segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vida de Adulto

Quando penso- "de verdade"
... eu queria ter a futilidade
dos que vivem intensamente
sem pensar, sem sentir,
anestesiados da dor de existir,


Muitos fingem não perceber
a vacuidade em si
a vacuidade dos acontecimentos
se fazem de felizes
fingem sentimentos
são ídolos ocos.

O mundo é um teatro
onde as coisas, gradualmente
perdem predicados
onde constrangem os paradoxos.
-todos estão sonolentos
mas em mim, também não há coerência.

Me acham sociável
mas "estou de lado"
como se a tudo observasse
numa bolha, em separado-
eu não devo ser "do planeta"
-alguém pôs um lauto jantar na mesa
o teto caiu sobre ela, e sobre sua cabeça
foram os seus amigos a derrubá-lo.
-alguém serrou a muleta
do aleijado
que pagava as despesas
dos seus inimigos atoleimados.

O mal que existe em nós pessoas,
reflete o acaso e as circunstâncias
que nos dividem,
que nos deixam tristes
e que destroem paulatinamente
nossas idéias e tentativas
até o fim da nossa pequena vida,
-onde tudo tem a eternidade
de um lampejo.

O mundo se convenceu de não saber
que existe algo errado
-eu sempre "fiquei de lado"
não sei porquê
enquanto muitos fazem a festa,
eu simulo felicidade,
mas me envergonho
de ser cúmplice dela.

Essa história é inevitável,
o que eu não podia
era considerá-la, um fato irretocável
Eu tinha
que derrubar muros, portas, cancelas
eu tinha
que "cair da janela".

Em algum momento passado, me perdi
Não sei aplicar meus ideais presentes
Eu me sinto revolucionária
e ao mesmo tempo, velha
muito velha
como um círio cheio de lágrimas.
Sou paralela
ao tempo
em que nasci.

Vultos de uma tradição
passam perante meus olhos,
filmes de uma antiga ficção
que ainda me consolam.

A natureza me encanta
me mantêm em deferência,
em silêncio,
triste com a sua impermanência
e com o medo-
da perda e do passamento
que faz parte da vida de todos
os que "desejam",
-de todos os que amam.


Enviado por: NIHIL
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