sábado, 29 de setembro de 2012

Ponto no Horizonte

  Perguntar alguma coisa a si mesmo e responder o mais sinceramente possível é o primeiro passo para o autoconhecimento.
[William Robson]

  Respondi isso quando me perguntaram como faço para buscar autoconhecimento. 
  Lembre-se que ninguém vai penetrar no seu pensamento, não precisa de máscaras de nenhum tipo, é só você com você mesmo.
 
  Me perguntaram também o que eu tenho contra o Cristianismo, se é algum trauma?

  Eu conheço várias outras doutrinas, mas em um país cristão eu consigo me fazer entender melhor falando de uma doutrina que todos conhecem.
  Se eu basear o texto de hoje em alguma mitologia grega eu gastaria metade dele explicando a mitologia, com o cristianismo não, todos conhecem as principais parábolas, as principais historias, fica muito mais fácil, mais eficiente a comunicação.
  Vamos a um exemplo:

  No Cristianismo você busca autoconhecimento?

  NÃO, você não busca autoconhecimento.
  Você busca conhecer a vontade de Deus através da Bíblia, quer ser a imitação aproximada de Jesus ou Paulo.

   “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;
  Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.”
  [1 Pedro 1:15,16]
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  O colega que me perguntou sobre autoconhecimento é Cristão, mas entrega marmita para fora em doutrinas “esotéricas” orientais.
  Ele busca autoconhecimento sentando em uma posição “confortável” [há controvérsias], recitando mantras pede auxilio de alguma entidade, fixa os olhos em um ponto no horizonte e busca não pensar em nada.
  Esta técnica não funciona comigo, eu simplesmente não consigo não pensar em nada e muito menos ficar muito tempo naquela posição confortável...
  Se eu olho um ponto no horizonte, eu penso sobre esse ponto no horizonte.

  Também não entendo como uma pessoa pode se conhecer evitando pensar!

  Vamos traçar um paralelo entre minha técnica e a dele.

  Eu me pergunto: Em que fase de minha vida gostaria de voltar se pudesse?
  Pulo de cara a infância, a situação financeira era ruim, meu pai e minha mãe brigavam feio, meu pai não chegava a ser um carrasco, mas era um tanto violento.
  A adolescência foi repleta de dificuldades, o financeiro continuou critico, caso grave de doença na família e outras coisas chatas.
  No geral a melhor fase de minha vida vivo nesse momento, esse é um autoconhecimento importante porque evita que eu tenha “saudades do que não aconteceu”.

  Felicidade não existe, mas muita gente carrega a ilusão que foi feliz no passado e essa ilusão a impede de enxergar que vive um bom momento no presente.

  Tá bom, nem todo passado foi insatisfatório como o meu, no próximo texto escreverei para quem teve um passado maravilhoso.
  Por enquanto medite sobre uma situação.
  Tenho uma colega viúva há muitos anos, o marido foi o grande amor de sua vida, de certo ela gostaria que o marido estivesse vivo, na mente dela a felicidade ficou em algum lugar do passado.
  Acontece que esse marido era muito mulherengo, tinha várias amantes e minha colega chegou a se indispor com algumas delas.
  Seu passado com o marido teve momentos felizes, mas não dá para dizer que foi um passado de felicidade, imagine você amando uma pessoa e ela te trai descaradamente como se fosse a coisa mais natural do mundo.
  No entanto toda a raiva que minha colega sentia no passado foi “sublimada em momentos bons”, é, mesmo a situação desconfortável da traição escancarada é tida como uma agradável lembrança, certa vez ela disse que não tem mais homem tão bom como foi seu marido. 
  Eu não disse nada, mas pensei será que ela nunca mais encontrou ninguém que a traísse descaradamente...

  Notem que acreditar que foi feliz no passado pode lhe dar uma ilusão que a Felicidade existe e você ficará triste tentando reconquistar algo que nunca teve.
  Você tem saudades do que nunca existiu, mas queria tanto que tivesse acontecido do jeito dos seus sonhos que “constrói esse pensamento”, inventa essa realidade paralela.
  Isso acontece porque:

   “A filosofia triunfa facilmente sobre os males passados e os futuros; mas os males presentes triunfam sobre ela.” [Rochefoucauld]

  Você sublima facilmente o passado, sublima facilmente o futuro, mas o presente...é osso.
  Talvez o presente não seja tão insatisfatório, você tem tantos momentos felizes quanto tinha antes, mas se acredita que a Felicidade existiu no passado e voltará existir no futuro, o presente não tem como competir com essa realidade inventada de suculentas carnes imaginarias e tudo fica osso.

  O autoconhecimento é importante para deixarmos nossa realidade tão boa quanto ela pode ser, vivermos bem no presente porque o passado não volta mais e o futuro é apenas uma promessa.
 Sempre vivemos no presente, essa lógica entra em sua mente?
  To be continued...


  Mas se você não gosta de pensar no presente, prefere sentar em uma posição confortável olhando um ponto no horizonte ... a vida é sua a estrague como quiser...




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