segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Emoções Atenuadas

  “A ameaça do mais forte faz-me sempre passar para o lado do mais fraco.”
[François René]

  Abrimos mão da lógica em tantos momentos e com tanta facilidade que fica fácil entender porque nossa sociedade não é tão Civilizada quanto poderia ser.

  O instinto nos fornece fortes emoções e somos viciados em emoções, não seria exagerado dizer que a emoção é o alimento do espirito.
  O mais forte ganhar uma disputa contra o mais fraco é lógico, é esperado, não desperta uma forte emoção.
  Então instintivamente torcemos para o mais fraco.
  Se o forte vencer ficamos com a emoção atenuada de alegria ou tristeza, dependendo da situação.
  Se o mais fraco vence somos tomados por uma forte emoção que chega a euforia.
   Em se tratando de competições esportivas isso não traz maiores consequências, é só diversão.
  Quando a seleção brasileira de futebol perdeu para a mexicana a emoção dos mexicanos foi muito multiplicada porque teoricamente era a seleção mais fraca e aposto que a maior parte do mundo torcia pelo México.
  Para os brasileiros a decepção foi fortemente multiplicada porque perder para uma Argentina ou Alemanha seria uma probabilidade razoável, mas perder para o México causou além de tudo indignação.
  Percebam que para alegria de quem ganha ou tristeza de quem perde, uma “zebra” (resultado inesperado onde o fraco vence o forte) aumenta muito a emoção.
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  No dia a dia seguirmos esse instinto de darmos “razão” ao mais fraco ignorando a lógica provoca grandes injustiças, complica a vida.

 d) -  Quando a polícia pega o marginal ele fica todo humilde, cabeça baixa, “sim senhor e não senhor.”
  Enxergamos um homem “humilhado” diante do policial altivo e nos compadecemos da situação do marginal, queremos lhe proporcionar todas as formas possíveis e impossíveis de recuperação.

  c) - Se pudéssemos voltar a cena anterior a prisão, veríamos o indivíduo armado ameaçando uma motorista e roubando seu carro.
  O ladrão é forte diante da motorista e nos compadecemos da situação dela, desejamos tudo de ruim para o ladrão, ficamos com ódio, o achamos desprezível... (É, estamos falando daquele mesmo ladrão que instintivamente ficamos com dó quando foi preso pela polícia.)

  b) - Se voltarmos a cena anterior a motorista mudou de faixa e quase acertou um motociclista que estava andando entre os carros.
  Ficamos indignados com a motorista e seu poderoso carro, ela deveria prestar mais atenção ao frágil motociclista, mesmo ele tendo feito uma arriscada manobra entre carros, o motociclista é vítima apensa por ter um veículo mais fraco.

  a) - Se voltarmos a cena anterior veremos um pedestre atravessando fora da faixa de pedestre e quase sendo atingido pelo motociclista.
  Nem questionamos a posição do pedestre já olhamos feio para o “louco” motociclista e sua poderosa moto contra o indefeso pedestre.
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  Nos colocarmos do lado mais fraco “sem pensar” é uma brecha por onde muitas dificuldades e injustiças entram na nossa vida particular e em sociedade.

  O mais fraco nem sempre está certo e o mais forte nem sempre está errado.
  A Empresa não está sempre errada e o funcionário não está sempre certo.
  O cliente não está sempre com a razão.

  Pense muito bem antes de defender qualquer lado, na duvida aguarde os fatos, não tome partido.
  Claro em caso de briga devemos apartar ... se temos condições para isso.
  Imagine você e colegas linchando um cara que estava batendo em um mais fraco e depois descobrem que o indivíduo grande estava sendo assaltado e conseguiu dominar o marginal.
  Em caso de acidente procuramos ajudar.
  Imagine você espancando um motorista que atropelou o pedestre e depois descobre que o pedestre tentou o suicídio.

  Poderia contar muitas histórias antigas e atuais a respeito disso, me veio à mente uma:

  Depois de algum tempo trabalhando na Rodoviária eu conhecia alguns pedintes que eram figuras carimbadas, tinha um que contava histórias tristes e se a pessoa não se comovesse com a história ele ameaçava infecta-la com o vírus da AIDS, andava com gaze no braço com algo que parecia sangue.
  Ele abordou uma mulher de uns 30 anos e começou a conversar, eu abordei a mulher e expliquei a situação de que ele era pedinte profissional e as vezes ameaçava a vítima.
  A mulher nem deixou eu terminar de falar, me olhou um tanto indignada e disse que o rapaz estava conversando com ela na maior educação, quem estava sendo indiscreto era eu.
  Pedi desculpas e me afastei.
  Segui meu caminho e depois de uns 15 minutos, circulando pelo local, a mulher tentou fazer contato visual comigo e eu ignorei.
  Quando passei perto da mesa e ela percebeu que eu não lhe daria atenção levantou rapidamente e se protegeu atrás de mim, me pediu mil desculpas, disse que deveria ter me ouvido e que a livrasse do pedinte, eu só olhei feio para ele e ele entendeu que era melhor ir embora.
  A mulher tremia igual vara verde e me pediu para acompanha-la até um local seguro, eu permaneci em total silêncio, que adiantaria eu ficar falando “eu avisei”.
  Me deu vontade de dar um cascudo na cabeça dela, mas sabem como é, eu sou forte ela é fraca o errado sempre seria eu, mas falem a verdade, que dá vontade de dar um cascudo, ou deixar a pessoa se ferrar isso dá.
  Mais uma fase horrível da minha vida, uma entre tantas...

  Gostaria de dizer que tenho saudades de alguma fase do passado, mas tirando a juventude física tenho apenas bons momentos isolados, no geral não tem uma situação que eu gostaria de voltar, acho isso triste.
 Não gostaria de voltar a morar onde morei ou trabalhar em alguma antiga empresa.

  Fico alegre de estar nesse presente, uma vida tranquila, emoções atenuadas...gosto de emoções atenuadas, gosto da SERENIDADE.


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Que bom quando perdíamos só no futebol...

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