segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Futuro do Capitalismo

   “Deus retribui ao homem de acordo com o que este faz, e lhe dá o que a sua conduta merece.”  [Jó 34:11]

  Os analistas acham pouco provável que ocorra um grande crescimento econômico mundial como ocorreu de 2002 a 2007, eu concordo, mas por motivos muito diferentes do que apontam os analistas.
   Eles em geral acreditam que as nações desenvolvidas estão sendo incompetentes em promover o crescimento.
   Eu defendo que a redução da população nos países desenvolvidos, diminui a atividade econômica, quanto menos gente menor a possibilidade de consumo.

  A diminuição da população da Terra é urgente e necessária precisamos promover e nos adaptar a isso.

  Quanto maior a quantidade de humanos, mais exploramos os recursos naturais desse planeta, claro que isso tende a um limite, é matemática básica.

  Os países desenvolvidos tem consumidores (vamos dizer) de amplo espectro, compram muito e diversificadamente, a diminuição desse tipo de consumidor afeta a economia.

  Os países subdesenvolvidos tem consumidores de baixo espectro.
  O crescimento populacional deles aumenta o consumo de alimentos e outros itens básicos o que não é suficiente para um grande crescimento econômico mundial, mas é o suficiente para consumir muitos recursos do planeta.
  Quanto mais carne é consumida, mais áreas para pecuária são necessárias.
  Quanto mais grãos são consumidos, mais áreas para agricultura são necessárias.
  Consumo de eletricidade, gás, petróleo, moradias, carvão, aço, ferro, madeira ... são itens básicos mesmo nos países mais pobres, tudo isso de alguma forma consome recursos do planeta.

  Vamos relembrar toscamente as duas últimas bolhas.

Antes de 2000 foram as empresas “ponto com” as pessoas apostavam tanto na valorização desse tipo de empresa que começaram a comprar feito loucos as suas ações, se a procura aumenta o preço da ação aumenta.
  Mas quais pessoas compram ações de empresas?
  Investidores de países desenvolvidos, consumidores de amplo espectro.
  Como hoje sabemos, esperamos mais da Internet do que ela poderia nos dar naquele momento.
  O preço das ações caíram e o sonho do lucro fácil acabou.
  Bolsas de Valores despencaram no mundo inteiro.

  A bolha que estourou em 2008 teve início no crédito barato para compra de imóveis nos Estados Unidos, as pessoas apostavam que as casas e apartamentos continuariam valorizando lhes garantindo um bom lucro com aluguéis ou revenda.
  Como sabemos hoje, a oferta de imóveis explodiu o preço despencou, o baixo critério para concessão de créditos fez com que muita gente não tivesse condições de arcar com as prestações.
  Os Bancos ficaram com os famosos créditos podres.
  Quem devia não tinha dinheiro para pagar; os Bancos retomariam os imóveis e venderiam para quem, a que preço?
  A quebra de grandes Bancos com intrincadas conexões globais criou uma bola de neve que afetou o mundo inteiro.
  Quem conhece o tipo de casas que são vendidas nos Estados Unidos sabe que elas em geral são muito superiores as nossas, são casas para consumidores de amplo espectro.

  Você observa que as bolhas se formam e explodem em países desenvolvidos, isso os esquerdistas gostam de alardear.
  Mas o outro lado da moeda é que grandes crescimentos econômicos mundiais também são impulsionados em países desenvolvidos.

  Na minha mente tem o seguinte quadro que aponta para o pequeno crescimento da economia mundial.
  A população consumidora que conta para um grande crescimento econômico mundial está diminuindo.
  E as bolhas que provocam um crescimento irracional por conta do efeito manada ficarão mais difíceis de acontecer.
  Porque?
  Hoje em dia dispomos de uma quantidade brutal de informações.
  O sistema econômico mundial está muito mais precavido quanto a concessão de créditos, não só para pessoas, mas também para países.
  Os indivíduos e as instituições estarão mais cautelosos sobre promessas de lucro fácil.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
   Nessa parte do texto eu vou tratar de um mundo "ideal", suponhamos que nesse ano a humanidade tenha a maior parte dos indivíduos inspirados pela lógica, pela eficiência.

  O que deveríamos fazer?

1 - O crescimento populacional deveria ser desencorajado em qualquer nação.
  Com 7 Bilhões de humanos somos uma verdadeira infestação maligna nesse planeta.
  Claro que não proponho que nos suicidemos, se cada casal tiver no máximo 2 filhos iremos caminhando para uma redução natural.


2 - Os países subdesenvolvidos deveriam abrir mais seus mercados atraindo empresas e trabalhadores dos países desenvolvidos.
  Vou focar no Brasil, mas isso serve para a grande maioria dos países subdesenvolvidos que eu conheço.
  Meu outro escolhido será o Japão, mas vários outros países desenvolvidos cumpririam bem o papel.

  A economia do Japão está “pausada” há anos, porque isso acontece?
  Eles cresceram e se desenvolveram com a própria população até onde foi possível, depois cresceram mais um pouco com a velha fórmula de captar mão de obra estrangeira.
  O Capitalismo foi criando riquezas, as negociações foram acontecendo e a qualidade de vida aumentando.
  A qualidade de vida aumenta basicamente de duas maneiras:

a) Melhora da infraestrutura, água, esgoto saneamento básico, estradas, telefonia ...

  Melhorar a infraestrutura aumenta muito a atividade econômica.
  Asfaltar ruas, construir estradas, metrôs, ferrovias, portos, aeroportos, Universidades ... gera muitos empregos, estimula produção e consumo.
  Se essas obras são feitas de maneira “planejada e honesta” é tudo de bom para qualquer nação.
  Se são obras super faturadas e sem uma utilidade clara só geram endividamento.
  Os brasileiros acreditam que o grande mal de nosso país é a corrupção e realmente ela é algo terrivelmente nefasto, mas nossa maior perda de eficiência é nossa incompetência para administrar e votar.

  Mesmo feito de maneira inteligente e honesta, o grande crescimento proporcionado pela melhora da infraestrutura tem um limite.
  Se você já tem metrôs suficientes não faz sentido construir mais metrôs.
  Se já tem rede de esgoto em 100% das casas não faz sentido construir mais rede de esgoto.
  Pense na sua casa, no começo você gasta bastante dinheiro com reformas, mas depois basicamente é só manutenção.
  Vamos supor que você chegou a ponto de construir uma grande piscina, depois de 5 anos vai construir outra!?
  Vamos supor que a OAS instalou um elevador privativo no seu apartamento, depois de 10 anos ela pode dar uma redecorada, mas construir outro elevador privativo não faz sentido.
  Uma Inglaterra não tem muito o que investir em infraestrutura, é mais manutenção.
  Seu limite para crescer investindo em infraestrutura já foi atingido.

b) Ganho real de salários em função do aumento da produtividade.

   O aumento de salários tem uma consequência inevitável.
   Quando um país progride a ponto de pagar bons salários ele deixa de ser competitivo em relação aos países que pagam baixos salários.
  Porque um investidor constrói uma fábrica na Índia e não no Japão?
  Não é preconceito contra os japoneses que são bons trabalhadores é que na Índia os salários serão menores reduzindo o preço final do produto.
  A Índia não é um bom exemplo porque os caras procriam feito ratos e mão de obra vai ser barata ali por muito tempo.
  A Índia hoje está com as portas abertas para o capital estrangeiro e enquanto ela estiver assim receberá bons investimentos.

  Sei, sei, não é “ético” se aproveitar da cultura ineficiente de um povo para aumentarmos o lucro e diminuirmos o preço do produto.

  Mas antes de condenar os grandes empresários porque você não medita sobre sua própria atitude?
  Suponhamos que você vai comprar um celular.
  O mesmíssimo aparelho na mesma loja tem duas etiquetas de preço.
  Um custa 600 e o outro 800.
  Você pergunta ao vendedor porque a diferença de preço.
  Ele diz que um foi feito na Índia e outro no Japão.
  A diferença do preço é porque os japoneses tem uma qualidade de vida melhor, os salários são maiores e isso reflete no preço do produto.
  Fala sério, você vai comprar o de 800?
  Eu iria comprar o de 600, seria hipócrita se eu dissesse algo diferente.
  Eu tenho comprado produtos made in China porque tem qualidade e são mais baratos.

  Não importa o país não importa a cultura todos querem o melhor e mais barato, os empresários se esforçam para atender esse desejo constante do Mercado que no final das contas é você.

  Se a Índia fosse um país “normal” a população iria reduzir o número de filhos, a qualidade de vida iria subir, os salários aumentariam e lentamente sua economia iria perdendo competitividade.

  É o que está acontecendo na China e que de certa forma aconteceu no Brasil na década de 60.
  O Brasil tinha muita gente no campo e abriu seu mercado para multinacionais que trouxeram muitos empregos e tecnologia, o nosso famoso milagre econômico.
  Daí os militares começaram a fechar a economia em paralelo veio a crise do petróleo e nós só fomos retomar algum rumo em 1994 com algumas privatizações.

  Se continuássemos nosso caminho rumo ao Capitalismo/Liberalismo hoje poderíamos ter nossa economia estagnada, mas com um IDH de Japão.
  Se bem que japoneses tem uma cultura muito diferente da nossa, uma comparação melhor seria a Austrália.
  O Brasil poderia ser a Austrália da América Latina.
  A Austrália é o quarto país com melhor liberdade econômica do mundo.
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  Se os países desenvolvidos não tem mais como ser a locomotiva econômica do Mundo, qual será o futuro do Capitalismo?

  O melhor caminho é tornar os cidadãos dos países subdesenvolvidos consumidores de amplo espectro.

  Isso já aconteceu no passado.
  A Revolução Industrial aumentou tanto a produção que faltavam consumidores.
  Naqueles tempos havia no mundo todo muitos escravos (no sentido literal) escravos são consumidores de baixíssimo espectro, a solução foi combater a escravidão, cidadãos livres são consumidores de melhor qualidade.

  Nesse século acontece algo semelhante.
  Japoneses tem uma alta capacidade de produção, mas poucos consumidores para o que eles produzem.
  O Japão pode investir em infraestrutura no Brasil e a melhora da qualidade de vida dos brasileiros criaria mercado para os produtos altamente tecnológicos dos Japoneses.
  O enrosco nessa equação não são os Japoneses, mas os brasileiros.
  Somos “escravos” de ideologias ineficientes.

  Se nos recusamos a praticar uma economia de mercado, se demonizamos o capital estrangeiro, se nossos custos de produção são altos em função dos altos impostos e leis trabalhistas cada vez mais protecionistas e inflexíveis ... não tem como os japoneses investirem aqui seguramente.
  Porque construir uma indústria aqui se pode simplesmente emprestar dinheiro para o Governo Brasileiro se endividar cada vez mais e receber juros de 14% ao ano?

  Os ingleses optaram por afundar navios negreiros que vinham para o Brasil, e fomentar movimentos abolicionistas.
  Para os japoneses não tem uma ação clara e permitida nos dias de hoje a fazer.
  É respeitar a soberania do povo brasileiro e ficar na torcida para que seu povo se liberte das ideologias marxistas de 1917.
 
  O futuro da Capitalismo é basicamente esse aí.

  Países liberalistas fazendo acordos comerciais e progredindo lentamente em conjunto.

  Do outro lado estarão países presos a ideais marxistas que ficarão eternamente deitados em berço esplêndido.
  Se tem um território rico em recursos, vai sobrevivendo toscamente.
  Se tem um território não muito rico, veremos cenas de miséria e selvageria.

  Eu acredito que a próxima bolha econômica seja a corrida espacial, mas é impossível dizer quando ela irá acontecer, depende de algum grande avanço cientifico.
  Quem sabe nós brasileiros melhoremos nossa cultura e sejamos integrantes da próxima bolha e não meros expectadores do que acontece nos povos mais desenvolvidos.

  O Capitalismo retribui a nação de acordo com o que o povo faz, e lhe dá o que a sua conduta merece.
  Fora do Capitalismo e da Democracia não há grande evolução.
[William Robson]




Textos Complementares:

   Então temos esse problema da concentração de renda.
  Nesse momento para esse texto fazer sentido você tem que saber que concentrar renda é característica de todo sistema econômico que “eu” conheço.
  Em todos os impérios, monarquias, teocracias, nas mais diversas formas de administração sempre ocorreu concentração de renda.
  O que você vê em filmes sobre reis e rainhas cercados de camponeses pobres é bem real.
  Quer falar da Bíblia? Tudo bem.
  Qual a diferença de renda de um Rei Salomão e um camponês de Israel? [Concentração de Renda]
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  Uma coisa muito boa que o Governo FHC deixou foi a regulamentação do PLR, esse instrumento seria muito melhor para distribuição de renda que o Bolsa Escola, não estou dizendo para acabar com o Bolsa Escola, estou dizendo que o PLR é mais eficiente para a distribuição de renda, deveria ser prioridade do Governo e das Empresas.

  A adoção do PLR em todos os países Capitalistas seria a maior evolução desse sistema de todos os tempos.



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