segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Paralelas Opostas

  “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.”  [Jiddu Krishnamurti]

  Esse pensamento é muito bom, concordo com ele.

  Aqui no Brasil tantos votam em pessoas corruptas, sem dúvida estão bem adaptados ao fisiologismo.

  “Fisiologismo é um tipo de relação de poder político em que ações políticas e decisões são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros benefícios a interesses particulares, em detrimento do bem comum.
  Está estreitamente associado à corrupção política, uma vez que os partidos políticos fisiologistas apoiam qualquer governo - independentemente da coerência entre as ideologias ou planos programáticos - apenas para conseguir concessões deste em negociações delicadas.” [Wikipédia]

  Suponhamos que você seja um cara violento e comete um assassinato.
  Fica preso com outros homens igualmente violentos e se adapta bem a vida na prisão.
  Se consideramos a violência desmedida uma ineficiência mental/comportamental o fato de você se adaptar a um grupo não cura ou anula sua doença.
  No caso da violência fica muito fácil para maioria de nós se posicionar.
  Uma sociedade pacífica é saudável, uma sociedade violenta é doente.

  Mas vamos pegar um tema polêmico qualquer.

  A Sociedade que permite o aborto é doente ou saudável?

  Se você é a favor do aborto considerará essa sociedade saudável, se for contra vai considerar doente.
  E aqui entramos em uma filosofia complexa.

  Meditando sobre o pensamento em destaque, se ignoro o autor Jiddu Krishnamurti, acho o pensamento muito bom.
Paralelas Opostas
  No entanto meu animo com o pensamento não se estende ao autor.
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  Jiddu é um daqueles inúmeros pensadores que pregam o Ascetismo e (inspirado no budismo) a aniquilação do EU.

  “Um homem virtuoso é um homem correto, e um homem correto nunca pode compreender o que é verdade; porque virtude para ele é o revestimento do ego, o fortalecimento do ego; porque ele persegue a virtude.
  Quando ele diz, “Eu devo ser sem ambição”, o estado em que ele é sem-ambição e que ele experimenta, fortalece o ego.
  Por isso é tão importante ser pobre, não só das coisas do mundo, mas também de crença e conhecimento.
  O homem rico de riquezas mundanas, ou um homem rico de conhecimento e crença, não conhecerá nada além de escuridão, e será o centro de toda mistificação e miséria.
  Mas se você e eu, como indivíduos, pudermos ver todo este trabalho do ego, então conheceremos o que o amor é.
  Eu lhe asseguro que essa é a única reforma que pode possivelmente mudar o mundo.
  Amor não é o ego. O ego não pode reconhecer o amor.
  Você diz, “Eu amo”, mas no próprio dizer, na própria experiência disto, o amor não está.
  Mas, quando você conhece o amor, o ego não está.
  Quando existe amor, o ego não existe." [J. Krishnamurti em Aos pés do mestre]

  O que dizer dessa explanação de Jiddu senão que é uma ode a ignorância e pobreza?
  Não busque *conhecimento nem bens materiais, anule o eu, busque ser nada e se integrar ao Universo ... nada mais budista.

[*Esse conhecimento ao qual ele se refere é o conhecimento do “mundo”. Jiddu quer que você busque o conhecimento “espiritual” que pertence a ele e outros poucos “iluminados”.]

  Ascetismo é uma doutrina filosófica que defende a abstenção dos prazeres físicos e psicológicos, acreditando ser o caminho para atingir a perfeição e equilíbrio moral e espiritual.
  Convencionou-se associar o ascetismo à espiritualidade, porém, não são todos os exemplos de ascetas que buscam atingir um nível elevado divinal ou conquistas espirituais.
  Os antigos espartanos, por exemplo, eram expostos a situações de extremo sofrimento físico e psicológico, com o intuito de estarem preparados para combater em guerras, tornando-se combatentes mais resistentes.
  Ascetismo laico
  O ascetismo laico é um conjunto de representantes religiosos propostos pelo intelectual e “pai da Sociologia” Max Weber.
  O calvinismo, o pietismo, o metodismo e as seitas do movimento batista são algumas das doutrinas religiosas protestantes que compõe o chamado ascetismo laico.
  Em seus estudos sobre o "espírito" do capitalismo, Weber também explica o conceito do ascetismo mundano, uma concepção de comportamento social em que os seguidores das doutrinas religiosas protestantes se dedicavam à aplicação profissional, sem se importar pelos prazeres que o acumulo de riquezas poderia trazer.
  Weber ainda apresentou em seus estudos as definições de ascetismo intramundano e extramundano, que consiste na aceitação de uma religiosidade mais racional, com algumas práticas seculares, e a ideia de que as "coisas de Deus" são paralelas e opostas às "coisas do mundo", respectivamente. [Significados]
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    As "coisas de Deus" são paralelas e opostas às "coisas do mundo".


  Para você que só ia na escola comer merenda e azarar as meninas, entenda o básico.
  Retas paralelas são retas que nunca se encontram.
  No caso do pensamento exposto temos que pensar em seguimentos de reta que vão em direções contrarias/opostas.

  Outro conhecimento que você precisa adquirir:

  “A história academicamente aceita sobre a origem das Igrejas Batistas é o surgimento como um grupo de dissidentes ingleses no século XVII.
  A primeira igreja batista nasceu quando um grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em 1608, liderados por John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrinas batistas.
  John Smyth discordava da política e de alguns pontos da doutrina da Igreja Anglicana da qual ele era pastor após uma aproximação com os menonitas e, examinando a Bíblia, creu na necessidade de batizar-se com consciência e em seguida batizou os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim a primeira igreja batista organizada.
  Até então, o batismo não era por imersão, só os batistas particulares, por volta de 1642, adotaram oficialmente essa prática tornando-se comum depois a todos os batistas.
  A primeira confissão dos particulares, a Confissão de Londres de 1644, também foi a primeira a defender o imersionismo no batismo.” [Wikipédia]

  Inglaterra e Holanda eram grandes potencias por volta de 1600.
  Não que essa pratica de colocar em oposição coisas de Deus e coisas do Mundo fosse original ou nova, mas ela recebeu um novo e grandioso impulso no Iluminismo.
  Como Deus é sempre todo bem, sobra para as coisas do Mundo ser todo mal.
  Como estamos no mundo não dá para ficar sem comer, por exemplo, mas temos que comer o mínimo possível.
  Sexo deve ser só para procriação, o prazer sexual é coisa do mundo e deve ser evitado.
  Convencionou-se que coisas de Deus são coisas do espirito e as coisas do mundo são bens materiais.
  Como matéria e espirito seguem em linhas opostas, quanto menos apego a matéria você tiver, um espirito melhor você será.

  Lembre-se que a vida na Terra é passageira e a espiritual é eterna a decisão parece “lógica”.

  Humm .... parece lógica, mas é mesmo?
  Para ser lógica você tem que aceitar a premissa que:
  A espiritualidade é oposta a posse de bens ou prazeres físicos.

  Como cientificamente não temos nenhuma prova inconteste que somos espíritos e que em consequência existe um mundo espiritual ... isso torna-se uma questão de Fé.
  Eu que sou um homem sem Fé não tenho porque colocar o prazer físico ou a posse de bens materiais em oposição a espiritualidade.
  Não sou ateu, observo sinais de interferências, mas daí a deduzir que a posse de bens ou prazer físico ofende a algum espírito ou Deus ... há uma distância enorme.

  Uma sociedade de consumo como a nossa é considerada doente no ascetismo.
  Eu sou adaptado a nossa sociedade então sou doente segundo a visão de vida de Jiddu e seus pares.

  De certo apenas pão e café seriam suficientes para um desjejum de manhã e para muitos pensadores eu não deveria desejar mais que isso.
  O problema é que desejo, posso pagar, e não me sinto mal com isso.
  Gosto de margarina de boa qualidade.
  Não gosto de café puro, prefiro que a maior parte seja leite sem lactose.
  Em casa sempre tem mortadela, eu gosto.
  Goiabada com mussarela também me agrada.
  Domingo tem feira perto de casa e se não estou de plantão compro pastéis.

  Tudo em excesso faz mal, não há nada de novo nessa percepção.

  Eu não consumo todas essas coisas no mesmo dia.
  No meu caso só tomo café da manhã quando estou de folga e depois geralmente pulo o almoço ou almoço bem pouco.
  O comum é eu almoçar ás 8 horas e pular o café da manhã.


  Sinceramente não vejo razão para me privar de prazeres só porque muitos acreditam em uma vida sem supérfluos.
  É uma crença deles não minha.
  A natureza nesse planeta é uma natureza de fartura.
  E difícil você encontrar uma planta frutífera que não produza um fruto enorme como a melancia ou generosos cachos como uvas e bananas.
  Mares, rios e lagos possuem uma infinidade de seres comestíveis o mesmo acontece na superfície terrestre.
  Como se não bastasse, nossa inteligência nos permite processar uma infinidade de alimentos e sabores.

   Todo excesso é prejudicial e na questão ambiental há claramente um excesso de humanos nesse planeta, 7 bilhões é gente demais.

  Jiddu é um pensador indiano que reflete sua cultura; na minha opinião ineficiente.
  Eu considero mais saudável uma sociedade como a canadense com poucos humanos e uma boa qualidade de vida.
  Indianos brindam a vida procriando feito ratos, não se importam com a qualidade de vida.
  Considerando que nenhuma sociedade é 100% saudável ou 100% doente.
  Por qual você optaria, se adaptaria melhor:

Canadá – População► 34 milhões
                    Renda Per capita► 44 mil
                    IDH►  8º

Índia – População► 1 Bilhão e 200 milhões
               Renda Per capita► 6 mil
               IDH►  135º

  “O homem só é feliz pelo supérfluo, no Comunismo só se tem o essencial.
  Que coisa abominável e ridícula!” [Nelson Rodrigues]


  [Eu não acredito em felicidade, mas sim em colecionar momentos bons como comer um delicioso pão com mortadela.]



  Obs: Coloquei a frase de Nelson porque ela fala sobre “supérfluos”.
  A Índia não é um país Comunista/Socialista e ... nem Liberal/Capitalista.

  A Índia é um Frankenstein Econômico, igual o Brasil e tantos outros países subdesenvolvidos.
  Por conta disso ficam com o pior dos dois mundos pobreza e extrema concentração de renda.
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