sábado, 9 de fevereiro de 2013

LEI DO DEFENSOR

  A eutanásia, ou abreviação da vida quando há muito sofrimento e nenhuma chance de cura, é, para você:


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a) Um direito individual de escolha sobre o qual o estado nada deveria ter a opinar
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  Essa questão é muito confusa.
  Como já falei sobre Eutanásia em outros textos, vamos andar mais algumas casas além da virgula e para isso precisarei expor um pouco de Filosofia Complexa analisando profundamente certos conceitos.
  Esse tipo de texto obviamente não é para ler enquanto você toma café da manhã ou assiste TV ... leia quando tiver tempo, com a mente bem focada no que está escrito.
  Vem comigo, vamos flutuar onde são “fundamentadas” as leis.

  O Estado é um agente JURÍDICO ele não tem “opinião”, ele tem LEGISLAÇÃO.

  A legislação do Estado Brasileiro proíbe a Eutanásia.
  Tomem cuidado ao defenderem que a legislação é a opinião vigente ou dominante da Sociedade.
  Certa vez tentei defender essa argumentação em um comentário e logo percebi que não era consistente, a dialética liquidava com ela, desisti de publicar o comentário e fui para o escuro do meu quarto meditar profundamente.

1 – A LEI “PODE” ESTAR FUNDAMENTADA NA VONTADE DA MAIORIA.

  Exemplo: Todas as pesquisas apontam que a maioria do povo brasileiro é contra a pena de morte.
  Se você fizer uma enquete rápida entre seus conhecidos e amigos OBSERVARÁ que para maioria a pena de morte é inadmissível sob quaisquer circunstancias.
  Um político que quiser se eleger não pode defender a pena de morte, pois certamente perderá votos.
  O político fala o que o povo quer ouvir, o que lhe trouxer mais votos.
  A vida não é exata, quanto mais abrangente o poder do cargo, mais o político tem que fazer as promessas que o povo quer ouvir.
  Quero dizer que um Governador precisa de muitos votos, então defender algo que vá contra a vontade da maioria é um suicídio político.

  Um candidato a Presidência não deve defender a Eutanásia, se for pessoalmente a favor dela deve ficar em silêncio, mas se for pressionado deve dizer que é contra.

  No entanto um vereador ou deputado pode se eleger apoiado por um pequeno nicho.
  Vinte por cento de uma cidade pode ser a favor de expulsão sumaria de mendigos que não sejam natural dela [só um exemplo] um candidato a vereador que defenda essa tese pode se eleger com esses 20% de votos mesmo propondo uma idéia que desagrada 80% da população.

2 – A LEI PODE SER FUNDAMENTADA TECNICAMENTE, CIENTIFICAMENTE.

  Ela é aplicada mesmo que vá contra a vontade da maioria ou contra a “percepção” da maioria.
  Exemplo: Estudos comprovam que falar ao celular enquanto dirigimos desvia muito nossa atenção, logo, tem uma lei que proíbe seu uso enquanto dirigimos.
  Acontece que na pratica a maioria não acha tão perigoso, a maioria não tem essa percepção, então se não tem um agente de transito por perto o cidadão não respeita a lei.


3 – Tem esse terceiro tipo de fundamentação da lei que é muito interessante, eu não tenho um nome para ela [aqui no Abismo faltam palavras] vou chamar de LEI DO DEFENSOR.

  Ela pode ou não obedecer normas técnicas, ela pode satisfazer ou não a vontade da maioria... então o que a caracteriza?

  A capacidade ARGUMENTATIVA ou de COAÇÃO de seu defensor ou do grupo que o apoia.

  Exemplo: Você que sempre morou na Cidade tem uma vaga noção do que é mata ciliar ou nem imagina o que significa isso.
  Logo, não é um assunto “apaixonante” que vai tirar ou acrescentar votos a um político.
  Tecnicamente é um assunto bem subjetivo.
  Se estabelecermos 10 metros de mata ciliar estaremos favorecendo a agricultura, precisamos da agricultura.
  Se estabelecermos 20 metros de mata ciliar estaremos favorecendo a preservação do meio ambiente, precisamos preservar o meio ambiente.
  O defensor dos 10 metros pode ter uma capacidade argumentativa melhor que o defensor dos 20 metros, então é aprovada a lei dos 10 metros.

  Entendam a Filosofia Complexa de que o melhor argumento “apresentado” pode não ser a resposta mais satisfatória.

  O fato de seu oponente não ter pensado em uma argumentação mais eficiente não quer dizer que ela não exista, entendam que isso está diretamente ligado ao conhecimento do assunto e capacidade intelectual do defensor.
  Talvez o defensor dos 10 metros seja até um idiota, mas o defensor dos 20 metros é mais idiota que ele.
  Do jeito que é composto o Congresso Nacional essa situação é mais comum do que você pensa.

  A Lei do Defensor pode ser aprovada por outros meios além dos argumentativos

  Coagir = Constranger, forçar pela lei ou pela violência.

  O defensor e/ou o grupo que o apoia pode ter uma grande capacidade de exercer “pressão” sobre quem irá votar.
  Um pastor ou padre pode dizer aos religiosos que confiam neles que se votarem em tal lei irão para o inferno.
  A chefe da milícia ou do tráfico pode dizer que quem não votar no político indicado sofrerá graves consequências.
  O ditador pode ameaçar o deputado discordante de prisão por um motivo “legal inventado”.
  O grupo que tem interesse na aprovação de uma lei pode oferecer muito dinheiro, facilidades ou cargos a quem votar a favor.

  Meditem sobre isso, vejam se concordam com o que foi exposto.

  Se você não entender essa dinâmica de formação das leis, você terá a ILUSÃO que a Lei é sempre fruto da VONTADE da maioria e não fará as PERGUNTAS certas a respeito delas.

  Em Filosofia é muito difícil encontrar uma resposta satisfatória se você não entende a pergunta.

  A qualidade da resposta está ligada a qualidade da pergunta.

  To be continued...




  SOFISMA é um argumento ou pergunta que procura induzir ao erro, apresentada com aparente lógica e sentido, mas com fundamentos contraditórios e/ou com a intenção de enganar.

  Um bom exemplo de sofisma é dizer que no Brasil ocorre um “feminicídio”.
  O Argumento que o sofista usa é:

  “Nesse ano foram assassinadas 5 mil mulheres um crescimento de 230% em relação a 30 anos atrás.”

    Com um “argumento poderoso” desse baseado em números você apoia uma lei mais rigorosa quando o homicídio for contra uma mulher.

  Mas e se eu fizer 3 boas perguntas?

1 - NESSE ANO QUANTOS HOMENS FORAM ASSASSINADOS?
  A resposta é que foram 47 mil.

2-   QUAL ERA A POPULAÇÃO NA DÉCADA DE 80?
  Cerca de 30 anos atrás nossa população era de 120 milhões hoje é mais de 200 milhões.

3 -  NÃO HOUVE UMA MUDANÇA SIGNIFICATIVA NO COMPORTAMENTO DA MULHER?
  Hoje em dia a mulher passa muito mais tempo na rua onde acontece boa parte dos assassinatos.
  O envolvimento de mulheres com tráfico de drogas aumentou bastante.

  Na “minha” opinião não existe um feminicídio (extermínio de mulheres) não tem porque criar uma lei especifica para o assassinato de mulheres.
  Temos que combater a impunidade, melhorar a qualidade das investigações, construir mais presídios por que há muita gente para prender.

  A QUEM INTERESSA CONVENCER AS PESSOAS QUE HÁ UM EXTERMÍNIO DE MULHERES OCORRENDO NO BRASIL?

  Mulheres são a maioria do eleitorado, qualquer político quer passar a impressão que tem um ligação especial com esse grande eleitorado, isso dá votos.
  O duro é que você gasta muito dinheiro em campanhas, aloca verbas desnecessárias, constrói prédios de utilidade questionável e nem arranha a raiz do problema.

  “A impunidade estraga esse país”.

  De que adianta penas mais longas se não há presídios!
  De que adianta leis mais rígidas se não há investigação!


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