segunda-feira, 7 de março de 2016

Filosofia no Lugar da Religião

  “Série de suicídios de pastores acende alerta entre cristãos; Estudos apontam para altos índices de depressão entre líderes evangélicos.” [Gospel Mais]

  A internet foi um acontecimento totalmente inesperado para mim.
  Nem na minha imaginação pensei que teríamos algo parecido.

  Nos filmes futuristas o máximo que víamos eram ligações telefônicas com imagem.
  Mas cada indivíduo produzir seu próprio conteúdo e poder compartilhar instantaneamente com inúmeras pessoas é algo surpreendente.
  Meu primeiro contato com a Internet aconteceu em um curso da Microcamp, achei sensacional precisava ter aquilo em casa.

  Outra coisa que nunca imaginei e esta acontecendo é compartilhar a Filosofia Matemática com tanta gente.
  Claro que meu processo de meditar não tinha um nome, mas ele estava comigo desde que me entendo por gente.
  Escrever na Internet me obrigou a dar um nome para essas viagens ao abismo dos pensamentos.
  Como no início, para tornar claro meus pensamentos, eu usava muito estatísticas ... Filosofia Matemática me pareceu um bom nome.
  Quando o Blog com esse nome começou a ter muitos problemas técnicos no portal Terra fui obrigado a criar outro no Blogger.
  Como as estatísticas eram apenas um ponto de partida e os textos se desenvolviam mais a base de dedução lógicas ... me veio o nome de Terapia da Lógica que na minha concepção é a aplicação pratica da Filosofia na vida cotidiana.
  Mas chega de falar de coisas que não imaginei e aconteceram, vou falar de algo que imaginei para meu futuro e não aconteceu.
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    Eu pensava em minha fase adulta fazer palestras sobre textos bíblicos.

  Dar aulas na escolinha dominical na minha fase evangélica e quem sabe chegar a ser pastor, fazer o seminário da Igreja Presbiteriana.
  Quando migrei para o Kardecismo ainda me via no futuro fazendo palestras sobre textos bíblicos, divulgando a “palavra de Deus”.

  Eu tenho esse dom de compreender profundamente um livro pelo qual me interesso.
  A Bíblia me interessava muito e eu imaginava que com o passar dos anos me tornaria tão versado nela a ponto de fazer palestras.

  Bem ... eu li a Bíblia duas vezes na integra, fora isso já debati sobre versículos milhares de vezes.
  Mesmo com minha memória não sendo boa posso me dizer muito conhecedor da bíblia.
  Na primeira grande leitura eu aceitava todas as explicações recebidas na igreja presbiteriana da qual eu fazia parte.
  Na segunda eu já estava me afastando da igreja e usei processos mais lógicos.
  Foi fácil perceber que as palestras que eu faria sobre a Bíblia não seriam aceita em nenhuma igreja que eu conheço.
  Como pela “visão evangélica” eu não conseguia ver a palavra de um Deus “justo e bom” isso começou a me criar uma agonia mental.
  Na visão evangélica tudo que nos parece “feio” nas passagens bíblicas são apenas mistérios divinos os quais não temos capacidade para entender, simplesmente temos que ignorar a lógica ou a interpretação básica do texto e só dar glórias a Deus.

  Como eu disse, embora meu processo de meditação não tivesse um nome e nem fosse tão desenvolvido ele já estava comigo e ignorar a lógica ou a interpretação básica de um texto é quase impossível para minha mente.
  Eu tenho reflexos físicos ... é sério.
  Minha mente entra em espiral como se estivesse sendo sugada para um abismo sem fim, por isso chamo de abismo dos pensamentos.
  Na região do baço é como se surgisse uma ulcera, não, não tem dor, apenas um vazio.
  Se algo não faz sentido esse vazio começa no baço se estende para o pulmão, minha respiração fica “ansiosa”, o vazio vai tomando conta de mim.
  Se eu insistir em “me enganar” isso vai me deprimindo, minha respiração vai sumindo de mim ... tédio profundo.
  Aqueles sermões na Igreja Presbiteriana passaram do ponto da ansiedade, chegaram a um tédio profundo.
  O “ponto da ansiedade” é aquele que o palestrante fala uma coisa tão distante da interpretação básica do texto que dá vontade de interrompe-lo.
  [Cale-se, cale-se você me deixa dooooido!]
  O tédio é quando eu só quero sair do local, da situação, não acho que vale a pena falar alguma coisa...
  Ouvindo o culto não suportava mais as leituras destorcidas da Bíblia, não suportava mais o palestrante querendo transformar fel em mel ... não dava mais para continuar com aquilo.
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  O Kardecismo abria um horizonte novo até oferecia um Novo Testamento revisado:
  “O Evangelho Segundo o Espiritismo.”

  Ao me aprofundar na doutrina espírita vi tantas incongruências.
  De qualquer forma no Kardecismo eu me sentia mais “protegido”.
  Frequentei por uns 10 anos, não pela doutrina, mas pelos passes e orações.
  É uma religião muito voltada para caridade e eu gostava de fazer caridade.
  As palestras são curtas, 30 minutos em média (onde eu frequentava), nas igrejas evangélicas o culto se estende por até 2 horas.
  No entanto minha “proteção” parece ter acabado em 2005.
  Sem a proteção só me restava o tédio da doutrina espírita.
  Sem proteção eu não tinha dinheiro para caridade.
  Lá por 2007 me tornei oficialmente sem religião.

  Nenhum Kardecista ouviria uma palestra minha sem ficar muito indignado isso eu já sabia depois de 1 ano de Kardecismo.

  [Tudo isso foi preparação, agora entramos na essência desse texto, vem comigo!]
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  Perceber que esse caminho “natural” de fazer palestras não aconteceria não me deixou triste ou deprimido, eu não investi nada nessa atividade, lia, pesquisava porque gostava.

  Imaginem se meu primeiro encanto pela Bíblia me levasse a ser padre ou pastor e eu investisse muito nessas atividades.

  Como seria eu pastor despertando para as incongruências bíblicas?
  Eu sendo líder de uma igreja tendo que pregar aos fiéis algo que eu não acredito mais.
  Eu teria que ser um excelente ator para passar as pessoas algo que eu não estou mais sentindo ou concordando.

  Eu acredito que muitos padres e pastores esfriam ou até abandonam essa profissão de tanto lerem os livros sagrados e terem que se sujeitar a contorcionismos para dar algum sentido nobre ao que está escrito.
  Os pastores podem casar dando uma aliviada na questão sexual e no desejo de ser pai, os padres ainda tem mais essas duas cruzes para carregarem.

  "Cheguei a pensar nisso (suicídio).”
  “Tenho medo de "fanatizar" as pessoas, há uma linha tênue entre o fanatismo e a loucura.”

   Enquanto Marcelo estava fanático, acreditando que a Bíblia é 100% a palavra de um Deus justo e bom ele “vivia bem.”
  Provavelmente as dúvidas o levaram a ansiedade, não poder se expressar livremente o levaram ao tédio, e o tedio constante o levou a depressão.

  Marcelo investiu muito (para não dizer tudo) em sua carreira de padre.
  Tem fanáticos seguidores, cultos de louvor é o que ele sabe fazer de melhor ... como desistir de tudo que ele construiu com tanto esforço?
  O jeito é respirar fundo e ir tocando o barco.
  Duvido que depois de tanto ler a Bíblia Marcelo não tenha as mesmas críticas duras de nós Livre Pensadores sobre considerar a Bíblia um livro sagrado.
  A diferença é que eu posso extravasar, colocar para fora tudo que penso ... o Marcelo tem que tocar o barco...
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  Para fins didáticos farei uma classificação tosca de 3 tipos de líderes religiosos.

  Líder Fanático: Esse vive bem, não é do tipo de indivíduo que questiona dogmas.
  Se na infância ele ouviu que misturar manga com leite faz mal, leva isso por toda vida, não importa o que a ciência diga, não importa o exemplo de pessoas que fizeram a mistura e continuaram saudáveis.
  Na mente dele leite com manga faz mal e não se fala mais nisso.
  A ciência um dia vai descobrir...

  Quem bebe a mistura qualquer indisposição “só pode ser” causada pela manga com leite, se a pessoa disser que não teve nenhuma indisposição ela está mentido ou a indisposição acontecerá no futuro.
  O pastor fanático não perde a Fé nunca, porque na Bíblia a Fé nos convida a não pensar, um convite que o pastor fanático aceita com gosto.
  Se você está sóbrio em uma festa de bêbados isso traz muito desconforto, mas se você está bêbado também ... “vive bem”.

  Líder Normal: Se encaixa no caso do Marcelo Rossi.
  Normalmente não questiona dogmas, não pensa muito neles, mas quando a exposição é constante alguns estalos mentais começam a acontecer.
  Esses estalos vão criando rachaduras no fanatismo inicial e como isso vai se desenvolver ... depende muito de cada indivíduo.
  Pense no vendedor de carros usados. 
  Tem aquele que sabe que o carro está bichado, mas para ele o importante é a comissão da venda.
  Ele te fala do carro ressaltando só os pontos bons e escondendo os defeitos.
  A prioridade dele é a comissão.
  Ele não se sente mal porque quando você pretende comprar carro deveria pesquisar melhor sobre eles e não confiar cegamente na palavra do vendedor.
  Se você não faz seu “dever de casa” não é o cara atrás da comissão que fará por você.
  Marcelo sabe das falhas Bíblicas, mas se as pessoas não fazem seu dever de casa, Marcelo não está em condições de fazer por elas, ele teria que deixar de ser Padre.
  Um vendedor de carros que seja super sincero sobre as condições do veiculo ... não tem futuro nessa atividade.
  Esse tipo de líder religioso está mais sujeito a depressão seus conflitos internos sugam sua alma.

  “Líder” Pensador: Esse nem chega a ser líder religioso, pula fora no seminário.
  Eu sou um pensador e fica mais fácil explanar minha condição expondo um pensamento...

  “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres.” [Jesus]

  Veja bem que Jesus não pede dizimo, não pede metade, ele quer que TUDO seja doado aos pobres. [Terapia da Lógica]

  Jesus na prática nos convida a fazer um voto de pobreza.
  Vamos meditar sobre isso.
  Se você dá tudo que tem aos pobres é óbvio que ficará pobre também.
  No entanto no Velho Testamento nós vemos na prática um pacto de riqueza.
  Se você agrada a Deus ele lhe dá prosperidade e vitória sobre seus inimigos.
  Abraão, José do Egito, Jó, Davi, Jacó, Salomão ... todos muito ricos.

  Jesus disse que não veio mudar as leis das antigas escrituras e de onde surgiu esse voto de pobreza!?

  “E mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha que um rico entrar no céu.” [Jesus]

   O Cristianismo desestimula o cristão a buscar riqueza.
   Se os cristãos seguissem esse ensinamento o que aconteceria quando o último cristão desse tudo aos pobres?
  Todo cristão viveria da caridade de outros grupos como Islâmicos, Hindus, Budistas ou ateus.

  Fica claro que essa parte da filosofia de Jesus é um erro crasso.

  O certo (no meu entender) é o que os judeus fazem, todos buscam prosperidade e os que alcançam ajudam os que não tiveram sucesso seja por azar ou incompetência.
  É na prática o que boa parte dos cristãos fazem.

  Eu tenho mais um irmão e 3 irmãs eles são cristãos e não sei de nenhum deles dar tudo que tem aos pobres.
  Se eles fizessem isso eu de alguma forma tentaria socorre-los ao menos com uma cesta básica, mas como não consegui grande coisa na vida a situação seria calamitosa como foi quando nós éramos menores e só eu trabalhava em casa.

  Como Marcelo Rossi pode defender esse mandamento de Jesus de dar tudo aos pobres se a Igreja Católica não dá tudo que tem aos pobres!?
  A Igreja Católica não faz isso porque não quer é porque sua própria existência ficaria ameaçada.
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  Enfim...
  O pastor com um pingo de inteligência e que não seja totalmente fanático inevitavelmente por força da profissão vai lendo sobre a Bíblia e fazendo suas meditações, chega uma hora que ele não consegue mais se enganar.

  Os humanos fanáticos sempre irão existir, faz parte da natureza de muitos humanos.
  Os pensadores sempre buscarão o bom senso.
  Os normais chegarão mais rapidamente ao bom senso se forem confrontados com o volume de informações e debates que acontecem em nosso tempo.
  Por isso estou otimista com a evolução da humanidade.

  Religião é o meio que usamos para tentar nos relacionarmos com a nossa ideia do que seja Deus.

  Espero que esse meio de buscar a “espiritualidade” seja cada vez mais a Filosofia livre de dogmas.
  Torço que no futuro o Livre Pensamento seja a primeira “religião livre de dogmas”.
  No futuro não teremos religiosos e sim filósofos ... será um belo mundo para viver.

  Amém?



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