Cris Griscon (Face): "A
criança é por natureza um ser do encantamento, um ser que experimenta a leveza,
e que não retém a dor."
William >> É comum encontrar
posts, comentários, frases idolatrando crianças.
Crianças são tudo
de bom, verdadeiros anjos na Terra?
Meditemos.
Um internauta
disse que todos os adultos deveriam voltar a ser crianças, o mundo ficaria bem
melhor assim.
“Devemos
voltar a ser crianças.
O que tem haver uma coisa com a outra?
Simples, a inocência.
Inocência, ausência de culpa, que existe nas
crianças e que é atribuída a toda pessoa que por falta de conhecer uma regra a
infringe...”
(Comentarista no G+)
Não vejo nada de
simples.
Para quem é religioso
(cristão):
A inocência” a
“ignorância”, não nos garantiria a “salvação”, na Bíblia é dito que a
salvação é um dom de Deus independente de qualquer outra coisa.
Para quem não é religioso
(não precisa ser necessariamente ateu):
Na lei dos homens
a ignorância sobre uma lei não impede a penalidade.
É obrigação do cidadão se
informar sobre as leis vigentes em um país, estado ou cidade.
Aqui em SP o uso
de capacete para motociclista é obrigatório, não adianta você dizer que é de
Alagoas e lá a polícia não pune esse tipo de inflação.
Mas vamos para um
pensamento maior onde não atribuir culpa a alguém alegando inocência/ignorância/ingenuidade vira uma pedra no sapato.
Continuemos no plano de
pensamento religião.
Eu William nasci
no Brasil onde o cristianismo é predominante, conheci tão bem a doutrina que
comecei a questionar muitas coisas, perdi minha “inocência/ignorância” sobre a
Bíblia.
Por interpretar
melhor os escritos Bíblicos vou para algum inferno!?
Mas é dito nas
igrejas que devemos ler a Bíblia, foi o que eu fiz.
Por outro lado
seguindo essa hipótese da absolvição
alegando ignorância a maioria dos indianos serão salvos uma vez que
ignoram a “palavra de Deus” (Bíblia).
É a defesa Lula: “Eu não sabia de
nada.”😉
Os indianos não
sabem de nada da Bíblia então não serão condenados.
Se Deus penetrar
na mente de um Hinduísta verá que realmente ele acredita que o Cristianismo é
uma historinha inventada por homens.
Um Hindu seria
salvo pela inocência e eu me perderia pelo CONHECIMENTO!!!
Fica um situação
complicada onde deduzimos que é melhor destruirmos todas as Bíblias e não
evangelizar ninguém.
Seremos todos
salvos pela inocência/ignorância.
Se um Cristão
perder um filho até os (digamos)7 anos deve ficar muito alegre, pois essa
criança certamente será salva devido sua ignorância/inocência.
Depois de
alfabetizada pode se contaminar com muitas coisas, perder a inocência.
Quantos cristãos
ficam alegres em perder um filho até 7 anos?
Quando um ingênuo morre vai para o “céu”?
Humm ... segundo
a Bíblia, pela desobediência do casal Adão e Eva já nascemos com culpa.
Logo, uma criança
é culpada mesmo que seja “ingênua/ignorante” quanto ao plano de salvação
divino.
Se você quiser
negar essa dedução ...tudo bem.
Mas entenda que
automaticamente está concordando que acontece mais uma grande contradição
bíblica.
Nascemos com culpa ou não!?
Para você que
acredita que a Bíblia é 100% a palavra de Deus, fica em uma situação
argumentativa bem difícil; “se correr o bicho pega se ficar o bicho come.”
Estou reforçando
essa questão sobre crianças serem salvas no “automático” porque certas
tradições viram “verdades” em uma sociedade e ninguém mais medita sobre
ela.
Faça uma pesquisa
sobre o que as pessoas acham que acontece quando uma criança morre e observará
uma certeza de salvação.
Evidente que estou falando de religiosos.
Religiões
e crianças.
Cristianismo:
13.
Foram-lhe, então, apresentadas algumas criancinhas para que pusesse as mãos
sobre elas e orasse por elas.
Os
discípulos, porém, as afastavam.
14.
Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque
o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.
15. E,
depois de impor-lhes as mãos, continuou seu caminho.
[Mateus 19]
Hinduísmo:
"Vazia
é a casa sem uma criança."
[Texto
Hindu]
Islamismo:
“Os costumes islâmicos não valorizam a
infância.
Uma criança é considerada propriedade do pai,
que tem o direito a dispor dela como quem dispõe de uma qualquer outra
propriedade.
Quando uma mãe pega na sua filha e a coloca
nos braços de homem com a idade do seu avô, a infância da menina fica
irreparavelmente corrompida e violada. Quando a ação da mãe adquire
legitimidade religiosa e legal, é toda uma civilização que corrompe e viola os
direitos das crianças.
Este tipo de way of life é válido no islão há
14 séculos.”
Comparemos “toscamente” essas 3 religiões com relação a infância.
O Hinduísmo é uma
religião muito antiga com várias ramificações, mas em geral a criança é bem
tratada, até porque a crença na reencarnação é generalizada, logo, uma criança
nunca é só uma criança, pode ser um espirito muito antigo.
No Islamismo a
criança é uma propriedade do pai, se ela vai ser bem tratada ou não depende da
personalidade do seu pai.
Escrevo mais
sobre o cristianismo porque vivo em um país cristão e a maioria dos debates
trazem referência a essa doutrina, mas não sou ingênuo sobre
outras doutrinas.
Não concordo com
o Islamismo pelo simples fato de eu não acreditar que nascemos “folha em branco”.
Uma criança tem
sua “individualidade espiritual” (ou genética) e deve ser respeitada como
cidadã.
Ser responsável
por uma criança não pode significar ser proprietário dela.
No caso do
Hinduísmo você tem que acreditar em reencarnação, ou pelo menos imaginar essa
possibilidade senão fica totalmente sem sentido.
Segundo a
doutrina Hindu eu posso ser um espirito muito mais antigo que meu pai e minha
mãe, como isso pode fazer algum sentido para um Católico ou Protestante que não
consideram a possibilidade de reencarnação?
Como EU vejo
crianças?
Crianças
são humanos com
pouco tempo de vida.
Devem ser
respeitadas na sua condição, no entanto NÃO vejo motivo para idolatrá-las.
Quando eu tinha 7
anos não tinha todo o conhecimento que tenho hoje, mas me sinto um ser melhor tendo conhecimento que não
tendo.
Biologicamente (a meu ver) o que destaca a espécie humana de outras espécies
animais é a capacidade do nosso cérebro adquirir e produzir conhecimento
Não vejo sentido
em desprezar, ignorar nossa maior habilidade... sem nosso poderoso cérebro possivelmente
nem teríamos sobrevivido até agora.
Sei lá, você acha
que uma águia viveria melhor sem suas poderosas asas e magnifica visão?
Você acha que os
ratos e baratas viveriam melhor sem suas excepcionais capacidade de adaptação?
Você consegue defender que um
humano é uma “pessoa melhor” por ser ingênuo, ignorante!?
No campo
religioso as situações são limitadas as suas crenças.
Um exemplo:
Deus de Abraão é Onisciente (fundamento da
doutrina cristã), quem será salvo já tem seu nome escrito no livro da vida
eterna.
Oras, mesmo que
eu tivesse morrido com 7 anos, Deus já conheceria minha natureza espiritual ...
foi ele que “escreveu”.
Se meu nome NÃO está
no “livro da vida eterna” não faz diferença eu morrer com 7 ou 70
anos.
Sou livre para
escolher se como batata frita ou salada; para usar jeans ou calça social, se
vou ser professor ou advogado ... mas “espiritualmente” meu “destino” já está
traçado, não tenho como mudar.
Apesar
do simpático versículo de Mateus, uma criança que morre pode ir para o inferno
sem sombra de dúvida.
(Segundo a “Palavra de Deus”.)
Se você cristão
tem dúvidas sobre a onisciência de Deus ou que a Bíblia seja 100% a palavra de
dele ... não é nenhum religioso fanático isso é ótimo.
O Cristianismo sem
dogmas de 2000 anos atrás fica uma “doutrina melhor”.
Amém?
✧✧✧
Resumo:
1. A falácia da exaltação da inocência/ignorância
A ideia de que voltar a ser criança ou manter a "inocência" tornaria o mundo melhor é questionável. A ignorância sobre regras ou leis não exime ninguém de responsabilidades ou penalidades, seja na legislação humana ou na lógica teológica.
2. Dilema teológico e o "paradoxo da salvação pela ignorância"
Se a ignorância e a falta de conhecimento garantissem a salvação espiritual, a consequência lógica e absurda seria defender o fim da evangelização e do acesso à Bíblia. A perda do conhecimento passaria a ser mais vantajosa do que a sua busca, gerando contradição doutrinária.
3. O conceito bíblico do pecado original vs. salvação automática
A visão popular de que toda criança que morre vai automaticamente para o "céu" entra em conflito com dogmas como o do pecado original (a culpa herdada desde Adão e Eva) e a Onisciência divina, a qual pressupõe que o destino espiritual do indivíduo já é conhecido por Deus independentemente da idade em que morre.
4. Diferenças de perspectiva entre tradições religiosas
O modo de enxergar a infância varia profundamente entre as culturas: enquanto o Hinduísmo a integra dentro da lógica de reencarnação e espíritos antigos, vertentes do Islamismo a tratam sob a tutela de propriedade paterna, e o Cristianismo oscila entre a afetuosidade bíblica e o rigor dogmático.
5. A negação do conceito de "folha em branco"
Uma criança não nasce como uma "tábula rasa" ou propriedade de terceiros; ela possui uma individualidade (seja sob a ótica espiritual ou genética) e deve ser respeitada como cidadã em sua condição, sem a necessidade de ser reduzida a um objeto de posse ou de idolatria.
6. Definição de criança e a valorização do conhecimento
Crianças são humanos com pouco tempo de vida. A principal característica evolutiva e biológica da espécie humana é a capacidade do cérebro de adquirir e produzir conhecimento, não fazendo sentido glorificar a ingenuidade como um estado superior ao amadurecimento intelectual.
7. Crítica aos dogmas rígidos e ao "psicologismo" moderno
Para que correntes de pensamento ou doutrinais se tornem mais coerentes, é preciso superar dogmas arcaicos e análises puramente emocionais. A aplicação da análise lógica e racional deve ser irrestrita, inclusive sobre temas considerados tabus ou hiperprotegidos pela cultura contemporânea.
.



