Douglas: O voto dado não tem mais dono, e quem recebe não deve nada a ninguém.
O povo é inocente.
William: Você faz parte do povo.
É eleito vereador.
Deixa de fazer parte do povo porquê?
Qual sua reposta LÓGICA?
Douglas: Vou dar um exemplo.
Você recebe um milhão de votos, vindo de não sei qual região, de quais tipos de pessoas, onde consta a exigência de qual responsabilidade e com quem você teria?
William: Cometer crimes como receber propinas continua crime previsto em lei, eu ser eleito não muda isso.
Se eu quiser continuar na política (a maioria dos mandatos duram 4 anos) não iria irritar os que me elegeram.
Mas se os que me elegeram não se importam com crimes e traições ideológicas... dai sim, tudo depende do meu próprio caráter.
Não tem povo inocente.
(Tem inocentes em meio ao povo)
Exemplo:
Conhece Joice Hanselmann?
Nunca sai nas ruas para manifestações, simplesmente vou seguindo (observando) o posicionamento e comportamento dos políticos e candidatos.
Votei na Joice no primeiro mandato.
A achei muito "barraqueira", perdeu meu voto.
Votei na Joice no primeiro mandato.
A achei muito "barraqueira", perdeu meu voto.
Foi eleita deputada federal nas eleições de 2018, foi a
mulher mais votada para a Câmara dos Deputados da
historia do Brasil.
2018 - 1.078.666 votos
2022 - 13.679 votos
Não foi reeleita, perdeu mais de 1 milhão de eleitores.
✧✧✧
Resumo:
• 1. O eleito continua fazendo parte do povo: Você confronta a ideia de que o político se torna um ser isolado ou imune à lógica social após a eleição. Para você, o vereador (ou qualquer eleito) não deixa de ser parte do povo, devendo manter a mesma coerência lógica e moral que se espera de qualquer cidadão.
• 2. A lei e os crimes não mudam com a eleição: Você argumenta que o mandato político não zera ou relativiza a legalidade. Práticas ilícitas, como receber propina, continuam sendo crimes previstos em lei, independentemente de quantos votos o político tenha recebido.
• 3. O pragmatismo da reeleição e o respeito ao eleitor: Para o político que deseja uma carreira longeva (já que os mandatos são temporários, geralmente de 4 anos), é irracional e autodestrutivo "irritar" ou trair a base que o elegeu.
• 4. A responsabilidade moral do eleitor ("Não tem povo inocente"): Este é um pilar forte do seu argumento. Você defende que, embora existam indivíduos inocentes no meio da população, a coletividade ("o povo") compartilha a responsabilidade pelos rumos da política. Se o eleitor não se importa com crimes ou traições ideológicas, a conduta do político passará a depender exclusivamente do caráter individual dele.
• 5. O voto como instrumento de punição (Caso Joice Hasselmann): Você ilustra sua tese de forma prática usando o exemplo da deputada Joice Hasselmann. Ao mostrar a queda drástica de mais de 1 milhão de votos em 2018 para apenas 13 mil em 2022, você prova que o eleitorado observa, pune comportamentos indesejados (como o excesso de "barraco") e retira (ou deveria tirar) o poder de quem o decepciona.
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