terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Povo de Filósofos

  “Se fosse escolher um evento importante que catapultou o Cristianismo para ser uma tradição forte até nossos dias eu destacaria a conversão de Constantino.”

  

  Analisando a história contemporânea podemos dizer que o Iluminismo, que vou chamar de Livre Pensamento, começou por volta de 1700, estamos um pouco mais de 300 anos de seu surgimento.

   O Livre Pensamento/Iluminismo veio capengando por 300 anos, mas com resultados visíveis, ganhando adeptos, criando condição favorável.

  Acredito que vivo hoje um momento mágico da história da humanidade como a conversão de Constantino.

  O Livre Pensamento pode ser catapultado nessa geração para uma consolidação e virar uma tradição tão forte quanto são diversas religiões como islamismo, hinduísmo, cristianismo...
  O grande evento é a Internet.

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👨 “William, será que temos apenas a internet para comparar com Constantino, ou teremos/teríamos um nome de peso que esteja se convertendo ao Iluminismo?”
 [Comentarista no G+]
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  Que pergunta provocante, muito boa.
  Se pegarmos o Iluminismo/liberalismo teremos dificuldade em destacar um nome em especial.
  Bem diferente do socialismo/comunismo onde a figura central é Marx e lembramos fácil de Engels, Lenin, Stalin, Fidel, Mao, Guevara...

  O Livre Pensamento precisa de uma EVOLUÇÃO COLETIVA, não fundamentada apenas em um pensador ou pouquíssimos pensadores.

  Um enorme grupo de pessoas está evoluindo coletivamente no mundo inteiro, não surgirá um único pensador ou um grupo seleto.

  Vamos traçar um paralelo como ilustração mental.

  Quem inventou a lâmpada elétrica?
 Vem fácil em nossa mente Thomas Edison.

  Quem inventou o CD?
  Aí já complica.

  Percebe que nossa tecnologia faz tempo que inova na COLETIVIDADE, na COCOPERAÇÃO INTELECTUAL.

  O Iluminismo foi uma evolução coletiva com foco na Europa, o novo Iluminismo é uma evolução coletiva com foco Mundial.

  O Livre Pensamento por motivos óbvios dispensa a IDOLATRIA a um único homem, de um único pensador, de uma figura central.

  Livre Pensador, não procure um “nome de peso”, não busque mestres para adorar.
  Ninguém tem mais peso em sua vida que...VOCÊ MESMO!
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  Um dos momentos que eu mais aprecio na infância é quando a criança aprende a andar.

  Minha filha Ellen foi um pouco mais insegura, começou andando aos poucos.
  A Aléxia foi mais impetuosa, sua alegria ao conseguir ficar de pé e dar os primeiros passos nunca mais sairá da minha memória.
  Ela era muito doida, andava rápido e fazia uma volta de 180° não sei como não caía.
 No começo eu corria para socorre-la, ela dava aquele riso de satisfação como se dissesse: “não precisa pai”.

  

  Depois que as crianças aprendem a andar não gostavam muito de dar a mão.
  Sempre que eu vejo um pitoquinho correndo da mãe ou do pai me lembra uma cena tão familiar, tão bonita.
  Quando minhas filhas estavam com as perninhas cansadas estendiam os bracinhos pedindo colo.
  Isso durou o quanto pode, elas foram crescendo e foi ficando difícil carrega-las no colo.

  Acredito que todos nós queremos ser independentes, mas sempre com a proteção de nossos pais e quando estamos cansadinhos...que bom seria um colinho.

  Esse “padrão” começa na gravidez, fisicamente chega um momento que somos expelidos para fora do útero, um caminho sem volta.

  Fora do útero, fisicamente chega um momento que devido nosso crescimento não é mais possível sermos carregados no colo.

  Mentalmente a dinâmica é outra.
  Você pode não ir além das tradições passadas por seus pais pela vida toda.
(Não sair do útero)

  Você pode se ligar a uma ideologia ou religião e permanecer deitado nesse berço esplêndido até o fim da vida.
(Sempre ter o colinho de alguém pensando por você)

  Isso é bom ou mau?
  Depende muito, seus pais podem lhe passar uma tradição de racismo e isso é mau; seus pais podem lhe passar uma tradição de respeito ao próximo e isso é bom.

  Um Live Pensador não considera um pensamento como ruim apenas por ser uma tradição, ele analisa a TRADIÇÃO.
  Uma atitude/procedimento que foi útil no passado continua sendo importante?
  Lavar as mãos antes de comer continua sendo uma boa atitude, apedrejar adúlteros não.


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   “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.”
[Albert Einstein]

  Graças a Internet cada vez mais mentes serão confrontadas com novas ideias.
  O simples confronto não faz abrir uma mente, mas aumenta muito essa possibilidade.
  Uma vez a mente aberta é um caminho sem volta, ela vai querer pensar por conta própria porque isso é muito eficiente.

  No começo ela buscará um mestre, um “colo”.
  Acontece que a dinâmica do Livre Pensamento é diferente da dinâmica de seguir uma tradição, inevitavelmente uma hora você questionará seu mestre, seu ídolo, é quando sua mente ficará grande demais para qualquer colo, qualquer dogma.

Dogma Ponto fundamental e indiscutível de uma crença religiosa [ou ideologia].

  Veja o que o “mestre” Platão dizia sobre formas de Governo:
  
  “Em seu escrito A República, Platão descreve a maneira que se pode passar de um regime político a outro e classifica os regimes de governo em cinco formas:

1- O governo dos filósofos ou aristocracia que ele define como o governo dos mais capazes.
  Esse é para ele o regime perfeito pois corresponde ao ideal do filósofo-rei que reúne poder e sabedoria em uma só pessoa.

  Esse regime é seguido por quatro regimes imperfeitos.

2- A Timocracia, regime fundamentado sobre a honra.
3- Oligarquia, fundamentado sobre a riqueza.
4- Democracia que se fundamenta sobre a idéia de igualdade.
 5- Tirania que se funda no desejo do tirano e representa o fim da política porque nele são abolidas as leis.

  Eu posso simplesmente aceitar tudo que Platão propõe, afinal estamos falando de um dos maiores pensadores de todos os tempos.
  Ou posso pensar/meditar/analisar o pensamento exposto independente da importância de quem o emitiu.

  Talvez um dia eu analise cada item com vocês, mas hoje me limitarei a expor em linhas gerais o MEU pensamento e vocês perceberão que ele difere substancialmente da percepção de Platão.

  Não acredito em Governo perfeito ou ideal pelo simples fato da perfeição ser uma utopia [sonho impossível].
  Entendo os questionamentos de Platão sobre Democracia, só essa provocação daria para escrever uns 4 textos, mas entendam que a Democracia no tempo de Platão era algo muito experimental, uma nova ideia abrindo mentes.
  Não sou melhor que Platão apenas estou no “futuro dele”, vi resultados empíricos de muitas formas de governo.

  A Democracia tem muito mais qualidades que defeitos, defendo que a qualidade de vida está mais ligada a Cultura que um povo desenvolve.

  Observe que Platão propõe um governo de “grandes pensadores” é uma ideia bonita o problema é:

  Quem decidiria quais seriam esses “filósofos governantes”?

  Se tiramos a Democracia da equação esses governantes NÃO serão escolhidos pelo povo

  Marx foi um grande pensador, Benjamin Franklin foi um grande pensador.

  Marx e seus semelhantes idealizaram um tipo de governo, Franklin e “meus” semelhantes idealizaram outro.

  Eu defendo que qualquer Governo deve ter como objetivo principal maximizar a qualidade de vida do povo.
[Sobre bases sustentáveis]

  Não confundir com populismo que cria uma qualidade de vida momentânea seguido de um grande período de depressão econômica.

  Logo, quem deve decidir sobre a forma de governo é seu principal interessado a MAIORIA DO POVO.

  Esperar que toda a população se transforme em pensadores de excelente qualidade é uma utopia.

  Mas a facilidade aos debates e a informações possibilita que tenhamos muitos “pensadores”, pessoas que sabem analisar quem está no governo independente dele ser ocupado por um filosofo, engenheiro, agricultor... professor de sociologia ou dirigente sindical.

  Platão propõe um Governo de filósofos.
  Eu proponho um POVO DE FILÓSOFOS.

  



  Na Democracia a qualidade do governo está diretamente ligada a qualidade do povo, cada um tem que buscar ser mais eficiente.  
 “Culturalmente” ser estimulado a fazer melhor.

  Entenda que Você existe, o país é apenas uma “convenção”.

Convenção Ajuste entre partes interessadas; acordo; pacto entre partidos políticos beligerantes; costume admitido (nas relações sociais); reunião de pessoas para tratar de temas ou interesses comuns; congresso.

  “Não pergunte o que seu país pode fazer por você.
   Pergunte o que você pode fazer por seu país.”

[John Kennedy]



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