quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Apressado

 




 “A ideia de que o crescimento só pode ocorrer com mais dívida é uma ideia errada."

   (Ângela Merkel)

 


  Minha memória não é boa, mas certas frases que ouço fixam na mente.
  Algumas porque abrem um novo olhar para muitas coisas como:

  "Só sei que nada sei." 

  "Pague o mal com a justiça."

  Outras porque não entendo, medito, medito e continuo não entendendo.
  As coloco na categoria de frases equivocadas e/ou simplórias.


     

  Simplório - Pessoa muito ingênua, muito simples, tola, muito crédula.

 

  

  Há frases simplórias que se tornam base de uma cultura popular.
  As pessoas ás repetem como se fosse uma grande verdade.
  Mas é tudo na base da “credulidade”.

  O indivíduo acredita facilmente naquilo que é muito repetido sem fazer as devidas pesquisas e ponderações.

  Um exemplo fácil é:

“Não pode misturar manga com leite que morre.”

  O cidadão ouve isso desde criança, simplesmente aceita, sem pesquisar se tem algum fundamento cientifico.
  Por vezes até desconfia que é exagero, mas prefere não arriscar.




  Vamos a algo que impacta mais a vida das pessoas.

   na minha adolescência um colega disse a seguinte frase:

"Se você não se endividar não consegue nada."

  Ele não foi o primeiro a me dizer isso.
  Minha família (pai, mãe, tios ...) tinha essa cultura.
  Na empresa via as pessoas meio que orgulhosas de seus carnês.

  No entanto foi a primeira vez que parei para meditar sobre aquela premissa do endividamento.
  Comecei analisar o colega de trabalho Sebastião, é, lembro até do nome.

  Vamos combinar que dívida não é o mesmo que compra.

  Dívida é aquela compra que no momento você não tem como pagar, depende de ganhos futuros.

  O sorveteiro está passando eu compro um sorvete.
  Pago no ato, isso não é dívida.
  O Sebastião “comprava fiado” quase tudo, até com o sorveteiro que depois de alguns calotes deixou de vender fiado.

  Não gosto de ter dividas.
  Para coisas mais baratas como sorvete se tinha dinheiro comprava senão ficava na vontade.
  Afinal sorvete não é um item essencial para sobrevivência de ninguém.

  E coisas mais caras?
  Eu morava no bairro São Bernardo, a empresa que trabalhava ficava no Jardim do Trevo.
  Era uma distância considerável.
  Comprar bicicleta passou a ser uma meta.
  Minha capacidade de poupança era quase nenhuma.
  Minha mãe permitiu usar o nome dela para fazer um carnê na loja Líder.
  Atualizando os valores... (só para dar uma ideia).
  A bicicleta custava 1000.
  Com o “financiamento” custou 1200.
  Não me arrependi da compra, uma Monark linda, cinza e preta, 10 marchas, pneu fino.
  Ir e vir do trabalho ficou bem mais fácil.
  Mas aqueles 200 a mais ... me incomodavam tanto.
  Se eu tivesse 1200 a vista poderia ter comprado a Caloi (marca de bicicleta mais Top), a que a princípio eu queria.

  Apesar da “cultura que eu cresci”.
  Na minha cabeça a melhor maneira de adquirir bens passou a ser POUPAR e comprar pelo preço justo.

  Se eu compro um carro que vale 20 mil e com financiamento acabo pagando 40 mil é como se eu pagasse 2 carros e levasse 1, não tem lógica, não faz sentido.

  Falo muito em carros porque são as maiores loucuras familiares que observo, no caso especifico das mulheres fico impressionado com o endividamento em roupas e sapatos.
  Nos outros países eu não sei, mas aqui as pessoas parecem não ter a menor noção do que são juros!
  Preferem curtir um momento mesmo que acabem pagando 2 e levando 1...

   Como se já não bastasse a insanidade dos cidadãos, observo a insanidade dos Governos, mas ... insanos elegem insanos...😟
 
  O fato é que o Sebastião tinha carnês para tudo.
  Não precisa ser um gênio matemático para deduzir que o seu salário rendia bem menos do que podia.
  O endividamento do meu colega o levava a comprar menos produtos do que poderia comprar.

  Desde cedo cheguei a dedução lógica que contrair dívidas é um método ineficiente para “crescer, comprar coisas”.

  Tem a questão do investimento, que veremos em algum outro texto.

  Para terminar a meditação com uma frase:

“O apressado come cru.”
 
  Muitos “carnês” são fruto da falta de paciência para poupar, da ansiedade de adquirir um produto como se aquilo fosse a razão da sua vida.

  O apressado paga mais.




 


    Minha irmã, para desviar de um cachorro, bateu a bicicleta e amassou toda.
    Sempre que posso jogo isso na cara dela.
    No meu leito de morte, minhas últimas palavras serão:
 
  “A Simone destruiu minha bicicleta.”

    😏


 

  Vejam a linda meliante ...💖





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