domingo, 17 de junho de 2012

Participação nos Lucros

  “Nós temos um sistema (político) que aumenta impostos sobre o trabalho e subsidia o não-trabalho.”  
[Milton Friedman]


  Sei que muitos me acharão um grande babaca no decorrer desse texto, mas tentem pensar em argumentações lógicas ao invés de ficarem ruminando emoções.

  Pense na seguinte situação hipotética:

  Você ganha 1 mil reais e produz 2 carros por dia.
  Um alemão ganha 3 mil reais e produz 6 carros por dia.
  Os sindicatos te induzem a acreditar que o alemão produz 3 vezes mais porque ganha 3 vezes mais que você.
  Se isso matematicamente fosse verdade bastaria aumentar seu salário para 3 mil e automaticamente você passaria a produzir os mesmos 6 carros que os alemães, certo?
  NÃO.
  O mais provável é que mesmo ganhando 3 mil reais você continuaria produzindo os mesmos 2 carros.
  Culpa sua?
  Em parte pode ser, você não é aquele funcionário antenado, bom para operar as maquinas e interessado em melhorar processos.
  Isso pode ser falta de vontade, um péssimo preparo escolar ou até mesmo as duas coisas somadas em diferentes proporções.

  No entanto o cálculo do custo dos produtos é bem mais complexo que pagamento de salários, seu rendimento mensal é só um dente da engrenagem que determina o preço final do produto.

  No caso do Brasil, por exemplo, você recebe 1000 reais, mas custa a empresa cerca de 2000 reais, são encargos trabalhistas.

  Se as estradas são ruins, os pedágios são caros, os portos são ineficientes, o IPI é alto, o ICMS é alto, o IR é alto...tudo isto influi no custo do produto.

  Se o Governo acrescenta um CPMF isso encarece todos os produtos, se a água ou a energia elétrica custa caro encarece o produto, se os combustíveis são caros encarece o produto, se a empresa é obrigada a manter uma grande burocracia para cálculo dos impostos encarece o produto.

  Se a população não tem bom poder aquisitivo as vendas são em menor quantidade, a empresa perde em ganho de escala.

  Seria bem chato entrar em detalhes, mas perceba que você não ganha menos que o alemão por uma perversidade econômica, um “sistema” demoníaco.

  Os sindicatos lutam para baixar a carga horária e não propõe nada para aumentar a produtividade, economicamente isso é um tiro no pé.

  Diminuir as horas trabalhadas tem que vir a reboque de um aumento de produtividade, senão nossa economia fica pouco competitiva, empresas e empregos se instalam em outros países que ofereçam melhores condições para produzir.

  Vejam o caso dos bancários, nossos bancos com seus caixas eletrônicos aumentaram muito sua produtividade, comparado com outros países do mundo nosso sistema bancário é de grande competência e qualidade, logo a classe dos bancários podem ter uma carga horária menor.
  A eficiência que encontramos no setor Bancário não se repete em todos os outros setores da economia, situações diferentes pedem soluções diferentes, então deveríamos ter leis bem flexíveis de acordo com o setor analisado.

  Como já escrevi várias vezes uma coisa muito boa que o Governo FHC deixou foi a regulamentação do PLR, esse instrumento seria muito melhor para distribuição de renda que o Bolsa Família, não estou dizendo para acabar com o Bolsa Família, estou dizendo que o PLR é mais eficiente para a distribuição de renda, deveria ser prioridade do Governo e das Empresas. 

  Com uma distribuição justa do PLR os bancários teriam bons e merecidos vencimentos [Meritocracia].
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  Um país do nosso tamanho e com tanta diversidade teria que ter leis trabalhistas mais flexíveis. 

  Não dá para você tratar o dono do JL [mercadinho aqui perto de casa] como se ele tivesse o poderio econômico de um Bradesco.
  Se a caixa do JL quer ter as mesmas condições de trabalho de uma caixa do Bradesco que tente entrar no Bradesco.
  Enquanto não consegue isso, trabalhar no JL é melhor que ficar desempregada.
  É evidente que o JL tem que oferecer condições aceitáveis de trabalho, senão é melhor que feche as portas.

  Colocar no papel que todos devemos trabalhar 30 horas semanais é fácil, mas na Ciência Econômica cria uma situação insustentável para um país que quer se manter competitivo.

  Se o país não se mantém competitivo todos saem perdendo.
  Primeiro porque você não exporta.
  Porque o Chile vai comprar um Gol feito no Brasil se o produzido no México é mais barato e tem a mesma qualidade?

  Segundo porque importa mais.
  Se você pode comprar um brinquedo fabricado na China por 30 reais porque compraria um similar brasileiro que custa 50?
  Por patriotismo?

  Isso tudo reflete na quantidade de empregos e QUALIDADE dos empregos.

  Essa parte precisaria de um texto “a parte”, vou dar uma resumida.

  Eu trabalhava em uma fábrica de óculos e tive que aprender a fazer óculos...óbvio.
  Cheguei a ser encarregado e ganhava mais por toda minha experiência adquirida em fabricar armações de óculos.
  Mas chegou um momento que compensava mais trazer armações prontas da China/Coreia e revende-las.


  Percebem que toda minha experiência deixou de ter importância?
  As armações chegavam, era só conferir, embalar e mandar para nossos clientes.
  Qualquer pessoa com ensino fundamental, sem experiência nenhuma em fabricação de óculos pode fazer isso.
  E claro, você não vai pagar um grande salario por um funcionário que pode ser facilmente substituído por outro sem grandes consequências.
  A empresa que trabalhei nunca deixou de produzir armações...até fechar.

  Ela não tinha como competir com a pirataria legal e ilegal.

  A pirataria “legal” é aquela que a empresa terceiriza sua produção na China e apenas distribui o produto com sua marca no Brasil.
  Porque eu chamo de pirataria?
  Porque muitas delas se especializam em sonegar impostos de importação inclusive subornando funcionários da alfandega.
  Quem se lembra do caso Daslu entende o que estou dizendo.  

  Entenda que tudo isso prejudica aquela empresa que realmente fábrica no Brasil e desenvolve técnicos, funcionários que SABEM COMO FAZER.
  Eu saí do ramo de óculos porque minha experiência acumulada não me servia de nada.
  Algum chinês ou coreano que conheça muito bem fabricação de óculos pode viver disso no país deles, mas aqui no Brasil sobraram poucas fábricas.
  A rentabilidade delas vem das grifes, onde você pode cobrar mais caro.
  É evidente que as grifes só negociam com as empresas do topo.
  Pequenas empresas como a que eu trabalhava não conseguem bons contratos de representação e não tem como competir em preço com os produtos sem grife...
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  Todos sabem que não gosto de trabalhar, talvez você também não goste.

  Mas a Sociedade é uma grande engrenagem e cada um tem que fazer sua parte.

  Se você estiver em um setor eficiente ganhará mais sem trabalhar tanto, se estiver em um setor pouco eficiente terá que se preparar para torna-lo mais eficiente ou estar em condições de disputar vagas em um outro setor.

  Quando me perguntam se eu sou a favor da redução da carga horária eu pergunto em qual setor?
  Se a pessoa diz: “em todos os setores, pois nós brasileiros trabalhamos muito!”

  Eu digo que concordo e mudo de assunto ou saio de fininho, ninguém gosta de ciências e eu não gosto de jogar conversa fora, desperdiçar energia em assunto IMPRODUTIVO.




Comentário em 07/10/2009, Filosofia Matemática:

  Segundo informes oficiais o Bradesco em 2007 lucrou 8 bilhões e manteve uma média de 85 mil funcionários.
  Com apenas 10% da participação do lucro, cada um poderia levar para casa cerca de 9 mil reais.
  O que você faria hoje com 9 mil reais na sua conta?
  Viagem, reforma, complementava um carro novo, guardaria para abrir um futuro negócio, doaria a uma igreja, uma instituição de caridade, colocaria na poupança, um terreno no cemitério...

  Não importa, perceba que esse dinheiro retornaria a economia e proporcionaria mais empregos, mais lucros, mais qualidade de vida.

  Esse dinheiro que não foi para o bolso do funcionário Bradesco, está sendo guardado eletronicamente em algum lugar para ser usado algum dia para “aumentar o bolo”, ou fica mofando em um cofre para quem esse dinheiro é insignificante.

  Não sei como estão de grana, mas se minha empresa depositasse 9 mil na minha conta por conta dos resultados alcançados no ano passado eu seria um dos caras mais motivados do mundo, colocaria na carteira uma foto do meu patrão...
😄

  Veja que a participação É NO LUCRO, algo já efetivado, dinheiro já em caixa.
  Quanto mais empresas lucrativas, melhor para a população em geral, mais dinheiro na economia, mais dinheiro na educação e saúde independente até da esmola do governo.

  Até o Governo sairia no lucro pois cercar totalmente assalariados é a especialidade dele, já acompanhar movimentação de grandes fortunas pelo mundo a fora é um desafio e tanto.

  Uma lei que desse direito aos funcionários sobre 10% do lucro da Empresa sem ter o Governo como intermediário, dinheiro no bolso do trabalhador para ele gastar como bem entender.


  Não vejo uma lei dessa como algo tão complexo, basta a conscientização da maioria e o voto nas pessoas certas.

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