sábado, 11 de agosto de 2012

O Mal em Nós

  “O nosso arrependimento não é tanto um remorso do mal que cometemos, mas um temor daquilo que nos pode acontecer.” [Rochefoucauld]

  Quando eu tinha uns 5 anos aconteceu uma coisa que até hoje fica nítido em minha memória.

  Eu morava na Vila Boa Vista, minha irmã tinha uns 7 anos e nós brigávamos muito, ela era muito folgada [segundo a “minha” versão].
  Aquelas briguinhas de crianças, ela era mais forte que eu, não era inteligente enfrenta-la fisicamente.
  Minha irmã era cheia de graça, exemplo, ia tomar banho e não levava a toalha, falava para minha mãe levar e minha mãe mandava eu.
  Eram coisas bobas, mas eu tinha 5 anos e ficava muito irritado, se fosse uma vez ou outra tudo bem, mas era sempre.
  Ela sempre esquecia alguma coisa que eu tinha que terminar.
  Claro que minha irmã irá dizer que o folgado era eu, mas não acreditem nela...HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH!

  Eu era meio pestinha com minhas “experiências cientificas”, mas não me lembro de ser folgado com as pessoas, um dia nessas experiências coloquei fogo em um colchão, era um colchão de palha que estava no quintal, descobri que a palha mesmo estando aparentemente apagada fica queimando por dentro, minha mãe só não me queimou de surra por fora porque minha vó Timira estava lá para me proteger.
  Foi um acidente eu não merecia apanhar, mas por sorte não incendiei a casa.
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  O caso a ser contado é que tomávamos banho de bacia, minha mãe esquentava a água, colocava na bacia e amornava com água fria.
  Minha irmã estava tomando banho e gritou para minha mãe:
  “Mãaaee, a água tá muito fria traz mais água quente!”

  É evidente que minha mãe mandou eu fazer o serviço.
  Podem imaginar o que aconteceu.
  Muito irritado fui ao fogão e enchi uma caneca com água bem quente, fui até o banheiro e derramei nas costas da minha irmã, “eu tinha que dar uma lição a ela”.

  Foi tudo muito rápido, foi como se eu estivesse em transe, entorpecido pela raiva, não pensei nem por um segundo na consequência do meu ato.

  Só “despertei” quando vi minha irmã gritando de dor e vou contar para vocês a dor foi imensa em mim...
  Eu sabia que iria apanhar muito e achava que merecia cada cintada que recebesse.
  A surra não foi suficiente para apagar o mal que eu tinha feito, senti um remorso profundo.

  Nos meus 5 anos acreditei que o remorso, o arrependimento, fossem comum a todos nós, mas com o passar dos anos descobri que estava muito enganado.

  Muitos se arrependem das consequências que sofrem pelo mal praticado e não por praticar o mal em si.

  Se arrependem por serem descobertos e punidos, caso não sejam PUNIDOS não ligam nem de serem descobertos.
  A impunidade da violência impõe medo, as pessoas sabem que se não cederem a vontade do “bandido” poderão ser agredidas e a agressão ficará impune.

   Pessoas boas fazem o mal de vez em quando.
  Pessoas más fazem o bem de vez em quando.

  Há pessoas más que seriam menos perigosas se não tivessem nenhuma bondade. [Rochefoucauld]

  To be continued...
  Olhem a expressão dessa atriz, digna de um quadro tipo Mona Lisa.
  Ela cansou de ser boazinha, roubou e se deu bem, agora seria só alegria depois de uma confortável noite no hotel...
 
  Psicose foi um roteiro sensacional, uma mocinha “boa” que praticou um mal e em seguida foi atingida por um mal maior.
  Para um Livre Pensador é triste não encontrar mais bons roteiros.


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