segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Tradições da Morte

 “Banalizamos tanto a vida que ela não tem mais valor.
  No último velório que compareci quase afastaram o defunto para assistir ao futebol!” [Xênia]

  Entendo o que Xênia quer dizer, mas se é “pecado” o extremo de preferir o jogo de futebol também acho “pecado” o extremo no caso da novela pantanal.
  [Na crônica que não está mais disponível, ela elogia um velório na novela Pantanal naqueles padrões antigos de corpo velado em casa e luto a perder de vista]

  A Xênia é daquelas pensadoras que não perde a oportunidade de dizer que vivemos a pior fase da história da humanidade:
 “-Olha que monstros nos tornamos! Oh!”

  Podemos olhar essa questão do “velório descontraído” por outro ângulo.

  É possível que estejamos mais “espiritualizados” e naturalmente um corpo sem vida não é mais idolatrado.

  O que deveríamos fazer?
  Para respeitar o corpo acabar com a captação de órgãos por exemplo?

  No caso dos “não espiritualizados” [Ateus] prestar reverencias a um cadáver fica ainda mais estranho.

  Nem toda morte nos choca.
  No caso de pessoa muito idosa ou com uma doença incurável a morte é algo que está sempre à espreita, é algo que deveria ser esperado por pessoas minimamente racionais.

  A morte que nos choca, causa mais comoção, é aquele fora da previsibilidade.
  Minha esposa quase morreu há alguns anos, realmente tivemos que nos preparar para a possibilidade da morte dela, uma morte tristíssima porque é uma pessoa jovem, mãe de crianças pequenas.
  Foi uma trombose um tanto estranha na perna, não deu para identificar “culpa” de ninguém, a morte faz parte da vida e devemos estar preparados o melhor possível para ela.

  Tudo fica muito diferente quando a pessoa é assassinada, por exemplo.
  Ao invés de ficarmos todos nos achando monstros por aceitar melhor a morte, deveríamos ser mais rigorosos com penas para os verdadeiros monstros que tiram a vida das pessoas.
  Reduzir a impunidade faria mais pela vida que palavras vazias ou velórios nababescos.
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  Vamos meditar mais sobre velório e morte.

  Quando eu era criança repeti várias vezes uma experiência que me intrigava muito.
  Tudo começou quando um dia de manhã notei uma caneca na varanda com água e muitas formigas mortas boiando, aparentemente elas haviam morrido afogadas.
  Joguei a água com formigas mortas em um cimentado e lavei a caneca.
  Depois de um tempo quando fui varrer a varanda notei que muitas formigas estavam voltando a vida!
  Descobri que inúmeros insetos são capazes dessa façanha.
  Em uma situação de extremo perigo e impotência os insetos entram em estado cataléptico, se passar o perigo e o corpo continuar integro eles voltam a vida.
  Este poder poderia ser um recurso apenas de seres pequenos, mas também ursos são capazes de hibernar por meses, um sono profundo bem semelhante a morte.
  Na maioria de nós humanos quando a “energia vital” se vai não tem mais jeito o corpo se decompõe rapidamente.
  No entanto, casos de catalepsia em humanos não são tão raros quanto pensamos, por conta disso no passado muita gente foi enterrada vida e horrivelmente acordaram dentro de um caixão, imaginem o sofrimento.
  Li uma matéria ainda na adolescência que me chocou bastante.
  Peritos em exumação de corpos ficaram impressionados com a quantidade de caixões que tinham marcas de unhas na parte interna do tampo e pela posição contorcida dos cadáveres.
  Tudo levava a deduzir que as pessoas acordavam dentro do caixão, tentavam desesperadamente sair e obviamente não conseguiam.
  Antigamente se as pessoas paravam de respirar e o coração parava de bater já eram dadas como mortas, demorou até a medicina descobrir que morrer de fato é bem mais complicado.
  Mas hoje em dia são feitos vários testes para saber se você realmente esta morto.
  No acontecimento da caneca cerca de metade das formigas realmente estavam mortas, não havia mais nada a fazer.
  Se você tem certeza que seu ente querido está realmente morto ... não há mais nada a fazer, ali na sua frente está apenas carne em decomposição.
  Se você não tem certeza, desconfia da medicina moderna ... não perca seu tempo orando, seja pragmático, coloque um celular no bolso do suposto defunto e se ele acordar dentro do caixão ele te liga.
  Se o celular permanecer desligado a bateria dura bastante, coloque crédito e use a operadora Vivo ...HAHAHAHAHAHAHAH!
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  Alguns povos como os egípcios chegaram ao ponto de mumificar corpos para serem usados quando seu proprietário voltasse.
  Mas pensem bem, por melhor que seja o trabalho de mumificação, com o passar do tempo os corpos ficam muito deformados, quem gostaria de voltar no corpo de uma múmia?

  Outras religiões dizem que nossos corpos serão reconstituídos.
  Mas como serão reconstituídos, com a idade de 10, 20, 30 anos?
  Serão reconstituídos na idade que escolhermos ou com a idade que morrermos?

  De qualquer forma não idolatro cadáveres, depois da morte deveriam ser rapidamente descartados. 
  Eu quero doar todos meus órgãos e ser cremado, tudo o mais rápido possível.

  Não vejo “respeito” em ficar fechado em um caixão e ser devorado por larvas. Isso é só uma tradição.

  “A tradição é a personalidade dos imbecis.” [Albert Einstein]

  Geralmente quanto estamos perto da morte nosso corpo está muito debilitado e dentro do caixão a aparência não fica melhor... uma triste imagem para ser guardada.
  Nossa morte, nossa passagem, deveria ser um momento para ser esquecido, só quero lembrar do que foi bom... sorrisos e momentos de alegria quando havia VIDA!

Terapia da Lógica adverte:


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