“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Saiba eu com que te ocupas
e saberei
também no que poderás tornar-se.”
(Johann Goethe)
Procurar a Lógica nas situações
e agir de maneira sensata acaba nos isolando um pouco (ou muito).
Não deveria acontecer, mas acontece.
Para amenizar o
isolamento tento ignorar a insensatez, olhar para outro lado e seguir o meu
caminho.
Exemplo:
Você está andando
na calçada e tem um daqueles "presentinhos" dos cães.
O sensato seria
aquele inconveniente não estar ali, outra coisa sensata a fazer seria corrigir
o erro, eu mesmo recolher a sujeira e colocar no lixo.
Na primeira
situações eu não tenho controle.
O cão pertence a alguém e esse alguém deveria
ser responsável pelas ações de seu cão, mas não tenho como obrigar o
proprietário a ter essa CONSCIÊNCIA.
A segunda
situação iria me prejudicar bastante.
O que não falta é
sujeira de cães nas calçadas, passaria boa parte do meu tempo praticando uma
ação desagradável para reparar a falta de consciência dos outros.
A atitude mais
satisfatória é ficar atento para a insensatez, conseguir identifica-la de longe
o suficiente para não tropeçar nela e me contaminar, fora isso olho para outro
lado e sigo meu caminho.
Saindo do simples e indo para o
complexo...
Na primeira vez
eu estava em um supermercado e 3 policiais conversavam.
Duas mulheres
desviam seu caminho, eu pude ouvir o que comentaram.
"Não vamos ficar perto dos policiais, se eles forem
atacados algo pode acontecer conosco."
Vi isso acontecer
em outros lugares, me parece uma situação normal.
Eu mesmo ao
avistar um carro forte recolhendo ou descarregando dinheiro procuro ficar
afastado.
Primeiro porque
sei da tensão dos rapazes, não quero atrapalhar o trabalho deles, realmente um
homem do meu porte pode representar alguma ameaça.
Segundo porque em
uma ação rápida de bandidos eu posso ficar no fogo cruzado.
Se eu atesto que
querer ficar longe dos policiais é algo normal ... o que me incomoda então?
"Diz-me
com quem andas e eu lhe direi quem és."
Esse pensamento
deixa muito a desejar, mas sem dúvida é muito provocativo.
Não é por estar
com um amigo alcoólatra que eu sou alcoólatra, não é por ter um amigo pastor
que eu acredite que a Bíblia é 100% a palavra de Deus.
Mesmo eu tendo um
amigo alcoólatra dificilmente você irá me encontrar em um boteco ou bêbado
porque eu não sou alcoólatra.
Mesmo tendo amigo
pastor raramente você irá me encontrar em uma igreja porque não sou religioso.
E se eu estiver em companhia de marginais?
Pessoas
aparentemente boas e trabalhadoras ou jovens sem envolvimento com crimes
constantemente são vítimas em chacinas por estarem em má companhia.
“No chão de terra da Estrada Velha de
Valéria, um corpo amanheceu, ontem, coberto por uma lona.
A menos de 10 metros, outros quatro estavam
amontoados e cobertos com sacos de aniagem.
Os corpos tinham membros quebrados e
queimaduras.
Todos estavam com as mãos amarradas e tinham,
cada um, cerca de 20 perfurações de bala.”
(Correio 24 Horas)
Eu acho sensato se manter distante de uma
situação que pode te trazer algum prejuízo.
Manter uma certa distância
de agentes de segurança em serviço é algo prudente.
Mais sensato ainda é manter distância de pessoas
que optaram por uma vida de crimes.
É evidente que
esse texto não se trata de transformar a vítima em culpada, a utilidade dele está
em ser um ALERTA.
Você jovem tem
aquele querido amigo de infância, vocês viveram bons momentos, mas como
acontece com todo mundo vocês foram crescendo e seu amigo fez opções que uma
pessoa honesta e trabalhadora não faria.
“A chacina teve
início por volta da 1h de hoje, quando dois carros pretos, de placas não
identificadas, chegaram à residência com os algozes.
Armados, os bandidos arrombaram a porta da
casa e entraram efetuando os disparos, matando Márcio Varela Henrique, de 33
anos, João Manoel Henrique Pereira, de 22 anos e Ranchiel Henrique Pereira, de
18 anos. A companheira dele, Laryssa Roberta de Oliveira, de 16 anos, estava
grávida de dois meses e foi ferida na ação.
Ela chegou a ser atendida no hospital de João
Câmara, mas não resistiu e também morreu.”
Se você é íntimo
do indivíduo é quase impossível não ficar sabendo as escolhas que ele está
fazendo.
Sei que as Redes
Sociais estão cheias de mensagens idolatrando a “amizade verdadeira”, que amigo é aquele que está sempre do lado a qualquer hora,
em qualquer situação, mas muito cuidado com essas “frases bonitas” a REALIDADE
não liga para elas.
Se seu amigo está
fazendo opções muito diferente das suas, cada um caminha para um lado é natural
que o distanciamento comesse a acontecer.
Não complique as
coisas forçando uma situação que deveria ficar em algum lugar do passado, não
por sua vontade, mas porque a nova situação pode prejudicar sua vida.
Se seu amigo se transformou
naquele “presentinho de cães” do início do texto ... provavelmente o mais
sensato a fazer é seguir com sua a vida adiante e se manter distante.
Isso serve para as garotas, você se interessou por um rapaz
é quase inevitável saber como ele ganha a vida.
Vida de mulher de
bandido na maioria das vezes acaba sendo muito sofrida.
Pode ser
emocionante quando você é jovem e sem muito compromisso, mas os filhos vem, as
prisões vem, os acertos de conta vem, os pagamentos de propina vem, as mudanças
repentinas de endereço vem.
É o tipo de homem
que ele pode largar você, mas você não pode largar dele.
Para esse tipo de
homem matar e torturar é fácil, faz parte da rotina dele.
Mesmo que você
desista da relação, se ele não quiser o fim você só sai morta.
Você já sabe (Ou deveria saber) com
quem anda, agora tem que se perguntar:
Com
quem quer andar?
“Decifra-me ou te
Devoro!”
Recentemente um colega
me contou dramas de sua vida, dramas familiares, profissionais, financeiros,
relacionamentos afetivos.
Ele creditou tudo as más
companhias desde de a adolescência que o levaram entre outras coisas ao alcoolismo.
Eu ouvi com
atenção, senti que ele precisava daquele desabafo.
Mas a coisa
complicou quando ele me perguntou se amizades também prejudicaram minha vida.
Não gosto de
mentir, disse algo mais ou menos assim:
Desde a adolescência minha vida foi estudo e
trabalho, minhas amizades foram com pessoas trabalhadoras e/ou estudiosas.
Colegas que praticavam crimes, usavam drogas
ou bebiam muito foram ficando em outro mundo.
Veja esse caso, você é meu colega porque está
trabalhando, está sóbrio.
Dificilmente nos conheceríamos em algum
boteco porque EU não frequento botecos.
Meu colega
entendeu que ELE fez escolhas erradas, que bom que agora estava fazendo as
certas.
A vida coloca
centenas de pessoas em nosso caminho, você escolhe de quem vai ser mais próximo.
Se você gosta de encher a cara de
bebida ou seguir uma “carreira” de cocaína ... escolhe
com quem quer andar.
✧✧✧
Resumo:
1. Agir com lógica e sensatez tende a isolar a pessoa — Procurar lógica nas situações e agir de forma sensata acaba isolando (um pouco ou muito), o que não deveria ocorrer, mas ocorre na prática. Para lidar com isso, você opta por ignorar a insensatez alheia, olhar para outro lado e seguir seu caminho.
2. A estratégia sensata diante da insensatez é evitar contaminação, não consertá-la — Usando o exemplo do "presentinho" de cães na calçada: não se pode forçar consciência nos outros nem vale a pena gastar tempo e energia reparando erros alheios constantemente. O melhor é identificar a insensatez de longe, desviar-se para não tropeçar nela e seguir em frente.
3. Manter distância prudente de situações de risco é sensato, não covardia — Exemplos como se afastar de policiais em serviço (devido a possíveis ataques) ou de carros-fortes (para evitar fogo cruzado) são atitudes normais e prudentes. Isso se estende logicamente a se manter distante de pessoas envolvidas com crimes, pois a proximidade pode trazer prejuízos graves (físicos, emocionais ou fatais).
4. O ditado "diz-me com quem andas..." é provocativo, mas incompleto — Ele deixa a desejar porque companhia não define automaticamente quem se é (ex.: ter amigo alcoólatra não faz alguém alcoólatra; ter amigo pastor não torna religioso). No entanto, torna-se relevante e perigoso quando a companhia é de marginais ou criminosos, pois vítimas inocentes frequentemente morrem em chacinas por associação indireta.
5. O texto é um ALERTA, não uma culpabilização da vítima — Você enfatiza que não se trata de culpar quem foi vítima, mas de alertar sobre os riscos reais. Jovens com amigos de infância que tomam caminhos criminosos precisam reconhecer quando as escolhas divergem demais e aceitar o distanciamento natural, para proteger a própria vida.
6. Romantização da "amizade verdadeira" ignora a realidade — As frases bonitas das redes sociais sobre amizade incondicional ("sempre do lado, em qualquer situação") são perigosas porque a realidade não perdoa más companhias. Forçar proximidade com quem segue caminho oposto (crimes, drogas, etc.) pode destruir vidas — inclusive em relacionamentos afetivos, onde "mulher de bandido" enfrenta sofrimento contínuo (prisões, acertos de contas, violência inescapável).
7. Cada um escolhe com quem quer andar — e isso define o rumo da vida — Você reforça sua própria escolha desde a adolescência: priorizar estudo, trabalho e companhia de pessoas trabalhadoras/estudiosas, afastando-se naturalmente de quem opta por crimes, drogas ou alcoolismo excessivo. A vida apresenta muitas pessoas; cabe a cada um selecionar quem aproximar. Se alguém escolhe caminhos autodestrutivos, atrai companhias compatíveis — e colhe as consequências.
Esses pontos capturam a essência do seu raciocínio lógico, pragmático e preventivo: priorize autoproteção sensata, aceite distanciamentos inevitáveis e questione ativamente "com quem quero andar?", em vez de se deixar levar por idealizações sentimentais. Seu texto é um chamado realista à responsabilidade pessoal sobre as companhias.
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