quarta-feira, 17 de abril de 2013

Santo Pedestre vs Monstrorista

    Entrou em vigor no estado de São Paulo a lei que torna infração grave ou gravíssima o motorista não dar passagem aos pedestres na faixa ou não esperar que eles terminem de atravessá-la.
Essa lei:
[Questões Revista Veja]

a) Deveria ser aplicada em todo o território nacional. ​​
  O pedestre é mais vulnerável, e é dever de todos protegê-lo.

b) Faz sentido em cidades grandes como São Paulo, em que o transito é caótico.

c) Faria sentido se também os pedestres estivessem sujeitos a multa por atravessar fora de hora ou da faixa.

d) É só um jeito novo de o Governo conseguir arrecadar ainda mais com multas.

  Cidades podem ser comparadas a organismos vivos.

   Qualquer médico sabe que cada corpo é um mundo à parte.
   O medicamento que funciona bem para um indivíduo pode ser inócuo em outro.
  Também é preciso identificar qual o problema/doença.     
   Se seu problema é apendicite ... tratar pedras no rim não vai adiantar, é a opção errada.
   Em se tratando de uma infecção não muito bem identificada pode ser receitado um antibiótico de amplo espectro, mas o ideal é identificar a infecção e tomar o antibiótico compatível.

  Com a Cidade é bem assim, técnicos precisam analisar a movimentação de carros e pedestres na rua para aplicar a solução mais satisfatória.
  Se o movimento de pedestres é intenso durante a maior parte do dia é melhor colocar o sinaleiro convencional.
  Se o movimento não é tão grande ou concentrado em algum horário especifico acho mais eficiente colocar aqueles semáforos acionados pelo pedestre.
  Principalmente à noite e em dias chuvosos o sinaleiro é muito mais visível e por consequência mais seguro.

 Sei que sinaleiros custam caro e precisam de manutenção, instalar sinaleiros demais sai do nosso próprio bolso através dos impostos, se dá para evitar colocar mais um sinaleiro é economia para os cofres da cidade.
  Entretanto é preciso ficar atento.
  Essa nova lei permite a prefeitura economizar com semáforos e arrecadar mais dinheiro com multas.

  A responsabilidade do motorista aumenta e inevitavelmente a segurança do pedestre diminui.

  A responsabilidade da prefeitura diminui.
  Ela pintou a faixa, fez a lei e agora pedestres e motoristas que se entendam.
  A parte da prefeitura que era manter um semáforo que desse segurança à população passou a ser uma “possibilidade” não um dever.

  Em ruas de pouco movimento de carros, mas que de alguma forma justifique a colocação de faixas (existência de escola, hospital ou outra atividade que atraia muitas pessoas) a lei é boa.
 Não sou contra a medida, mas espero responsabilidade/competência nas análises técnicas.

  Perto de casa na Avenida das Amoreiras tem um exemplo.
  Depois de uma longa descida vem uma subida, aquela situação que embalamos o carro na descida para vencer a subida mais facilmente.
  Depois que acaba a descida colocaram uma faixa bem no meio da subida, acho que quem colocou aquela faixa ali não dirige carro.
  Tem um semáforo há uns 150 metros e o trafego de pedestre poderia ser obrigatório por ali.
  Sei, sei você deve estar pensando: “Para o carro 150 metros é pouco para o pedestre significa muito mais.”
 Não se trata da distância, se o local fosse plano não haveria problemas, mas imagine um caminhão embalado ter que parar bruscamente em uma aclive.
    Ao invés pensarmos apenas na distância, precisamos pensar na segurança, como acontece com as passarelas nas rodovias.

  Quem pode ser mais prejudicado é natural que se preocupe mais.

  Atropelar um pedestre amassa um pouco a lataria o estrago no atropelado raramente é tão superficial.

  Freadas bruscas também provocam colisões traseiras, eu me responsabilizo por mim, não tenho como me responsabilizar pelo motorista que vem atrás.
  O ideal seria que todos motoristas dirigissem com cuidado e não se distraíssem por nada, mas há motoristas descuidados ou que andam a uma velocidade mais alta ainda mais se tratando de um trecho da pista sem cruzamentos, saindo do embalo de uma descida.

  O sinaleiro por sua visibilidade oferece mais segurança a motoristas e pedestres, ainda mais aqueles que tiram fotos.
  [O cidadão sabe que se cometer infração tem uma prova cabal]

  Outra coisa importante a ressaltar é que um transito lento prejudica a todos.
  Transportes públicos também estão no transito, o ônibus passa pelas mesmas ruas e enfrenta a mesma lentidão.
  Tudo que você fizer para prejudicar a mobilidade dos carros irá prejudicar a coletividade, ainda mais nos horários de pico.
  Carro é igual dinheiro as pessoas dizem que é monstruoso, mas todos querem ter.
  Quem por algum motivo ainda não tem parece ter um pouco de raiva de quem tem.
  Como falta civilidade em nosso povo não importa se é pedestre ou motorista vemos coisas profundamente irritantes...

  Para terminar esse texto falarei de pedestres, todos nós em algum momento somos pedestres.

  O pedestre coloca o pé na faixa, você para o carro, o cidadão poderia atravessar a rua (não correndo) em uma velocidade normal de forma a CIVILIZADAMENTE atrapalhar o transito de veículos o mínimo possível, mas o que ele faz?
  Parece que está passeando no shopping: “Estou na faixa, sei dos meus direitos, os “monstroristas” que esperem.”
  Estudantes ficam brincando, outros não tiram os olhos do celular... enfim não tem aquela famosa CONSCIÊNCIA SOCIAL da qual falo tanto.

  Para melhorar a civilidade de nosso povo é preciso muitas campanhas de educação no trânsito para motoristas e PEDESTRES, e debates, debates e mais debates ... multas e outras punições.

  Santificar pedestres e demonizar motoristas dá margem a leis onde as autoridades diminuem suas responsabilidades e aumentam a arrecadação.
  É o caso da lei seca, campanhas de conscientização não podem deixar de serem feitas, mas se não tiver blitz policiais não adianta ficar contando apenas com a “civilidade” do cidadão.

  Enfim:
  Em locais de movimento intenso ou que estejam ocorrendo atropelamentos.
  Em nome da segurança...

  PRECISAMOS DE SEMÁFOROS.



   Motoristas e pedestres BOM SENSO/CIVILIDADE.
  Técnicos de trânsito TRABALHEM.

  Prefeituras ASSUMAM SUAS RESPONSABILIDADES.




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