Tem uma pessoa
próxima que “aparentemente” não tem ambição nenhuma.
(A maioria de nós conhece pessoas assim, tente lembrar de alguma.)
Não tem conta em Banco, carteira assinada... mora onde dá.
Se seus biscates
não rendem o suficiente para dormir em um quarto ele dorme na rua. (Isso já
aconteceu)
Seus biscates são
de serviços braçais, ajudante de pedreiro ou pintor.
Não é um
“vagabundo” é uma pessoa que suporta trabalhar.
É honesto, nunca
fiquei sabendo de nada que o desabonasse no item honestidade.
O considero
alcoólatra, por vezes bebe até cair, cerveja e cachaça consomem todo dinheiro
que ele consegue. (Não usa drogas)
Até pouco tempo
atrás conseguia se manter sóbrio durante o serviço, mas isso já não é mais
observado.
Para dar uma
força minha esposa o contratou para um serviço de pintura, teve que
desistir, o trabalho estava demorando demais porque na maior parte do tempo estava
bêbado.
Como ele é
“praticamente” um parente não dá para dizer se sempre se comporta assim.
Talvez se estivesse trabalhando para outra pessoa seu comportamento seria melhor.
Sabem como é, tem pessoas que abusam da amizade.
Seu amigo pede
dinheiro emprestado a você, “em nome da amizade” nem se preocupa em pagar, com
alguém que ele não tenha tanta amizade paga o empréstimo.
Talvez ele tenha
sido mais irresponsável porque acreditava que em “nome da amizade” minha esposa
nunca o dispensaria.
Acontece que eu e
minha esposa separamos negócios de amizade.
Para não alongar
muito o texto vamos a questão que nos interessa.
Ele é “homem”, “branco”,
“hétero”, “paulista”, “bem alfabetizado”.
O exemplo dele é bom porque foge de todos aqueles tipos que a sociedade "psicologista" acredita
que temos “dividas históricas”, defende que temos que
resgatar “séculos de exclusão social”.
(Mulher, negro, gay, índio, nordestinos e de outras regiões pobres, analfabetos e pessoas de baixa escolaridade)
Nosso analisado
poderia arranjar um emprego qualquer, ter algum rendimento garantido no final
do mês, o que ele fizesse fora do trabalho seria problema dele ... desde que
não fosse algo criminoso.
Mesmo com um salário
baixo poderia morar em alguma pensão humilde.
Pra quem não liga
de dormir na rua ou em albergues, qualquer cantinho seria satisfatório ... claro,
isso usando a lógica, o
bom senso.
Entretanto nosso
analisado gosta de viver como vive, cada dia é um dia, sem grandes pressões ou
preocupação com o futuro.
“Deus
sabe o que faz e no final dá tudo certo.”
É irônico que o jeito do analisado viver é a “fórmula mágica” de muitos manuais de autoajuda...
Sei, você vai
dizer que ele bebe demais, mas os livros de autoajuda dizem que você deve
buscar o que lhe satisfaz?
A bebida o
satisfaz!
Ah! Mas os livros
de autoajuda dizem que você tem que ter disciplina.
Concordo, para
ter disciplina você tem que usar a Lógica, o Bom Senso, não pode se entregar
totalmente ao medo ou ao prazer.
Percebeu como
voltamos a “essência” da lógica/bom
senso?
BOM SENSO uns tem, outros não tem, muitos podem desenvolver, mas TEM QUE QUERER.
Nosso analisado não tem ambição?
Não da para afirmar isso, ele gosta de dinheiro, se ganhasse na loteria ficaria feliz da
vida; como a maioria dos hipócritas que criticam o acumulo da capital, mas querem
acumular capital.
Quando consegue
algum trabalho (é um bom pintor) não cobra barato não.
Acontece que não
noto nele ambição
suficiente para mantê-lo em uma vida “digamos” mais regrada.
Eu sou
preguiçoso, se pudesse não sairia de casa.
Mas eu AMBICIONO
CONFORTO, minha ambição é grande o suficiente para me tirar de casa, me fazer
trabalhar pelo menos com carteira assinada, ter um dinheiro certo no fim do
mês, para que eu possa “sem MEDO curtir o PRAZER de ficar em casa.”
Nosso analisado está
na casa dos 50 anos, a debilidade física começa aparecer mais intensamente
nessa fase, ainda mais para um indivíduo que vive cada dia sem se preocupar
muito com saúde/prevenção.
Não é difícil
prever o futuro do nosso analisado.
Enquanto tiver saúde
suficiente vai sobrevivendo.
E quando a saúde
o incapacitar?
Conseguindo
permanecer vivo será morador de rua, perambulando por albergues, se alimentando
da caridade das pessoas.
Não, o analisado
não teve uma infância terrivelmente sofrida.
Sua mãe morreu
cedo, seu pai se casou com outra, ele não aceitou, já tinha idade para sair de
casa e saiu.
Jovem, saudável,
bem alfabetizado poderia ter uma história comum a maioria de nós.
Classe média
baixa ou alta, nossa vida mediana longe da riqueza e igualmente longe da
miséria.
Porque essa vida
“sem lenço sem documento”?
É opção dele,
um gosto dele, temos que aceitar ou pelo menos respeitar.
Como entende muito bem de pintura e é
talentoso poderia ser um bem sucedido trabalhador autônomo, conheço tantos
assim que ganham muito mais que eu que não tenho talento algum.
Na situação inversa do nosso analisado temos aquelas pessoas que juntaram uma fortuna enorme, tem tudo do bom e do melhor e mesmo assim continuam a querer acumular riquezas, sem dar a devida atenção a necessidade de outras pessoas.
No entanto para
meditar sobre o Bolsa Escola/Família o tipo de indivíduo que nos interessa é a
média da população ao qual eu me enquadro e que somos a grande maioria.
Nossa ambição não é desmedida e nem insatisfatória.
Jairo: “No final pode até haver uma melhora no lado financeiro da vida dessas pessoas, mas a maioria vai sempre estar de certa forma dependente desses tipos de auxílios.
Ao invés de aprender a pescar fica esperando o peixe aparecer.”
William: Quero deixar
claro que:
SOU A FAVOR DO BOLSA ESCOLA, A
MISÉRIA É INADMISSÍVEL.
Observo que a
maioria das pessoas tendo ao menos o que comer irá atrás de uma
profissionalização melhor.
Sem contar que as
crianças não devem pagar com a fome o erro ou irresponsabilidade dos pais.
Quem desenhou
esse modelo de “renda mínima” foi o “capitalista” Milton Friedman.
Nunca entendi
tratarem Lula como o “pai do Bolsa Família”, ele apenas continuou com algo que
estava dando certo e batizou com outro nome uma vez que seu programa de governo
era o Fome Zero que não deu em nada.
O mérito de Lula
foi continuar o que FHC já tinha iniciado, estruturado e estava em plena execução.
Vejam a história
do programa:
“Bolsa Escola ou ainda bolsa-escola é um programa de transferência de renda com condicionalidades brasileiro.
Foi idealizado originalmente em proposta realizada por Cristovam Buarque enquanto reitor e professor da UnB no ano de 1986, cujo objetivo era pagar uma bolsa às famílias de jovens e crianças de baixa renda como estímulo para que essas frequentassem a escola regularmente.
Foi implantado em janeiro de 1995 em Campinas, seguindo a própria proposta de Cristovam Buarque, durante o governo do prefeito José Roberto Magalhães Teixeira / PSDB.
Posteriormente, com um diferença de apenas 5 dias, foi implantado em Brasília pelo Governo do Distrito Federal, então chefiado por Cristóvão Buarque / PT.
A lei de Campinas foi aprovada na Câmara Municipal em 6 de janeiro de 1995 e regulamentada em 18 de abril, quando os primeiros benefícios começaram a ser pagos.
Já em Brasília, o decreto foi assinado em 11 de janeiro de 1995 e os primeiros benefícios começaram a ser pagos em maio.
Finalmente, o Bolsa Escola federal foi implementado em 2001 pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Chegou a beneficiar mais de 5 milhões de famílias em todo o Brasil quando, em 2003, foi incorporado ao Programa Bolsa Família pelo presidente Lula.”
(Wikipédia)
O considero mais
eficiente que o Bolsa Escola, um complementa o outro.
O PT conseguiu
estragar o Bolsa Escola pelo excesso de populismo barato e baixa fiscalização.
Quanto ao PLR
... o PT não se interessou em aprimorar o programa, torna-lo mais efetivo ...
infelizmente.
Preferiu isenções
fiscais para frigoríficos, montadoras, empreiteiras, congelamento de preços da
Petrobras e Eletrobrás ... populismo barato que nos custa tão caro. 😢
Lembretes:
1 - Lula chama Bolsa Escola de "Bolsa Esmola".
Relembrar o passado recente é algo bem fácil e útil nos dias atuais:
YouTube - Link
2 - Ruth Cardoso foi precursora do Bolsa Família, diz acadêmico britânico:
Estadão - Link
✧✧✧
Resumo:
1. A natureza da ambição e a transição humana: Você inicia argumentando que a evolução da humanidade de coletores para agricultores trouxe desenvolvimento, mas também criou um contraste entre os que trabalham para produzir e aqueles que mantêm o desejo de "colher o que não plantaram". Você define que a ambição não é inerentemente má, mas sim o motor que tira o indivíduo da inércia.
2. O contraexemplo social através do "Analisado": Você utiliza o estudo de caso de um homem próximo — branco, hétero, paulista e alfabetizado — para contrapor a visão da "sociedade psicologista". O argumento é mostrar que a situação de vulnerabilidade ou a vida "sem lenço e sem documento" dele não decorre de "dívidas históricas" ou "exclusão social", mas sim de escolhas individuais, da falta de ambição para manter uma vida regrada e da ausência de bom senso ou disciplina.
3. A lógica do conforto e o medo versus o prazer: Você contrasta a falta de ambição do seu analisado com o seu próprio perfil. Ao se declarar "preguiçoso", você argumenta que a sua própria ambição por conforto é o que gera a disciplina necessária para fazê-lo trabalhar, buscar segurança financeira (carteira assinada) e, assim, poder desfrutar do prazer de ficar em casa sem medo do futuro.
4. Posicionamento favorável ao Bolsa Escola: Você deixa claro o seu apoio ao programa de transferência de renda, fundamentando seu argumento em critérios humanitários e práticos: a miséria é inadmissível, a maioria das pessoas busca se profissionalizar quando tem o que comer, e as crianças não devem ser penalizadas com a fome pelos erros ou irresponsabilidades dos pais.
5. Origem conceitual e autoria do programa: Você argumenta contra a narrativa comum de que o ex-presidente Lula seria o "pai" do Bolsa Família. Você esclarece que a matriz conceitual ("renda mínima") veio do economista capitalista Milton Friedman, que o projeto foi idealizado por Cristovam Buarque e implementado de forma pioneira em Campinas e Brasília, e que a sua consolidação federal ocorreu sob o governo de Fernando Henrique Cardoso, com papel ativo de Ruth Cardoso.
6. O mérito e o demérito das gestões seguintes: O seu argumento aponta que o mérito de Lula foi a continuidade e a unificação de uma estrutura que já estava em plena execução e dando certo no governo FHC. Por outro lado, você critica a condução posterior do PT, argumentando que o partido desgastou o Bolsa Escola por meio de "populismo barato" e baixa fiscalização.
7. Defesa do programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR): Você destaca a eficácia do programa de PLR, também gestado no governo FHC, classificando-o como uma ferramenta social e econômica excelente e até mais eficiente que o Bolsa Escola, funcionando de forma complementar. Você lamenta o fato de que esse programa tenha sido preterido em favor de isenções fiscais a grandes corporações e congelamento de preços.
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