem dessa inconformidade com certas situações.
  Tem um seriado que é meio exagerado em relação a minha pessoa, mas dá uma ideia do que sinto, passa na Record chama “Monk”.
  Um copo que é para estar na cozinha não pode estar na mesa da sala.
  Toda sala está em ordem, mas eu não consigo desviar a atenção do copo, o copo não está onde deveria estar, pior, esta onde não deveria estar.
  Não, eu não deixo isso evoluir para uma paranóia total, usando certos processos eu consigo me desligar do que não está fazendo sentido, mas o gasto de energia nem sempre compensa então pego o copo e levo para a cozinha.
  Um papel amassado não pode ficar perto do computador, me incomoda muito, mas as vezes eu deixo, preciso exercitar esse autocontrole que é muito necessário para eu quando estou fora de casa.

  Uma criança nascer deficiente não faz sentido físico ou espiritual e sua deficiência não é como um copo que eu possa mudar de lugar.
  Na minha mente é diferente se a criança desenvolve a doença depois de algum tempo.
  Eu comprar um carro zero e ele desgastar com o tempo é normal, faz sentido, mas compra-lo quebrado não faz.
  Nunca entendi estas pessoas que compram roupas novas com aparência de usadas.
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  Imagine ser enterrado e por algum motivo torpe ou “nobre” você fosse mantido vivo.

  Água, comida e oxigênio em porções apenas o suficientes para continuar vivo enterrado. 
  Esse calvário pode durar por anos a fio e ninguém tem permissão para te libertar.

  Quando olho para uma pessoa totalmente dependente de outras sem condições nem de se locomover por conta própria, por vezes nem de respirar sem a ajuda de maquinas eu vejo uma alma presa, em uma prisão que não desejaria para o pior dos meus inimigos, uma alma enterrada viva em um corpo de carne.

  Como um Filosofo partidário do Liberalismo eu medito profundamente sobre qualquer situação em que o Estado se acha o único capaz de decidir pelo individuo

  Considero uma intromissão indevida o Estado determinar quantos filhos um casal deve ter embora eu defenda punições para pais irresponsáveis.
  Se um casal decide ter 10 filhos e apresenta condições aceitáveis de cria-los, não vejo grande problema, é um direito deles, agora se querem ter filhos para a Sociedade cuidar a situação fica bem diferente.
  Da mesma forma acho uma intromissão indevida [exagerada] o que acontecia em Esparta e acontece em muitas tribos indígenas.
  Hoje em dia temos uma medicina avançada que permite que muitas doenças terríveis sejam detectadas no período de gestação, nossa tecnologia deveria avançar ainda mais nesses diagnósticos.
  Se nossa ciência consegue avisar os pais que o feto é um anencéfalo eles tem direito a essa informação.
  Os pais diante dessa informação devem buscar conhecer como é a vida de uma criança que nasce assim, se é isto mesmo que eles querem para eles e para criança.

  Observem que não estou incentivando ou propondo o extermínio de corpos defeituosos estou defendendo o direito dos pais de pouparem a criança e se pouparem de tanto sofrimento.

  Entendam que o padre, o pastor, o vizinho... irão falar que tudo é muito lindo, que a vida vale a pena de qualquer jeito, afinal eles só precisam falar frases bonitas.
  Você terá que praticamente deixar de viver para viver a vida do deficiente e qual a vida do deficiente?
  Uma estadia sem fim em vários hospitais, sem poder correr, brincar, sendo um peso constante dia e noite, precisando de ajuda até para ir ao banheiro, algo simples como tomar banho é uma operação de guerra.
  Se isso é difícil com uma criança que pesa 3 quilos imagine quando ela estiver com 30 quilos.

  Na teoria toda vida é um maravilhoso presente de Deus, mas na pratica poucas pessoas suportam, casamentos são desfeitos, brigas familiares acontecem, o peso acaba ficando nas costas de algum abnegado.
  Sim, tem pessoas que falam maravilhas sobre ter uma criança deficiente, elas realmente gostam da situação...não tenho muito a dizer sobre isso gosto é gosto, mas mesmo essas pessoas não pedem ou querem que nasça uma criança deficiente em sua família.
  Nasceu, elas cuidam com prazer, mas não é algum tipo de sonho realizado para elas.

  Em geral dizer que a deficiência é linda é muita hipocrisia porque nunca vi ninguém que pedisse a Deus um filho que não fosse saudável, então como uma situação pode ser linda se ninguém quer para si?!

  É senhoras e senhores, se eu fosse médico faria todos os testes possíveis para garantir que o bebe nasceria saudável, que uma alma viria ao mundo em condições aceitáveis de ter uma vida digna.
  Se detectasse qualquer problema que não pudesse ser corrigido avisaria os pais a respeito da deficiência e de todas as suas consequências.
  Se o casal decidisse que para o bem daquela alma e deles próprios a gravidez devesse ser interrompida eu interromperia sem culpa nenhuma e pensaria:

  Desventurada alma, dessa prisão física... EU TE LIBERTO!


    Volte em outro momento, outra condição.



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