quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Me Curar de Mim

A IMPORTÂNCIA DO BOM HUMOR NA TERCEIRA IDADE.

  “A velhice é comumente associada a uma fase de declínio, depressão, tristeza, falta de felicidade e perspectiva.
  O bom humor e o riso neste período podem “quebrar” com o movimento instalado e trazer, mesmo que por pouco tempo, uma nova ordem, lembrando ao idoso que há outros aspectos e que nem tudo está perdido.
  Seria extremamente insuportável para o indivíduo não vivenciar o senso de humor, isto possivelmente abriria portas para doenças.”



  Conheço e já conheci homens e mulheres idosos muito bem humorados, o bom humor é natural neles assim como a tristeza, uma certa melancolia é natural em outros.

  Vejo muitas pessoas piorando seu quadro geral na tentativa de ser o que a sociedade Freudiana idealizou para ela.

  A "psicologia" diz:

  Você tem que ser carinhoso, gostar de dar e receber carinho (físico)" se isto não esta acontecendo precisa de terapia e/ou remédios.

  Todos gostam de animais domésticos se você não curte cachorrinhos e gatinhos precisa de terapia e/ou remédios.

  Todos vivem em função de sua sexualidade (libido), se você perdeu interesse por sexo  precisa de terapia e/ou remédios.

  Todo ser humano precisa de desafios, só valoriza algo que sofreu para conquistar, se você não busca desafios precisa de terapia e/ou remédios.

[Não radicalize, são explanações genéricas para desenvolvermos essa meditação.]

  Se eu fosse "menos Filosofo" e "mais Freudiano" meu nível de estresse estaria nas alturas,.
  Viveria a base de drogas e buscando terapias que me "prometessem" a cura para eu deixar de ser eu mesmo.

    Cada pessoa é um ser único, insistir em ser cópia ou em caber num padrão proposto pela Psicologia quase nunca traz resultados satisfatórios.

  A tristeza é relativa, depende muito da percepção das pessoas.
  Muitos humoristas relatam que são tímidos, até um pouco deprimidos no cotidiano.
  No entanto as pessoas os percebem como sempre muito bem humorados.

  Indivíduos que meditam mais, buscam mais conhecimento, por não se empolgarem com qualquer coisa são percebidos como mal humorados e tristes (chatos).
  Sou naturalmente chato, pela percepção das pessoas, mas por vezes exageram minha condição.
  Adotei o "HAHAHAHAHAHA" ou o 😆 em meus textos porque cansei de escrever rindo, gargalhando mesmo e pessoas a minha volta acharem que eu estava revoltado, deprimido, angustiado, com o diabo no corpo a ponto de cometer suicídio.

  Se eu preferisse me adequar aos ditames da "normalidade psicológica" (chamo de Freudianismo) seria uma luta interior muito grande.
  Exteriormente me perceberiam mais sociável/alegre, mas eu sei que estaria desmoronando por dentro, possivelmente chorando copiosamente longe do olhar dos outros.
  Eu faria por obrigação social muitas coisas que não tenho vontade de fazer.

  Principalmente você que gosta muito de Psicologia deve estar ponderando que a filosofia produz pessoas incrivelmente chatas.
  Mas entenda que é sua percepção.
  Por eu não acompanhar o campeonato de futebol, a telenovela, não curtir baladas “você” pode me achar chato/triste ... no entanto essas coisas não me fazem falta, não prendem minha atenção.
  Eu me sentiria mais “triste/deslocado” fingindo que gosto de coisas só pra fazer parte de um grupo, um padrão de comportamento.

  Mas concordo/observo que há filósofos incrivelmente chatos ... na “minha” percepção.
  Para tornar isso mais inteligível vou reduzir ao minimo, usar uma comparação bem "linear" de dois tipos de pensadores.

1- Filósofos da Desgraça.
  Acreditam que tudo está perdido, o planeta nunca esteve tão ruim e só vai piorar, caminhamos para um inexorável fim.
  Temos que voltar urgentemente ao passado, voltar a nossas origens, a igreja dos primeiros séculos (para religiosos), a viver como índios (para menos religiosos).
  Precisamos depender menos da tecnologia, ser mais “humanos”.
  Não me peçam para explicar, não consigo entender.
  A principal vantagem de nós sapiens é nosso cérebro poderoso (em relação a outras espécies), a tecnologia é fruto dessa nossa característica, ser mais humano é usar menos tecnologia!?

2- Filósofos da Esperança.
  É meu caso.
  Observo que houve grandes avanços, o futuro pode ser ainda melhor se usarmos sabiamente nosso intelecto.
  Avanços tecnológico como a Internet nos permitem trocar mais velozmente idéias e informações.
  Precisamos nos dispor a esquecer velhas historinhas e buscar a melhor resposta, a ação mais eficiente para cada SITUAÇÃO.

  Um exemplo simples:
  Vou trabalhar de moto porque isso facilita muito minha vida.
  Sou dependente dessa tecnologia?
  Recentemente por problemas mecânicos fiquei 3 dias sem moto, foi horrível.
  Usar o carro desfalca minha esposa que busca minhas filhas na escola.
  Usei ônibus e foi cansativo, bastante tempo perdido.
  O taxi me custou caro.
  Ir a pé ... são 26 quilômetros para ir e voltar.
  Me sinto “mais humano” com a moto em bom funcionamento.

  Pessoas acham gente iguais a mim chatas ou tristes por não entenderem que ao adquirir conhecimento e experiência (em geral) faz com que fiquemos alguns degraus a frente no campo das emoções.

  Vou continuar usando a moto como ilustração.
  
  Um individuo que nunca teve moto e tem vontade de ter, ficaria feliz da vida em ganhar uma no sorteio.
  Claro que se eu ganhasse uma moto ficaria alegre, mas eu já tive e tenho moto, caso ganhasse não daria cambalhotas por conta disto ou de tanta euforia não dormiria a noite. 
  Não tenho espaço ou necessidade de ter duas motos precisaria vender uma delas.
  Percebe que o conhecimento/experimentação de ter moto me tornou "menos emocional" em relação a isso?

  Outro exemplo:

  O individuo fica maravilhado com uma passagem Bíblica.
  Eu já li tantas vezes a Bíblia, já me aprofundei tanto em alguns de seus textos que é muito difícil que eu sinta a mesma emoção de quem está vendo aquilo pela primeira vez e geralmente fora de um contexto, carente de conhecimento histórico.
  O cidadão fica emocionado com a pensamento: "Ame ao próximo como a si mesmo."
  Eu não me emociono porque sei que é um pensamento ineficiente.

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   Igualmente ineficiente é o conselho para melhorar seu humor na "terceira idade".

  Você acredita mesmo que depois de 60 anos  de humor mediano basta um conselho do médico para ficar com humor acima da média?

  Esta alem da nossa capacidade mudar certas predisposições "genéticas ou espirituais" (como preferir).
  Sou introspectivo desde que me reconheço por gente.
  Claro que quis muito ser extrovertido/desinibido, mas não consigo, não é da minha natureza, não nasci "folha em branco".

  O que o médico pode fazer para melhorar nosso humor é nos receitar drogas.
  Ficamos por alguns momentos como "gostaríamos de ser" ... bem ajustados a um padrão aceito pela sociedade freudiana.

  Porém, sempre que passar o efeito da droga o VAZIO estará lá, nossa natureza se revela precisando de mais drogas.

  Diante de tudo isso o que eu sugiro?

  Para quem ainda não chegou na "velhice" e reconhece que não é uma pessoa que nasceu bem humorada, você tem a seu favor o tempo.

  Ainda há tempo de não levar tudo tão a sério, ver qualquer coisa como "ofensa pessoal".

  Ninguém nasce sabendo andar de bicicleta, parece até um contra senso se "equilibrar" em duas rodas, no entanto com algum esforço e treino fica uma coisa natural.
  Se você não nasceu com um dom especial, dificilmente vai ser um ciclista de longas distancias, um atleta profissional, mas vai manter o equilíbrio necessário para usar a bicicleta como lazer ou meio de transporte.

  Meu equilibro vem de prestar atenção nas ironias da vida , me divertir com isso, não levar tudo tão a sério.

  Para quem já chegou na velhice mal humorado ... há boas drogas ... elas te ajudarão a suportar a solidão ... velhos ranzinzas espantam todos a sua volta.
  A boa noticia é que você provavelmente vai morrer mais cedo ... 
 😆



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