domingo, 19 de agosto de 2012

Estado Ateu

DEUS SEJA LOUVADO

  Essa frase está presente nas cédulas de dinheiro desde a década de 1980, quando o então presidente da República, José Sarney, católico praticante, solicitou ao Banco Central que ela fosse incluída na moeda do cruzado.

  “Como budista estou me sentindo ofendido! Buda não é deus, logo estou sendo excluído na frase. Cadê o estado laico!” [Anônimo/ Blog Paulo Lopes]
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  O Brasil não tem tradição Budista e não observo que a maioria da população se declare budista, mas caso isso acontecesse não vejo nada demais alguma homenagem na cédula de dinheiro referente a essa ideologia.

  Estado Laico é uma separação entre o Estado e a Igreja, não é uma separação do Estado e a crença em Deus.

  O comentarista não é proibido de praticar o Budismo, logo não é um “excluído”.
  Alguém que se declara budista não é impedido de votar, se candidatar, não está acima nem abaixo da lei.
  O budista se considera excluído porque não tem uma frase de sua ideologia na cédula de dinheiro?
  Como não caberia nas notas pelo menos uma frase de cada ideologia então uma solução lógica seria não colocar nenhuma.
  Acontece que aplicar a lógica nem sempre é tão fácil, nós humanos desenvolvemos naturalmente algo que chamamos de cultura.

  Cultura é um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que conferem sentido à vida dos seres humanos.

  Algo que dá sentido à vida de sua comunidade não necessariamente é o que dá sentido a outra comunidade/tribo.
  Jesus dá sentido à vida de um cristão.
  Maomé dá sentido à vida de um Islâmico.
  Buda dá sentido à vida de um budista.
  Hitler deu sentido à vida de Nazistas.
  Como Livre Pensador a Lógica dá sentido a minha vida, não tenho mestres ou lideres supremos.

  Interpretar a realidade seria bem mais fácil se tivéssemos resposta para o maior enigma de todos os tempos.

  De onde viemos, porque estamos aqui, para onde iremos?

  Como ninguém tem a resposta para esse enigma devemos respeitar a “cultura” da maioria, mesmo que ela não pareça lógica.
  Tradições visivelmente prejudiciais devem ser debatidas, mas as “inofensivas” ... “EU” não desperdiço energia com elas.

  Exemplo:
a)  Nossa sociedade é culturalmente contra a pena de morte então elege políticos que são contra a pena de morte, logo a pena de morte não acontece.
  Sou a favor da pena de morte por isso debato muito esse assunto, tento mudar a cultura/tradição.

 b) Nossa sociedade crê nas existência de Deus então elege políticos que mantém a frase “Deus seja Louvado” nas cédulas.
  Para eu é indiferente ter ou não ter a frase só não gosto que uma minoria queira ganhar no “grito”, no “tapetão”, desrespeitando as regras do jogo democrático.
  A vontade da maioria deve ser respeitada, a frase no dinheiro virou uma tradição inofensiva.

  “Está em Roma, aja como os Romanos.”

  Se não quer agir como os romanos ... tudo bem.
  Mas respeite suas leis ou não vá a Roma.
  E não queira impor sua cultura a eles.
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  Vamos ampliar essa meditação para o Governo/Estado.

  No funcionalismo público os cargos tem “personalidade”. 
  Nas empresas privadas também, mas no funcionalismo isso fica mais evidente, fácil de explicar.
  Existe o Presidente que é a pessoa que ocupa o cargo e a PRESIDÊNCIA que é o cargo em si.
  Os Presidentes passam, mas a Presidência permanece com suas atribuições.
  Exemplo:
  O Presidente pode ter sua opinião, mas no exercício da Presidência tem que respeitar a vontade da maioria e proteger de abusos a minoria.
  A Dilma pode ser a favor do aborto, mas ocupando a Presidência ela tem que manifestar a vontade da maioria que é contra o aborto e garantir ao mesmo tempo a liberdade de expressão da minoria até mesmo para tentar mudar a opinião da maioria.

  O Estado como entidade “divina” que vê tudo e sabe tudo nunca existiu.

  O Estado é a vontade do Ditador na Ditadura.
  O Estado é vontade do líder religioso na Teocracia.
  O Estado é a vontade predominante do povo na Democracia.

  O Estado Laico é a separação das leis jurídicas das leis dos livros sagrados.

   Leis sagradas e jurídicas podem até ser coincidentes, mas não dependentes.
  Não matar é uma lei jurídica que está presente doutrinariamente na maioria religiões.
  Eutanásia e Aborto são bem mais complexos.

  Vamos para os finalmentes.

  Se um ateu for Presidente ao ocupar a Presidência ele deve servir a vontade da maioria que acredita em Deus a não ser que acabar com os símbolos religiosos fosse sua plataforma de campanha e ele foi eleito pela maioria para isso.
  Neste caso ele poderia tirar todos os símbolos religiosos do Estado no entanto não poderia proibir as práticas religiosas pois estaria desrespeitando a liberdade de expressão da minoria.

  É exatamente o que acontece hoje, mantemos os símbolos religiosos porque nosso povo é religioso, a maioria é espiritualista.
  No entanto garantimos a liberdade de expressão dos ateus e de se organizarem como quiserem, nunca acima da lei, Constituição Federal e leis complementares.

  Um Estado Laico não pode ser comandado por uma Religião seja lá qual for, se é comandado por uma religião passa a ser um Estado Teocrático.

  Separar Estado de Igreja, não é mesma coisa que separar o Estado do “conceito” de Deus.

  O Estado Democrático é fruto da vontade da Sociedade, se a Sociedade acredita em Deus por consequência a Presidência também acredita e deve manter os símbolos.
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  Vejo os ateus querendo que Estado Laico seja sinônimo de Estado Ateu; Estado separado de Deus.

  Eles dizem abertamente que religiosos devem ficar em suas igrejas e lá, e somente lá professar a sua fé, desta maneira os ateus ocupariam a administração do Estado.
  Porque os religiosos fariam isso!?
  Ateus mesmo sendo minoria comandariam o Estado!?

  Oras, os religiosos podem administrar o Estado e os ateus podem professar a inexistência de Deus em seus Blogs e organizações, só e somente só nestes lugares.
  Percebem?
  Eu defendo que tanto ateus como religiosos devem participar do jogo político e se candidatarem aos poderes Legislativo e Executivo e quando ocuparem os cargos representem a vontade de seus eleitores.
  Se os ateus forem maioria podemos ter um Estado Laico que não reconhece o conceito de Deus, Estado separado de Deus.
  SINTA que é diferente de um Estado Ateu, porque um Estado Laico só pode existir com a DEMOCRACIA.

  Quando eu escrevo isto logo me falam da Inglaterra.
  A Monarquia ali é uma Tradição, a rainha não tem poder de fato, a Inglaterra é PARLAMENTARISTA, observe que isto reforça minha argumentação, o POVO inglês gosta dos símbolos da Monarquia e mesmo sendo um Estado Laico os mantém, é a vontade da maioria de seu povo.
  Mesmo que o Primeiro Ministro ache uma grande besteira tem que respeitar a vontade da maioria e garantir liberdade de expressão a minoria.

  Quando os religiosos são maioria temos o Estado Laico que reconhece o conceito de Deus, um Estado Laico unido a Deus, que é diferente de um Estado Teocrático.
                                      
  A China “foi” um Estado Ateu, não reconhece a existência de um Deus, e houve uma tentativa de acabar com as religiões, desrespeitava a vontade da minoria... se bem que neste caso me parece que desrespeitava a vontade da maioria, a vontade de acabar com Deus partiu de cima para baixo foi a vontade de um ditador, Mao Tse-tung e seu grupo de Comunistas.
   Não me lembro de nenhum país Liberal/Capitalista que tenha proibido a Religião.
   Hoje em dia na pratica a China desistiu de acabar com as religiões, respeita a existência dos religiosos, então podemos dizer que é um Estado separado do conceito Deus.
  Eu não diria Estado Laico porque lá não é uma Democracia, a China é um país difícil de definir, é um samba do crioulo doido...
  Na moeda da China [o yuan] não deve ter nenhuma citação religiosa e todos sabemos que a China ocupa o Tibet que é um país de maioria Budista.
  Quem é a favor de mandar nosso amigo Budista para o Tibet onde o dinheiro da China não tem frase religiosa?

  EEEUUUUUUUUUUUUU!

 “Um Estado ateu ou Estado ateísta é a rejeição de todas as formas de religião por um Estado em favor do ateísmo.
  Faz isso habitualmente através da supressão da liberdade de expressão e religiosa.
  Normalmente apenas os governos comunistas procuraram promover o ateísmo como uma lei pública, de acordo com a doutrina do materialismo dialético marxista.” [Wikipédia]

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