quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Teoria Indigesta

  "Se suas ações contradizem suas palavras eu nunca vou acreditar em você".
[House]

    Porque espiritas (Kardecistas) tem a ação de serem contrários a pena de morte?
  (Sem generalizações, sei que muitos são a favor.)

   Se espiritas tem certeza que passamos por varias existências ... porque seria tão catastrófico abreviar uma existência daquele espirito que esta abreviando a existência de outros?


   No grupo espirita argumentaram que ninguém merece morrer antes da hora.
  Então concluímos que quem foi morto pelo bandido tinha chegado a sua hora.
  Morreu porque tinha que morrer, estava predeterminado pelos “espíritos superiores”.

  É um argumento difícil de defender.
  Se esta predeterminado, os marginais são pessoas enviadas pela espiritualidade para não deixar que as pessoas vitimadas fiquem encarnadas alem do planejado!?


  Imaginem a cena:


  É para eu morrer dia 9 de Dezembro de doença grave, mas já é dia 8 e estou com muita saúde então a espiritualidade "toca o coração" 😟 de um marginal para que ele acabe com minha existência dia 9 como havia sido planejado no "intervalo entre as encarnações." 


  Ou:

  Já estava planejado/determinado que o marginal cometesse latrocino no dia 9 de Dezembro contra mim.
  Nesse caso espiritualmente o marginal é inimputável, não terá nada a resgatar porque cumpriu determinação dos espíritos superiores. 

  O que não entendo é porque o mesmo raciocínio da morte estar predeterminada desde de nosso nascimento (encarne) não serve para pena de morte aplicada ao marginal!


  O marginal que me assassinou, depois de 5 anos será morto na aplicação da pena de morte.
  Porque 5 anos depois de minha morte não pode ser o dia que o marginal tem que morrer?


  A doutrina espirita dá dois pesos diferentes para a "inutilização do nosso corpo biológico"

 Quando o bandido mata cumpri missão divina/espiritual.

 Quando o Estado mata como punição ao crime ... "abreviou indevidamente uma existência"!

  Sei lá, não é coerente.

  Para pessoas evangélicas que acreditam em uma única vida até que é aceitável não destruir uma vida por pior que ela seja.

  Porem, se ela vai ficar dormindo até o dia do juízo final então podemos dizer que apenas antecipamos seu sono.😊
  Mas tenho teoricamente que aceitar que enquanto há vida há uma chance de conversão, isto para quem acredita que a pessoa é salva por obras.


  Para
Calvinistas a salvação é Dom de Deus, esta determinada desde o início dos tempos, logo NÃO é um crime brutal ou uma sentença de morte que mudará os desígnios de Deus para aquela alma.




  Concluindo a meditação.

  No caso da pena de morte os Kardecistas não acreditam na reencarnação,  agem tal qual os evangélicos.
  A vida tem uma única existência que deve ser preservada sobre qualquer hipótese, sempre há uma chance de conversão (evolução espiritual)

  
  Se as ações contrariam o que os espiritas dizem ... como posso acreditar no Kardecismo? 


  Para Kardecistas abreviar a existência de uma alma errática deveria ser algo natural.
  O espirito cometeu o erro gravíssimo de tirar a vida de uma pessoa então perde sua chance de evolução nessa existência para tentar em outra.
  Quem sabe pode passar um tempo naqueles hospitais espirituais que tanto  a doutrina fala.

  Uma alma errática tem grande probabilidade de continuar numa vida de crimes e acumular mais situações para serem resgatadas, ou seja, mante-la aqui alem de não aliviar seu problema ainda pode trazer tristeza profunda para muitas famílias, basta matematicamente analisar os números da reincidência criminal.


 
Meu argumento é obvio.
  Crimes brutais são sempre crimes brutais.
  A não ser que marginais sejam anjos a serviço da espiritualidade ... não tenho dados para defender isso.
  Não sei quanto a vocês, mas para eu é uma teoria pra lá de indigesta.