sexta-feira, 2 de outubro de 2026

O Alquimista

 



Suelen>> "Por que quem lê clássicos não gosta de Paulo Coelho e sempre cita com uma ressalva? 😁
  Passei minha adolescência sendo fã do Paulo Coelho, mas não podia assumir. 
 Até hj não entendo. Hj assumo que gosto, claro."

William >> Só represento a mim mesmo, dito isso.
  Cito Paulo Coelho porque é um nome conhecido, dispensa apresentações para maioria que gosta de ler.
  Tento facilitar o entendimento, não complicar.
  Nunca tive problema em assumir do que gostava, quando estava lendo Paulo Coelho se alguém perguntasse eu falava.
  Se eu tivesse gostado falaria sem problemas.
  Quer que eu cite um autor estrangeiro famoso e que eu não gosto?

  Mas me fale o que apreciou tanto na obra de Paulo Coelho.
  Comecei a ler duas de suas obras e não consegui concluir por achar muito fraco, mas você que leu bastante pode trazer tópicos para analisarmos.

Suelen >>  Na verdade eu nem sei analisar, por isso mesmo pergunto aos críticos literários. 
  Não sou uma leitora assídua de clássicos, leio mais não ficção.
  Na adolescência, esoterismo e misticismo me chamavam atenção, descobri Paulo Coelho na biblioteca da minha cidade e li primeiro O Alquimista.    Eu fiquei fascinada. E li depois Diário de um Mago.
  Depois quando mudei pra capital, onde tem mais leitores circulando, e aí passei ouvir críticas a Paulo Coelho, eu era uma caipira (talvez ainda seja) e na minha cabeça adolescente recém chegada à Capital “eles sabiam mais do que eu por isso eles estavam certos”, por isso eu passei omitir que gostava pra não passar vergonha.
  Uns anos atrás li O Alquimista de novo e sim eu amei mais ainda, pela trama, a linguagem, acho que por isso.”

William >> Entendo você gosta mais de um enredo (trama) que analisar a obra filosoficamente.
  Para enredos eu prefiro filmes, leitura sempre me atraiu mais o conteúdo filosófico e cientifico.
  Não tem “certo ou errado” é uma questão de gosto.

  Quando li Paulo Coelho eu já tinha lido clássicos como Voltaire e “Ariano Suassuna”, autores com boa trama e alfinetadas filosóficas interessantes.

  Se não fosse minha experiência de leituras anteriores ... concordo que Paulo Coelho seria interessante pelo menos para eu me interessar em terminar a leitura da obra.

  Daí acontece o que chamamos de memória afetiva.
  Li freneticamente Platão/Sócrates na minha adolescência, são pensadores pelos quais tenho muito “carinho”.

Suelen >> Mas no caso eu gosto da trama quando tem uma filosofia por traz, que me traz reflexão, metáforas e alegorias e ou então uma linguagem poética.
  Eu preciso de livros físicos para poder grifá-los. 
  E eu gosto do que há por trás da história contada.   
  Pode o leitor não se identificar ou não “sacar” o que há nas entrelinhas, e tudo bem não gostar do livro, mas assumir que o escritor é ruim porque foge do repertório do leitor, acho um equívoco.
  Exemplo:

   “Se não houvesse um sexto dia da criação, não haveria o homem, e o cobre seria sempre cobre, e o chumbo seria sempre chumbo.”
  (O Alquimista)

  Isso diz muito sobre muitas coisas que propagam por aí.

William >>Então né, minha distração é fazer análises lógicas.
  Faz tempo que li acho que parei lá pela página 60.
  Achei “água com açúcar” a visão de que tudo no universo está interconectado pela evolução e pelo amor.
  Eu era kardecista e já tinha lido esse tipo de coisa em tantos livros, preferi me poupar.

  Analisando o pensamento que você destacou ...

  Se o ser humano não fosse criativo o cobre permaneceria ao natural?
  Ora, ora temos um Sherlock Holmes  😂😂


Suelen >>  "Os alquimistas ficavam muitos anos nos laboratórios, olhando aquele fogo que purificava os metais. 
  Olhavam tanto o fogo, que aos poucos suas cabeças iam perdendo todas as vaidades do mundo. 
  Então, um belo dia, descobriam que a purificação dos metais havia terminado por purificar a eles mesmos.”
 (O Alquimista)


William >> Ter a mente purificada de tanto olhar para o fogo!?
  Quanto aos metais vi metáforas melhores usando a lapidação de diamantes, todos (que gostam de ler) devem conhecer

  “Um belo dia” ... expressão de conto infantil.😉

  Voltaire usava contos, nada contra ... como disse, se eu já não tivesse lido muita coisa a obra seria interessante.

  Exemplo paralelo:
  Quando assisti Rambo pela primeira vez achei sensacional.
  Quando revisitei depois de alguns anos ... meu deus! 😂


Suelen >>  Enfim, esse trecho de imediato me leva a esse contexto, em que a atuação alquímica da intervenção humana faz parte da dinâmica do planeta.

William>> Eu entendi, mas ... ele fala de forma tão subjetiva que deixa margem a várias intepretações.
  Por isso considero uma filosofia de baixa qualidade ... “se” podemos chamar de filosofar, está mais para “poetizar”.

  Veja um exemplo:



“O homem destrói Natureza”.



Caraca!
Então a história de Adão e Eva é verdadeira.
  Existia a Natureza e um Deus nos criou e colocou nela!?
  Ou num processo de mutações por bilhões de anos surgimos ao acaso fruto da própria Natureza?

  Quem acha mais crível a segunda hipótese não tem como pensar no Homem separado da Natureza.

  Um vulcão em suas explosões está destruindo a natureza?
  Óbvio que não ele faz parte da Natureza.
  Um homem usando sua inteligência gerada pela natureza fazendo “queimada” (só um exemplo) está destruindo a Natureza?


   Você decide, mas em uma filosofia de boa qualidade a resposta é óbvia ...
   Boa noite, chega de Internet por hoje, fui!

 Nota: Claro que não incentivo queimadas.


✧✧✧ 



Resumo:

1. Objetivo de simplificar, não de elitizar: Você cita autores como Paulo Coelho por serem amplamente conhecidos, buscando facilitar o entendimento do público em vez de complicar o diálogo.

2. Prioridade por conteúdo filosófico e científico: Enquanto prefere enredos e tramas puramente em obras audiovisuais (como filmes), na leitura você busca essencialmente substância filosófica e científica — tendo sido influenciado precocemente por leituras densas de Platão, Sócrates e Voltaire.

3. Repertório prévio e a percepção de "água com açúcar": Devido ao seu background de leituras anteriores (incluindo o espiritismo kardecista e clássicos da filosofia), ideias como "tudo no universo está interconectado pelo amor e evolução" pareceram repetitivas e simplistas, fazendo com que você abandonasse o livro por volta da página 60.

4. Crítica à qualidade literária e filosófica ("poetizar" vs. "filosofar"): Você aponta que a obra utiliza uma subjetividade excessiva que abre margem para múltiplas interpretações, o que, para você, descaracteriza uma boa filosofia e a aproxima mais de um texto meramente "poético" ou de contos infantis (reforçado pela expressão "um belo dia").

5. A falácia da separação entre "Homem e Natureza": Ao analisar a frase sobre a atuação alquímica e a intervenção humana, você argumenta que contrapor a ação humana (ou tecnológica) à natureza é um equívoco conceitual. Se viemos da natureza por processos evolutivos ao acaso, o homem e suas ações (mesmo que destrutivas) fazem parte dela, assim como a erupção de um vulcão — exigindo, portanto, um rigor conceitual ausente na obra.

6. Efeito da memória afetiva versus obras revisitadas: Você reconhece que a apreciação por certas obras na juventude se deve à "memória afetiva", ilustrando com a comparação de como o impacto de um filme como Rambo parece grandioso na infância, mas perde força ao ser revisitado criticamente anos depois.

7. Isenção de juízo de valor absoluto sobre gostos: Você deixa claro que não existe um "certo ou errado" estrito no hábito da leitura, tratando a preferência entre enredos focados em entretenimento e análises lógicas estritamente como uma questão de gosto pessoal.

 


  


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