Ricardo: Essa história de que "o trabalho dignifica o
homem" é papo de quem explora.
O que dignifica o homem é trabalho bem remunerado.
E todo trabalho tem que ser bem remunerado, seja ele intelectual seja ele manual, tudo que contribui para a vida em sociedade tem de ser bem remunerado.
William: “Pra mim” o que dignifica o ser humano é agir com ética seja qual for a situação.
Quanto a remuneração é a lei da oferta e demanda o “romantismo” só complica as coisas.
O prefeito quer pagar 5 salários mínimos para o gari?
A prefeitura vai ter que arrecadar mais impostos, todos vamos pagar.
Quanto ganhamos não é tão importante quanto o que conseguimos comprar com o que ganhamos.
Podemos facilmente subir o salário mínimo para 10 mil.
O dono da padaria, só um exemplo, vai ter que aumentar tudo que vende de forma a cobrir a folha salarial.
O dono não faz dinheiro surgir do nada, o lucro é uma fração do faturamento que vem da venda de produtos.
Todos podemos ganhar 10 vezes mais e vamos pagar tudo 10 vezes mais caro.
Essa lógica entra em sua mente?
As coisas ficam mais baratas ou menos caras se aumentamos a produtividade.
Se a padaria automatiza alguma coisa, produzindo a mesma quantidade de pão sem aumentar custos ela pode cobrar mais barato ou ter mais lucro.
Se ela produz a mesma quantidade de pão e aumenta os custos, têm que vender mais caro ou diminuir o lucro.
Não conheço nenhuma padaria que lucra dez vezes mais do que seu custo de operação.
Em um cálculo tosco seria uma lucratividade de 1000%!!!
(O cálculo é tosco porque não é só a folha salarial que compõe o custo)
Na realidade, uma padaria que consegue ter 10% de lucro sobre tudo que gastou é um comércio espetacular, os supermercados não conseguem isso.
Estão na média de 3%.
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Resumo:
1. Ética como fundamento da dignidade humana: Para você, o que dignifica o ser humano não é o trabalho em si, mas agir com ética em qualquer situação — uma visão mais ampla e menos condicionada ao contexto econômico.
2. Remuneração é regida pela lei da oferta e demanda O "romantismo" em torno de salários justos ignora a lógica econômica real. Interferências artificiais nos preços do trabalho têm consequências que se propagam por toda a cadeia produtiva.
3. O que importa é o poder de compra, não o valor nominal do salário Ganhar mais não significa viver melhor se os preços sobem na mesma proporção. A variável relevante é quanto se consegue comprar com o salário, não o número em si.
4. Aumentos salariais generalizados geram inflação proporcional Dobrar ou decuplicar salários sem aumento de produtividade força os comerciantes a repassar os custos nos preços — o exemplo da padaria ilustra isso de forma concreta e acessível.
5. O lucro do comerciante é uma fração pequena do faturamento O dono da padaria não "cria dinheiro do nada": o lucro vem da diferença entre receita e custos. Forçar aumento de salários sem contrapartida produtiva comprime ou elimina esse lucro.
6. Margens de lucro no comércio são estreitas — em torno de 3% a 10% Uma padaria com 10% de lucro já é excepcional. Supermercados ficam na média de 3%. Isso mostra que não há "gordura" para absorver aumentos salariais sem reflexo nos preços.
7. Produtividade é o caminho real para preços menores e salários reais maiores A redução genuína de custos vem da automação e ganhos de eficiência, não de decretos salariais. Produzir mais com o mesmo custo é o que permite preços menores ou lucros maiores de forma sustentável.
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