terça-feira, 26 de julho de 2016

Cânone Muratori

  “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente.”
[Soren Kierkegaard]
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Parábola do trabalhador de última hora.

   Tendo chegado os que trabalharam 1 hora, receberam 20 reais.      
   Os que trabalharam 8 horas pensavam que haviam de receber mais; porém receberam igualmente 20 reais.
  Ao receberem murmuravam contra o empregador.

 - Estes últimos trabalharam somente uma hora e os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia e o calor extremo.

  Mas o empregador disse a um deles.

 - Meu amigo não te faço injustiça, ajustaste comigo 20 reais e estou lhe pagando 20 reais.
   Toma o que é teu, e vai-te embora; pois quero dar a este último tanto como a ti.
  Não me é lícito fazer o que me apraz do que é meu?
  Acaso o teu olho é mau, porque eu sou generoso?
  Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.
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  Deus de Abraão no Novo Testamento dá privilégios para quem ele quer, não há mérito.
  Deus é todo poderoso e faz o que lhe dá na cabeça, não cabe a nenhum de nós contestar.
  Mas é se contestarmos?

  Antes é preciso adquirir conhecimento:

   “O Cânone Muratori, é uma cópia da lista mais antiga que se conhece dos livros do Novo Testamento.
  Na lista figuram os nomes dos livros que o autor (desconhecido) considerava admissíveis, com alguns comentários.
  A lista está escrita em latim e encontra-se incompleta, daí ser chamada de fragmento.
  Apesar de ser consensual datar o manuscrito como sendo do século VII, ele é cópia de um texto mais antigo, datado como tendo sido escrito por volta do ano 170.
  Os livros canónicos mencionados na lista são aproximadamente os mesmos que se consideram hoje como canónicos.
  O Cânone de Muratori aceita quatro evangelhos, dos quais dois são o Evangelho de Lucas e o Evangelho de João. “

Evangelho de Mateus.

  “Alguns estudiosos acreditam que o Evangelho de Mateus foi composto na parte final do primeiro século por um judeu cristão, o período mais aceitável por evidências históricas é entre a queda de Jerusalém 70 D.C. e de Inácio de Antioquia escrever a Epístola aos Esmirniotas ao redor de 115 D.C.”

  Em meus debates com ateus fica claro que muitos não acreditam em Deus porque não acreditam na Bíblia.
  Para eu isso é estranho porque eles limitam a “ideia de Deus” ao que está escrito na Bíblia.

  Para ateus Deus é o que está descrito na Bíblia ou não existe.

  Para evangélicos limitar Deus a Bíblia faz um “lamentável" sentido.
  Afinal eles tem a certeza que Deus existe e escreveu a Bíblia, ela é 100% a palavra do Deus de Abraão.
  A parte lamentável é que o Deus que vemos na Bíblia é terrível, impossível de qualquer um com o mínimo de bom senso adorar.

  “Samuel disse que Deus ordenou que Saul destruísse totalmente o povo amelequita, não poupasse mulheres, crianças ou animais.
  Sabem porque Deus ordenou o tal massacre?
  Porque há 400 anos atrás os antepassados dos amelequitas fizeram mal ao povo de Israel.
  Isto mesmo! O Deus da Bíblia esperou 400 anos para se vingar nos descendentes do povo amelequita.” [Positivo ou Negativo]

  Ateus limitarem a ideia de Deus a Bíblia é ... incoerente ao extremo.
  Se você tem certeza que Deus não existe então a Bíblia só pode ter sido escrita por homens.
  E que homens seriam esses?
  Pessoas que viveram do século 100 ao 200.
  Atribuímos a Igreja Católica a confecção da Bíblia e de uma certa forma foi, mas ela apenas organizou escritos que circulavam na época.
  Não é que Papa e Bispos se reuniram em um concilio e “escreveram” a Bíblia.

  Tanto ateus quanto evangélicos deveriam analisar a ideia de “deus/ deuses/espíritos” com o conhecimento que dispomos hoje.
  Limitar a ideia da existência de outras formas de vida ao conhecimento do ano 200 ... não tem lógica para mim.

  Vamos analisar a parábola do trabalhador de última hora com uma visão atual do que foi proposto há mais ou menos 1900 anos...
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  “Não me é lícito fazer o que me apraz do que é meu?
  Acaso o teu olho é mau, porque eu sou generoso?
  Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.”
 
  Sem dúvida foi muito generoso com o trabalhador da ultima hora, mas se você fosse o trabalhador da primeira hora não se sentira muito injustiçado?
  Você vai dizer que não houve injustiça porque foi pago o combinado.
  Então no mínimo houve privilegio dado a alguns de trabalharem menos. Houve uma acepção de pessoas.

  “Se, porém, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado.”
[Tiago 2,9]


  Para defender que não a contradição na parábola em questão, na igreja nos é dito que ela se refere a salvação e nosso lugar no “paraíso”.
  Não importa para Deus se sua conversão ocorreu na adolescência ou na terceira idade o prêmio é o mesmo.

   Se o prêmio é o mesmo compensa você pensar em conversão só lá pelos 40 anos e tomar cuidado para não morrer antes.
  Até uns 35 você peca tudo que tem direito, nessa idade já deve ter encontrado alguém legal para casar.
  Case e viva a vida de um cristão exemplar.

  Eu conheço e você também deve conhecer muitas pessoas com mais de 45 anos que são membros dedicados da igreja.
  Você olha para pessoa e pensa: “que ser humano exemplar coisinha bonitinha de Deus.”
  Entretanto de algumas pessoas eu conheço a história e quando jovem era uma coisinha bonitinha do capeta.

  Tem pessoas que você não conhece o passado, mas é cada testemunho...
  Dos bebuns e usuários de drogas são os mais bizarros.

  Tem também aquelas senhoras que nos parece tão respeitáveis e atualmente até são, mas no passado se fossem protagonista de alguma novela seria “Fogo no Rabo.”

  Já conversei com muitas dessas pessoas e vou reproduzir aqui a resposta padrão que elas usam para os jovens não ficarem no “mundo.”

  “A vida na igreja e tão boa que quanto mais cedo você estiver em comunhão melhor.”

  Muitas nos falam do seu enorme arrependimento de não ter se convertido antes ... me engana que eu gosto.

  Quanto a vida na igreja é boa para um jovem?

  A juventude é uma época de experimentações.
  Eu nunca senti vontade de fumar, beber ou usar drogas, mas sei que muitos jovens experimentam essas coisas.
  Quanto ao namoro você não pode ficar testando parceiras, bom para Igreja é que seja só uma e sexo só depois do casamento.
  Sem dúvida a conversão desde a juventude possibilita uma vida mais segura.
  No entanto uma juventude sem aventuras não agrada a maioria das pessoas.
   Deve ser chato envelhecer tendo na sua lembrança só cultos de louvores e adoração, mas cada um é cada um, respeito quem faz essa opção.

  Conversando com pessoas que tiveram uma vida “do mundo” e depois viveram para Igreja não consigo notar arrependimento de fato.

  [Esse assunto e delicado não me faltam exemplos, mas eu indelicadamente exporia pessoas próximas e isso não é legal.
  Eu não sou um bom exemplo para esse texto porque sempre fui bem careta, mas vamos tentar.]

  Quando morava no bairro São Bernardo por um tempo havia em um barracão onde é o atual Objetivo uma espécie de discoteca.
  Aquelas músicas bonitas chegavam até em casa e eu via aquelas pessoas muito bem arrumadas e felizes indo para o baile.
  Eu queria tanto estar no lugar delas, saber como era dentro daquele barracão.
  Meus primos mais velhos iam na Assampi.
  Associação de amigos do Parque Industrial, tudo parecia tão lindo tão divertido.
  Entretanto minha adolescência foi de muitas dificuldades.
  Toda aquela agitação seria só um sonho que nunca se realizou.
  Seria...
  Eu fiz um curso de modelo e manequim entrei em um mundo de gente muito bonita e fazia desfiles em boas casas noturnas de Campinas.
  Conheci ambientes muito mais requintados que o barracão perto de casa ou a Assampi.
  Não tenho como dizer que estou arrependido da minha fase de “mundo.”
  Para ser franco lamentaria que isso fosse apagado da minha vida/memoria.

  Se hoje consigo ser sereno é porque sei que lá fora não tem nada que me interesse.

  E se tivesse eu faria com comedimento.

  Suponhamos que um grande prazer na vida fosse tomar cerveja com amigos no bar ... não vejo nada de terrível nisso.
  Problema seria beber até cair ou dirigir embriagado.

  Suponhamos que eu gostasse demasiadamente de sexo.
  Eu não teria me casado ou já estaria separado.
  Se uma mulher de livre espontânea vontade aceita transar comigo, qual o problema?
  Problema é eu estuprar, fazer sexo sem o mínimo de proteção ou colocar filhos no mundo que não pretendo criar.


  Para entender essas coisas foi importante sair no mundo.
  Se não saísse eu ficaria com ilusões sobre muitas coisas que poderiam afetar minha serenidade.
  Eu saí no mundo e vi pessoas bêbadas e drogadas e elas ficavam muito alegres/descontraídas, mas um tanto bobas rindo de qualquer coisa.
  Essa desconexão seria tolerável e até desejável, entretanto vi também muita vida destruída, porque correr esse risco desnecessário?

   Se eu tivesse me casado cedo com a primeira mulher que quisesse namorar comigo não seria o fim do mundo, conheço pessoas que isso aconteceu e a sua maneira vivem bem.
  Mas sei lá, minhas experiências me deixaram tão maduro.
  De certo minha esposa não seria a Mara, só a conheci quando já estava um tanto entediado com o mundo das “agitações”.

 Entretanto em algumas igrejas atuais está bem mais fácil passar a juventude porque elas não cobram um comportamento padrão recatado.

  Fale com uma moça da igreja Católica ou da Universal do Reino de Deus.
  Não há um patrulhamento rigoroso da comunidade em volta dela.
  Roupas, ela pode usar as do mundo.
   Em várias denominações ninguém vai isolar uma evangélica só porque ela trocou de namorado pela terceira ou quarta vez, no máximo vai haver muita fofoca.
  Atualmente muitas religiões o jovem pode frequentar sem necessariamente perder os prazeres e experimentações da juventude.
  É até bom que o jovem frequente uma igreja para que adquira um certo freio moral, viver as experimentações sem descuidar da segurança.
  Se minhas filhas frequentassem alguma igreja evangélica light ou fossem católicas não me preocuparia nem um pouco.
  Se frequentassem bailes funk ou baladas sertanejas haveria alguma apreensão.

  Ficaria igualmente apreensivo se entrassem em alguma igreja rigorosa, daquelas que saem evangelizando de porta em porta ou gritando versículos na rua.
  Não gostaria de ver minhas filhas fanáticas religiosas ... de qualquer religião.
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  Se você estiver em uma igreja com padrões morais muito elevados convém pensar se quando estiver mais velho não ficará amargurado por tudo que deixou de fazer.

  Se o prêmio é o mesmo porque ficar enfurnado desde cedo nos trabalhos da igreja?
  Isso serve para qualquer doutrina.

  Se o jovem Islâmico lesse de maneira light o Corão e frequentasse a Mesquita como uma atividade a mais e não como a maior razão de sua vida muitas frustações não ocorreriam.
  Será que o cara iria levar a sério essa história de 72 virgens?
  E a mulher islâmica, qual o prêmio dela?
  Ser uma escrava sexual no céu!?
  Vire uma prostituta aqui mesmo vem para o Ocidente e ganhe uma grana.

  Senhoras e senhores, esse texto não é para colocar em dúvida sua fé ou falta dela.
  Não é para agradar ou desagradar crentes ou ateus.
  É só para desabafar uma dúvida.

  Porque concedemos a palavra definitiva sobre o que é ou não é “Deus/Espíritos” a pessoas que viveram séculos, milênios atrás e nem sabiam da existência de vírus e bactérias?


  E agora, quem poderá me responder...


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