terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Prazer da Dor

“Consolamo-nos muitas vezes das nossas infelicidades pelo prazer que nos dá a exibi-las.” [Rochefoucauld]
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  Quando escrevi sobre a “moda da depressão” fiz de tudo para não entrar pela brecha que entrarei hoje, mas agora respire fundo e vem comigo, vamos para as profundezas do Abismo!

  Pessoas parecem ficar consoladas de suas dores se outros sentem dó dela.

  Lembrei agora de minha colega Edna bem distante no tempo, há pessoas que parecem personagens de desenho animado, era o caso dela.
  Eu adorava ouvir suas historias, eram reais, sérias, mas pareciam conto de ficção.
  Uma delas acho que já contei aqui [tenho que revirar os arquivos] sobre um “fantasma” que por um tempo ficou a perseguindo.
  Hoje no entanto lembrei de certa vez que estávamos em um grupo conversando sobre a infância e esta colega disse que quando criança adorava ficar doente e ir para o hospital, ficar internada mesmo!
  Todos riram e ficaram boquiabertos, eu ansioso perguntei: 


W - O que você tanto gostava no hospital?

E – "Quando eu adoecia todos eram tão atenciosos comigo, minha família, as enfermeiras eu era o centro das atenções."


  Vocês acreditam que ela sinceramente gostava da comida do hospital, seu prato preferido era arroz com carne moída...que figura!
  Poucas vezes encontrei pessoas que naturalmente não usam mascaras [o tanto quanto isto é possível], não sei se por pureza ou ingenuidade, você perguntava ela respondia muito próximo do que estava sentindo, mesmo diante de assuntos que para a maioria é constrangedor.
  A Edna aceitava o sofrimento porque ele fazia com que as pessoas tivessem pena dela e por conta disso a tratavam melhor.
  O namorado dela era um tanto violento, para dar um tapa no rosto dela não pensava muito.       Certa vez ela levou uns tapas na porta da empresa e os seguranças tiveram que intervir.
  Todos ficaram revoltados com a situação, mas ao conversar com a ela sobre o assunto...uma daquelas bombas mentais explodiu em minha mente.

  A Edna gostava de apanhar, aquela atenção que todos estávamos dando a ela depois do ocorrido era tudo de bom.

  Não, claro que ela não admitiu isto verbalmente, mas dava para sentir seu ar de satisfação em ser o centro da atenções.
  Minha esposa [na época namorada] e a Edna eram  amigas e fiquei sabendo alguns detalhes de sua vida sexual [ela não fazia segredos] me deram certeza de que se o namorado dela não fosse agressivo ela não estaria apaixonada por ele.
  Como sempre acontece nestas explosões a minha mente entra em espiral, amigos pensadores e sua frases, seus pensamentos colidem em todas as direções, acontece quase que um arrebatamento para o Mundo dos Pensamentos.
  Mulheres que gostam de apanhar que se sentem bem sendo submissas....
  I’ll be back!
                                                                       

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