segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Viver da própria Luz

"Ouvi dizer que são milagres noites com Sol."

[Flávio Venturini / Ronaldo Bastos]


  Me disseram também que noites com Sol só acontecem se for por milagre.
  Alguns anos atrás, cansado, muito cansado, deitei na minha cama e olhando pela janela vi uma lua cheia maravilhosa e estava de bom tamanho, se fosse me tirado a Lua ainda havia as estrelas e também estava de bom tamanho, se o céu ficasse encoberto ainda assim teria a luz artificial trazida pela eletricidade estaria de bom tamanho, mas e se até esta luz me faltasse?
  Oras eu ainda estaria ali, meu coração continuaria a bater, meu corpo permaneceria quente, por que há uma luz dentro de mim.


  Em algumas regiões da Terra o Sol não se põe por 45 dias em outras ele não se põe por incríveis 100 dias, isso acontece naturalmente não depende de um milagre.


  Quero dizer que se um milagre acontecer tudo fica bem mais fácil, mas como aqueles cientistas malucos que testam neles mesmos uma nova invenção, uma nova teoria, eu me dispus a fazer esta experiência de não esperar nem pedir por milagres, se eles acontecessem claro que aceitaria de bom grado, mas não iria mais atrás disto, queria ver se era possível viver de minha própria luz.




  O que havia me arrasado de manhã foi receber uma intimação judicial de uma
ex-funcionaria que estava me processando, foi a gota d’agua para uma série de problemas que eu já vinha enfrentando.
  Em dias quentes se possível eu tomo vários banhos, não gosto de sentir minha pele engordurada, mesmo a comida que eu ingiro não pode estar muito gordurosa, não gosto de sentir minha boca oleosa, engordurada.
  Digo isto porque na Igreja haviam me "dado" [eu contribui com algum dinheiro] um vidrinho com óleo ungido que deveria ser passado em partes do meu corpo, principalmente na testa, eu fiz como me disseram afinal estava sempre atrás de um milagre, uma luz que viesse de fora. 

  Este desconforto do óleo já vinha a cerca de 1 mês.
  Quando li a intimação estava dentro do carro, eram tantos compromissos que eu levava a correspondência para o porta luvas e lia no tempo que sobrasse, quando vi do que se tratava...meu coração quase parou, lá no campo do valor pretendido R$18.000,00.
  Meu coração começou a bater muito de vagar, mas como ele se recusava a parar ato continuo eu peguei um lenço de papel e comecei a limpar toda aquela desconfortável gordura em meu corpo, peguei aquele vidrinho com óleo ungido e joguei pela janela do carro.
  Naquela noite olhando pela janela eu decidi viver sem Deus, não, para um cara que já viu tudo que eu vi ser ateu é impossível, não estou negando a existência de Deus ou espíritos até porque a seqüência de coisas desagradáveis que aconteciam em minha vida desafiava toda e qualquer probabilidade.
  Como disse no inicio do texto, apenas estava cansado, muito cansado e repassando minha vida percebi que embora eu não seja muito inteligente e minha memória deixe muito a desejar, foi meu bom senso, minha luz interior a única coisa que sempre pude contar.


  Até então eu colocava minha Fé acima de tudo, naquela noite eu decidi colocar meu bom senso acima de tudo, a primeira coisa a fazer era parar com tantas orações, claramente elas não estavam me servindo para nada, era um terrível desperdício de tempo.


  Não foi fácil, por toda minha vida nunca dormi sem orar ao menos um Pai Nosso, mais ou menos por um mês sem perceber me pegava orando.
  Claro que tudo piorou, as coisas desagradáveis continuaram acontecendo e eu não tinha nenhuma muleta para me escorar, não tinha mais aquela oração onde eu conversava com Deus e saía confiante que tudo iria melhorar.
  Como meu coração não parava ato continuo eu pensava em tudo que podia dar errado em qualquer circunstancia e planejava um plano de contingência B e até C.   

  Isto tomava tempo, mas com o fim das orações e leituras bíblicas o tempo começou até a sobrar. 
  A ida a Igreja foi substituída por mais caminhadas e exercícios, buscar a melhor resposta para tudo se tornou uma obsessão.
  Sabem, 2011 foi um ótimo ano.
  Evidente que seria leviano de minha parte recomendar isto a qualquer pessoa, afinal foi a experiência desesperada
de um cientista [Filosofo fica mais apropriado] tido como maluco.


  "Aparentemente" viver sem Deus é possível, ou pelo menos viver sem ficar implorando por auxilio, ficar implorando por migalhas.


  Um colega me perguntou: "E se você perder tudo que tem?"
  Oras, isto irá acontecer fatalmente com todos nós, um dia uma grave doença irá nos alcançar e perderemos tudo que temos, até as forças, independente de nossa Fé "No final tudo desmorona."
  O importante é entendermos que não dependemos de Deus para tudo, ele mantendo nosso planeta em segurança e habitável no resto nós podemos ser nossa própria luz.
  Hã? Se 2012 for um péssimo ano eu voltarei as orações?
  Minhas conversas com meus amigos mortos se intensificaram bastante neste período, sem poder conversar com Jesus eu tinha que falar com alguém e com meus amigos pensadores nunca falta assunto. 

  Saul preferiu o suicídio, talvez eu faça isto um dia, mas não hoje.
  Meu amigo Sócrates sempre teve o daemon falando com ele e quando este silenciou, Sócrates entendeu que era hora de morrer.
  Então sobre voltar a orar um dos meu amigos pensadores me provocou muito.
Sobre isto Einstein disse: 


  "A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original."

  Eu permaneci orando a maior parte da minha vida e minha vida nunca foi satisfatória, agora minha mente se abriu para como o Sol eu viver da própria luz e minha vida esta satisfatória.
  Hoje a noite quando eu olhar pela janela, mesmo que esteja escuro lá fora eu posso ver o Sol dentro de mim mesmo, é uma sensação muito boa, um dia tudo irá desmoronar, mas enquanto meu coração insistir em bater o bom senso irá prevalecer.


  Cada um deve procurar o melhor jeito de viver, eu penso que encontrei o meu, viver da própria luz.





Posso entender o que diz a rosa

Ao rouxinol
Peço um amor que me conceda


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