sexta-feira, 12 de julho de 2013

Abertura dos Portos

     “Perder uma ilusão torna-nos mais sábios do que encontrar uma verdade.”
[Ludwig Borne]

  Geralmente é mais fácil identificar uma ilusão que uma verdade, vejam um caso fascinante:

👨 “Tu (William) não conhece nada, eu vivi a era FHC, foi uma das piores da história.
    Na era Lula é a mesma coisa que estar no céu.”
[Comentarista no G+]          
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  Muitas vezes as pessoas misturam problemas pessoais com problemas de Governo.

  Economicamente o Governo FHC trouxe estabilidade e programas sociais importantes, a história bem registrada mostra isso.

  Evidente que se você durante o governo FHC trabalhava em um dos inúmeros bancos que foram fechados como o Nacional ou Bamerindus sua vida piorou.

  Em Setembro de 2004 começou uma fase terrível em minha vida, a empresa que eu trabalhava há anos passou por uma “fusão”, eu fui fritado.
  Minha vida piorou demais no governo Lula, mas é óbvio que foi um “azar pessoal”

  Lembrei de uma conversa que tive com meu grande colega Donísio. (O nome é esse mesmo)
  Era por volta de 1998, estávamos indo para fábrica de óculos em Indaiatuba.
  Donísio falava bem dos governos Sarney e Collor e muito mal do governo Fernando Henrique.
  Até do confisco da poupança feita por Collor ele falou bem uma vez que conseguiu resgatar e segundo ele o "dinheiro veio em boa hora".   
 [Caraca! Mas o dinheiro já era dele!]

  Nesse ponto eu o interrompi dizendo que o confisco do dinheiro foi no Governo Collor, mas a devolução não.

  O confisco gerou uma batalha judicial reivindicando os reajustes devidos, o rombo criado ficou para o Itamar e FHC pagarem.
  [Quando Lula chegou ao poder essa questão já estava resolvida embora exista processos até hoje.]

  Donísio gostou de Collor pelo confisco e não gostava de Itamar e FHC pela devolução!?
 [Inteligente, nesse ponto ele “parece” ter percebido sua ilusão/contradição.]

  Você deve estar resmungando:

  “Itamar Franco e Fernando Henrique não fizeram nada mais que a obrigação ao devolver o dinheiro confiscado por Collor.”
 
  Mas estamos falando de HISTÓRIA certo?
  Historicamente nem sempre obrigações de governos são cumpridas.
  Relembremos um caso...

  No Governo Sarney houve uma cobrança de compulsórios nos combustíveis que nunca foi devolvida.

    “No dia 23 de julho de 1986, através decreto nº 2288, o então Presidente José Sarney, criou um “empréstimo compulsório” para absorção temporária de excesso do poder aquisitivo, como medida complementar ao Programa de Estabilização Econômica.
   Empréstimo este exigido dos consumidores de gasolina ou álcool para veículos automotores, bem como dos adquirentes de automóveis de passeio e utilitários.
  Desta forma, qualquer consumidor que se dirigisse aos postos para abastecer, era obrigado a pagar o encargo de 28% a mais, sobre o preço destes combustíveis, recebia um comprovante e o valor pago a maior era recolhido aos cofres públicos, pelos donos dos postos.”


“Empréstimo compulsório” para absorção temporária de EXCESSO DO PODER AQUISITIVO.”  

  Cada coisa que a gente lê ... e é oficial.

  Mas voltemos ao caso Donísio...

  Meu colega havia entrado na empresa lá por 1993.
  (O Governo FHC começou em 1995 e terminou em 2002.)
  Era uma empresa pequena que não pagava bons salários porque não tinha como.
  Antes ele trabalhava em uma fábrica média de óculos, como tinha muitos anos na empresa e um cargo importante seu salário era bom.
  Acontece que foi demitido.

  Ele nunca entrou em detalhes sobre sua demissão, mas foram desentendimentos com o dono da empresa, a relação depois de anos ficou desgastada, até porque sua grande amizade era com o fundador da Empresa e quem estava no poder agora era o filho.

  Somado a isso tem aquela situação que acontece muito, seu salário ficou maior do que a Empresa estava disposta a pagar.
  Essa situação é repetitiva, você trabalha anos em uma Empresa, se dedica, faz por merecer um salário diferenciado aí vem um diretor sugerindo corte de custos e tudo que você já fez vira nada...

  De qualquer forma, eu disse ao meu colega que a demissão dele da antiga empresa não tinha absolutamente nada a ver com alguma coisa que a administração Itamar/FHC fez.
  A empresa que ele trabalhava continuava firme e forte...simplesmente o havia demitido.

  A redução de salário e benefícios foi brutal.

  “Nossa esperança” naquela empresa pequena de Indaiatuba era que ela crescesse e nossa conta bancaria crescesse junto.
  Ou seja a vida do meu colega piorou, ficou mais difícil, porque seus rendimentos diminuíram muito, mas para ele a piora foi culpa do Governo FHC!

   Sei lá!
  Vamos ver a dificuldade que podemos atribuir ao Governo.

  Eu acredito que o principal motivo da empresa que eu trabalhava não ter deslanchado foi o excesso de pirataria.
  Até o Governo Collor, importar era bem difícil [caro e complicado].
  O Governo militar e depois o de Sarney eram muito protecionistas da indústria nacional.
  Collor fez bem em facilitar as importações, "reabrir nossos portos", mas falhou no combate ao CONTRABANDO.

  Itamar, FHC e Lula também não foram eficientes nesse combate.

  Possivelmente, se os últimos Governos fossem mais eficientes no combate à pirataria, minha vida financeira "poderia" estar melhor...tudo é muito subjetivo.

  Temos fronteiras enormes e tantos outros problemas que combater a pirataria foi relegada a segundo ou terceiro plano para os governos.

  Por parte da empresa (já na pré –fusão) houve uma falha administrativa, por um tempo aproveitamos a facilidade de importação para comprar insumos no exterior, isso barateava a produção e nos mantinha competitivos, mas algum “gênio” decidiu fabricar componentes na própria empresa ou comprar de fabricantes nacionais, isso mesmo, a diretoria da “Tecnol” se convenceu que poderíamos competir com coreanos e chineses em pé de igualdade.

  Eu avisei da loucura, mas já estávamos em processo de fusão, minha opinião que já valia pouco foi reduzida a quase nada.
  Quem era eu para questionar os caras com MBA?
  Com duas filhas pequenas e prestações do apartamento para pagar minha única opção lógica era embarcar na loucura e tentar fazer ela dar certo...

  No geral fica difícil creditar diretamente a algum Governo minha falta de sorte.

  Eu e meu colega estávamos em uma época boa, de grande crescimento mundial, mas no ramo/empresa errado ... azar o nosso.

   



     “O contrabando de CDs é conhecido.
   O de componentes de informática também já fez fama no mercado.   
   Os piratas, agora, estão se aventurando em outros mares: o comércio de óculos.
   Segundo cálculos da Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos (Abiótica), um terço do faturamento do setor no ano passado foi abocanhado pelo comércio ilegal.
   Neste ano a situação ficou ainda pior.
   Entre janeiro e maio, segundo levantamento da entidade, 67% das armações de grau e de sol vendidas no Brasil eram de origem duvidosa, em torno de R$ 100 milhões.
   Nesse mesmo período, a Receita Federal deixou de arrecadar R$ 200 milhões e 2.700 trabalhadores foram mandados embora por causa do encolhimento do setor.






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