sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Formação Profissional (No Crime)

  “Ninguém deve ser elogiado pela sua bondade quando não tem força para ser mau.”
 [Rochefoucauld]

  Conhecer o mal me é muito útil, nada mais perigoso que um inimigo disfarçado de amigo.

  Ser capaz de fazer o mal é muito importante mesmo que esperemos que isso não aconteça.
  Se alguém tenta me agredir é interessante que eu tenha a capacidade de agredi-lo também.
  Inúmeras vezes a melhor defesa é o ataque.
  Já vi pessoas mesmo sacando primeiro o revolver serem baleadas por causa de um segundo de hesitação, o individuo anda com um revolver, mas não tem capacidade de atirar.

  Infelizmente nossos juízes não conhecem o mal e contam com o apoio da população:

  "Traficantes de drogas com menos de 18 anos só poderão ser internados depois que tiverem sido pegos ao menos três vezes cometendo crimes, decidiu o Superior Tribunal de Justiça.
  A corte seguiu à risca um artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e consolidou um entendimento da lei que, na prática: 1) ameaça despejar milhares de marginais precoces de volta às ruas e 2) aumenta exponencialmente as vantagens, para os traficantes, de recrutar adolescentes para o crime." [Gazeta]

  “Se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.”
 [Abraham Lincoln]
 
  Um homem bom no poder faz muitas coisas boas, o homem mau no poder faz coisas terríveis.
  O mais trágico nessa equação é que o poder corrompe pelos motivos que já expliquei.

  “Quanto mais poderoso você for maior será o assédio, maior será a tentação trazida pelo Universo.” [Cassino Universo]

  Um homem bom ao ganhar muito dinheiro ou ficar muito tempo no poder pode começar a se achar um deus, senhor de toda a verdade. Opiniões contrarias terão que ceder ou serem eliminadas.

  Se o poder pode transformar homens bons em maus o mesmo não acontece com homens maus, se um indivíduo é canalha o poder só aumentará sua canalhice, a probabilidade dele se transformar em um homem justo e bom ao adquirir poder são desprezíveis, só mesmo um milagre.

  Se a Filosofia orientasse nossas leis decisões como essa do STJ nunca seriam tomadas.

  Mas nossas leis são orientadas pela Psicologia então aberrações como essas acontecem.
  Um garoto com uma natureza boa não vai praticar o mal a não ser em situações extremas.
  O garoto que considera o crime uma opção já não tem uma boa índole.
  Quem concorda com Lincoln sabe que dar poder a esse garoto de índole dúbia só o fará desenvolver seu lado mais nefasto.
  Já para os Freudianos até os 18 anos a pessoa está com sua vontade própria em formação, logo, tudo que ela faz é influência do meio, ela não deve ser responsabilizada por seus atos, isso só ocorre “magicamente” quando ela faz 18 anos, em alguns casos 21.

  Se ao praticar o primeiro delito você não prende ou pune severamente um menor de idade automaticamente lhe confere um super poder no mundo do crime.

  Sabemos que um garoto só pode ter registro na carteira aos 16 anos e dos 16 aos 18 as empresas evitam contrata-lo por causa do serviço militar que se avizinha então dificultamos a possibilidade de trabalho legal para o garoto e conferimos um super poder para o trabalho ilegal.
  Se dos 14 aos 18 o rapaz ganha um bom dinheiro no mundo do crime e não é devidamente punido depois dos 18 isso já virou sua “formação profissional”, é um meio aceitável de ganhar a vida e ele não vai desistir dele.
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  É como essas invasões de terra que falei em texto recente.
  O sujeito fica na primeira semana e não é incomodado, até recebe apoio de igrejas, sindicatos e Governo, a vizinhança não os critica porque é “politicamente incorreto”
  Aquelas pessoas não surgiram do nada, de algum lugar elas vieram, em algum lugar elas moravam, se você acaba com o acampamento nas primeiras semanas elas voltam de onde vieram.
  Se você espera 1 ano os vínculos anteriores já foram desfeitos, agora ela realmente não tem para onde voltar, aquela casa no fundo que ela morava com os pais já foi alugada ou ocupada por parente, o barraco que ela morava na favela já tem outro morador...
  Depois de 2 anos surgiu um romance na invasão, casaram tiveram um filho.
  A situação precária não induz esse tipo de pessoa ao planejamento familiar, nascem mais filhos, depois de 3 anos as crianças só tem como referência de casa aquele local que elas nasceram, quero dizer que a invasão saiu de controle...
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  O argumento utilizado nessa decisão do STJ é sempre o mesmo:

 “Esses pequenos delinquentes em contato com grandes delinquentes ficarão piores.”

  A Filosofia sugere termos prisões destinadas a delinquentes perigosos e outras especializadas em pequenos infratores, mas a Psicologia prefere que deixemos as “criancinhas” soltas nas ruas.
  Nas ruas não há delinquentes perigosos, além do mais os pais que não evitaram o primeiro delito conseguirão evitar os próximos, basta dar mais amor e compreensão...
  Não me peçam para explicar, nunca consegui entender, a Psicologia faz pouco sentido para mim... mas o STJ confia nela cegamente, nessas horas eu gostaria que a “justiça” enxergasse alguma coisa...

 “A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo contra o errado.”
[Theodore Roosevelt]

  Deixar menores infratores livres não me parece certo.


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