segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sobre Testemunhos

  “Só confie numa testemunha quando ela fala de questões em que não se acham envolvidos nem o seu interesse próprio, nem as suas paixões, nem os seus preconceitos, nem o amor pelo maravilhoso.
  No caso de haver esse envolvimento, requeira evidência corroborativa em proporção exata à violação da probabilidade evocada pelo seu testemunho.” 
 [Thomas Huxley]

  Thomas nos fala de como é difícil encontrar um testemunho plenamente confiável, vamos aceitar a provocação e flutuar por essa brecha.

Não podemos ter “Fé cega” em testemunhos.

  Danilo Gentili entrevistou Milhem Cortaz, ator que participou do filme Tropa de Elite, o ator disse que o grande impulso de sua carreira foi ganhar um prêmio que disputou contra Paulo Autran, esse evento o fez ser reconhecido na mídia.
  Até aí nada que me provocasse, o rapaz é bom ator e Paulo Autran já tinha ganho tantos prêmios de teatro que até foi coerente dar o prêmio como incentivo a um jovem ator.
  Todos sabemos que os critérios para julgar o trabalho de um ator são bastante subjetivos, vai muito da qualidade da peça até o gosto particular de cada jurado.
  Sempre gostei muito de Sean Conery, mas já encontrei pessoas que o acham um canastrão que deu sorte.

  A parte que me surpreendeu na entrevista foi que na peça que lhe proporcionou o prêmio ele fez o papel de um homossexual e disse que foi "corajoso" em interpretar um personagem gay em 1994!

  Durante a entrevista ele se reconheceu indisciplinado no início da carreira e por conta disso não lhe ofereciam bons papéis.
  Ele precisava trabalhar e aquele foi o trabalho menos ruim que lhe ofereceram; aconteceu que a peça acabou dando certo, foi um sucesso.
  No mundo do teatro e do cinema isso já aconteceu várias vezes e acontecerá outras tantas.

  Me lembrei agora que bons atores não quiseram participar de Star Wars, o cache não era bom , o roteiro não era do tipo que fazia sucesso naquela época.
  O ator mais conhecido do filme só aceitou participar se recebesse uma parte do faturamento do filme, como ninguém esperava grande faturamento lhe concederam esse pedido... o cara ganhou rios de dinheiro.

  Lembrei também que quem foi convidado para ser Indiana Jones foi Tom Selleck [o eterno Magnum], mas como não deu muita importância ao filme e tinha outros compromissos o papel caiu no colo de Harrison Ford [o eterno Indiana Jones]
  O mesmo Harrison que participou do “azarão” Star Wars ... esse nasceu com sorte.

  Entendam o que me deixou surpreso.

  O ator creditou seu sucesso e o da peça a sua "coragem" de interpretar um homossexual em 1994.

  Gente, gente, gente na década de 80 o mundo inteiro ficou assustado com a AIDS.
  Na história contemporânea nunca se falou tão abertamente sobre sexo como na década de 80.
   Você que nasceu em 1976 tinha 18 anos em 1994, uma idade para ter bom entendimento das coisas até segundo nossa vã Psicologia.
  Puxe pela memória, havia essa perseguição a homossexuais a ponto de um ator ficar "marcado" por interpretar um gay!?

  Percebem como as pessoas deturpam o passado?

  Não estou dizendo que é deliberadamente ou por mal, mas as pessoas pintam o passado com cores imaginarias... boas ou más.
  Ainda bem que desenvolvemos métodos que permitem que o passado fique satisfatoriamente registrado, mas lembrem-se que esse é um avanço recente na humanidade.
  Sei lá!
  Minha filha que nasceu em 2000 se visse o depoimento desse entrevistado e não fizesse pesquisas sobre a década de 1990 iria pensar que em 1994 havia uma homofobia generalizada.
  Eu trabalhei com homossexuais em todas as empresas que passei, tive amizade com muitos, eles eram tão bem aceitos em 1994 quanto são em 2013.
  Não me lembro de nenhum gay ser discriminado ou agredido por sua opção sexual, brincadeiras sempre tem.
  Em fabrica os caras acham apelido para tudo, é um zoando o outro, claro que os homossexuais não ficam de fora.

  A realidade por traz dessa historinha contada pelo ator é outra, pelo menos na minha observação.

  Muitos homens (ou mulheres) do meio artístico não assumem sua homossexualidade por uma questão FINANCEIRA.

  Muitas de suas fãs tem fantasias sexuais com eles, se descobrem que o cara é gay naturalmente perde o encanto.
  Quantas mulheres hoje em dia tem fantasias sexuais com Rick Martin?
  Claro que isso reflete no volume de vendas de sua obra e shows.

  Se somarmos o número de gays e lésbicas não chega nem a metade do universo de mulheres heterossexuais, claro que o mercado consumidor hétero é muito maior.

  Um ator bonitão que fatura dinheiro participando de bailes de formatura tem muito a perder financeiramente caso fique público que ele é gay.
  Não se trata de preconceito se trata da garota hétero querer fazer par com um “príncipe” e não uma “princesa.”
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  Tenham muito cuidado com lembranças do passado mais distante.

 [Deturpar o passado é mais uma daquelas coisas “infernais” que acontecem na Sociedade.]

  Coloco minhas memórias aqui no blog com muito cuidado, antes de escrever reviso todos os acontecimentos com a visão de vida que tenho hoje.
  Sempre ressalto que estou contando o acontecido como “EU” me lembro.

  Tanto no passado quanto no presente não tenho como estar na mente das pessoas, algo que eu interpretei como desprezo de alguém pode não ter passado de eu ter pego a pessoa em um mau dia.

  Também temos a tendência de nos passarmos sempre por vítima.

  Exemplo:

  Digo que minha mãe batia “fácil” na gente, mas se relato alguma surra faço questão de buscar em minha memória O QUE EU FIZ PARA A AGRESSÃO ACONTECER.

  Lembrei agora de uma surra, porque ela aconteceu?

  Corri atrás de uma Kombi com caçamba para me pendurar na traseira, a brincadeira chamava “pegar rabeira”.
  [Outros coleguinhas “idiotas” faziam isso].

  Da série “todo mundo odeia o William” ...

  A rua era de terra no Bairro Boa Vista, tropecei, caí, me ralei todo no chão, passei vergonha diante dos colegas e como se não bastasse MINHA MÃE VIU!
  Como eu me ferrei todo bem que minha mãe podia dar só um sermão e não me bater, mas contando a história “como me lembro” SEM DETURPAR OS FATOS CONSCIENTEMENTE... fica evidente que tive minha parcela de culpa.
  Minha mãe não queria mais que eu fizesse aquilo e fez questão de deixar bem claro.
  Note que se eu apenas falasse da surra que levei você iria fazer uma imagem muito negativa de minha mãe.
  Uma imagem que não corresponderia a REALIDADE.


  Enfim, não aceite sem PESQUISAR a visão que outros tem do passado, tenha sua própria visão.
  Depoimentos são...depoimentos.

  Não podemos confundir “testemunhos” com a mais pura "expressão da verdade."

  [Em tempos de delação premiada precisamos ficar atentos]








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PS: Fico impressionado com o número de pessoas que não sabem ou não querem clicar em um link de Internet!
  O complemento do texto (ou fonte) está no link, mas quem clica?
  Preferem simplesmente discordar ... “pegar rabeira” em suas convicções.



 “As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.”
  [Friedrich Nietzsche]









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