segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Remédios Genéricos

 




  Alan Vaszatte:   “A gratidão é uma forma singular de reconhecimento, o reconhecimento uma forma sincera de gratidão."



William: “Fazer filho" é fácil para maioria de nós.
  A mulher não toma pílula, você não usa camisinha, o sexo geralmente é prazeroso.
  Se o casal é “normal” (saudável reprodutivamente) a gravidez acontece mesmo contra a vontade.

  “Pai é quem cria.”

  Cuidar do desenvolvimento da criança é bem mais difícil.
  Isso nos levou a fazer uma distinção entre pai biológico e pai de "criação".
  Para o texto ficar mais "inteligível" substituirei pai de criação por pai de “desenvolvimento” (implementação).
  Eu sou pai biológico e de desenvolvimento de minhas filhas.

  E se pensarmos em ideias, projetos de lei?

  Você pode ser o pai biológico e de desenvolvimento de uma ideia.
  A ideia pode vir em um estalo, mas também pode ser fruto de muita pesquisa, muita meditação.
  Ter a ideia não é garantia que você tenha capacidade ou condições de desenvolve-la.
  É como o pai biológico que tem um filho, mas não tem condições de cria-lo.

  Dois exemplos simples:

a) Você tem a ideia de mudar um móvel de lugar na sua casa fazendo uma utilização mais eficiente do espaço.
  Acontece que esse móvel é muito grande e pesado, sem ajuda de outra pessoa não conseguirá colocar em pratica sua ideia.

b) Você tem ideia para um ótimo aplicativo, mas ele só serve para um comércio de grande porte.
  Seu aplicativo pode ser ótimo, mas ele só será desenvolvido se uma empresa comercial de grande porte acreditar em seu projeto e torna-lo viável.

  Feita essas considerações...

  Quem é o "pai" dos remédios Genéricos?
  (Não gosto desse termo, mas o texto pede que eu o use.)

  Nem sempre é fácil determinar a "paternidade", a mulher pode ter vários parceiros, temos que apelar para o teste de DNA.

  Na situação de ideias e projetos acontece algo semelhante.
  Os produtos são desenvolvidos em equipes, cada um dá sua contribuição.
  Quem é o pai do CD, quem é o pai do DVD?
  O DVD é basicamente uma evolução do CD, mas basicamente o CD é uma evolução do disco de vinil...compreendem onde quero chegar?
  Esses produtos são desenvolvidos em grandes empresas, a primeira a colocar um CD no mercado foi a Philips.

  "A Philips anunciou publicamente um protótipo de CD-ROM de áudio em uma conferência de imprensa, "Philips Introduce Compact Disc", em 8 de março de 1979, Eindhoven, Países Baixos.
  No entanto, três anos antes, em setembro de 1976, a Sony já havia anunciado publicamente um disco óptico digital de áudio."
   (Wikipédia)

  Isso não começou agora.
  Diga quem "dominou" o fogo?
  Diga quem descobriu que a maçã era comestível?
  Isso pode ter sido creditado a alguma tribo, o "pai biológico" da ideia é um ilustre desconhecido.

  A História atribui a Thomas Edison diversas invenções, acontece que Edison tornou-se um riquíssimo empresário que contratava pesquisadores talentosos, como dizer que a espinha dorsal de todos os projetos saíram da mente de Edison? 

  Steve Jobs inventou o Ipod?
  O walkman foi desenvolvido no Japão, mas parece que a ideia original foi de um brasileiro...não vamos complicar muito.
  O fato é que Steve Jobs tinha capital e uma boa equipe de talentosos pesquisadores, será que a espinha dorsal desse projeto saiu da mente de Jobs?
  Ele ficou com a fama, se ele não é pai biológico do projeto podemos dizer que é o pai de desenvolvimento/criação.

  Vejam que interessante:

 “A indústria de medicamentos genéricos teve origem na década de 60, sendo os Estados Unidos o primeiro país a adotar essa política, onde os medicamentos genéricos representam atualmente 72% do receituário médico e entram no mercado, em média, três meses após expiração da patente.”
  (Cremesp)

  No caso de alguém aqui no Brasil dizer que é pai biológico da ideia...não é bem assim.
  Ele viu algo que os americanos fizeram e achou eficiente.
  Mas claro que trazer esse projeto de lei para o Brasil tem uma inegável importância, quem dera copiássemos mais coisas boas lá de fora como punição dura para bandidos de qualquer tipo, de corruptos a assassinos.

  Sugerir um projeto de lei de algo que você viu lá fora é uma coisa, viabiliza-lo é outra.

  Aqui no Brasil quando você consegue tirar um projeto de lei (bom) do papel e o torna executável, claro que é algo muito importante, um grande feito.
  Foi o que o Governo Fernando Henrique fez através de seu ministro José Serra fez.
  Claro que não fizeram sozinhos, para bem ou para mal, teve a participação de todos os políticos que integravam o Congresso naquela época.

Acompanhe os fatos registrados:

 1 - A história da legislação genéricos no Brasil inicia-se pelo então Deputado Federal Eduardo Jorge em 1991, que apresentou o Projeto de Lei 2.022, que planejava remover marcas comerciais dos medicamentos.

 2 - Em 1993, foi publicado por Itamar Franco o Decreto nº 793, de 5 de abril do mesmo ano, que tinha como Ministro da Saúde Jamil Haddad.
  Este Decreto determinava a existência da denominação do componente ativo nas embalagens dos medicamentos em tamanho maior que a marca.

3 -  Em 1999, os medicamentos genéricos foram efetivamente introduzidos no Brasil, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, pelo então ministro da saúde José Serra através da Lei 9.787, de 10 de fevereiro do mesmo ano, autorizando a comercialização de medicamentos com patentes caducadas por qualquer laboratório, em embalagem padronizada com uma tarja amarela e um grande "G" de Genérico e os seguintes dizeres:
  Medicamento Genérico - Lei 9.787/99" e o nome do princípio ativo.
  São proibidos de apresentar marca, nome de referência ou nome fantasia (apenas o nome do princípio ativo pode ser comunicado).
  Tem preços em média 35% menores que os originais.


  Vejam que o projeto de Eduardo Jorge como “bom comunista” é que fossem retiradas as marcas da indústria farmacêutica selvagem e exploradora.
  O conhecido ódio a empresários do Marxismo...

  Jamil Haddad propôs destacar o componente ativo nas embalagens, uma ação mais educacional do público para que pudéssemos comparar melhor os preços.

  Sem dúvida nenhuma quem se aproximou mais da ideia americana foi José Serra.
  Ele não foi o pai biológico da ideia, mas foi o pai de desenvolvimento/execução.
  Devemos idolatrar Serra por esse feito, lhe prestar toda honra e toda glória?
  É evidente que não, como ministro da saúde, sua função era buscar métodos eficientes para esse setor.
  Devemos reconhecer seu MÉRITO.
  Claro que sim!






  Conhecem esse ditado antigo?

  “Papagaio come milho periquito leva fama.”

  É quando uma pessoa com esforço, dedicação, criatividade faz algo bom e quem fica com a fama, é premiado, reconhecido ... é quem não fez nada ou bem pouco.

  Também serve para o oposto.

  Alguém faz algo errado, uma grande burrada, mas consegue se safar colocando a culpa em outro.

  Na busca pela JUSTIÇA precisamos pesquisar, analisar os fatos, ouvir as várias versões de uma história.

  Eu chamo de perseguir a verdade.

  Dar o mérito a quem tem, punir quem merece.

  Essa lógica entra em sua mente?

✧✧✧

 

 

 Resumo:


1.  Distinção entre Paternidade Biológica e de Desenvolvimento: Você estabelece uma analogia central: ter uma ideia (pai biológico) é diferente de ter a capacidade de implementá-la e viabilizá-la (pai de desenvolvimento/criação). Para você, a execução é muitas vezes mais difícil e complexa do que o "estalo" inicial da ideia.

 

2.  A Dependência de Recursos para a Viabilidade: Você argumenta que uma ideia, por melhor que seja, pode ser inútil se o autor não possuir os meios (capital, equipe ou estrutura) para realizá-la. Exemplifica isso com o caso de um aplicativo que depende de uma grande empresa para existir.

 

3.  A Natureza Coletiva e Evolutiva das Invenções: O texto defende que grandes avanços (como o CD, o DVD ou as invenções de Thomas Edison e Steve Jobs) raramente têm um único "pai". Eles são frutos de evolução de tecnologias anteriores e do trabalho de equipes, onde o líder muitas vezes leva a fama como "pai da criação" por gerir o desenvolvimento.

 

4.  A Origem Estrangeira dos Genéricos: Você desmistifica a ideia de uma "paternidade biológica" brasileira para os medicamentos genéricos, pontuando que o modelo já existia e era bem-sucedido nos Estados Unidos desde a década de 60.

 

5.  A Evolução da Legislação no Brasil: O texto traça uma linha do tempo lógica, mostrando que a implementação não foi um ato isolado, mas um processo que passou por diferentes visões: desde a proposta ideológica de Eduardo Jorge (remoção de marcas) e a ação educativa de Jamil Haddad, até a execução prática de José Serra.

 

6.  O Mérito da Execução (José Serra): Você define José Serra como o "pai do desenvolvimento/execução" dos genéricos no Brasil. Seu argumento é que, embora ele não tenha inventado o conceito, ele teve o mérito político e administrativo de tirar o projeto do papel e torná-lo uma realidade funcional (Lei 9.787/99).

 

7.  A Justiça e a Busca pela Verdade: O texto conclui com um apelo à lógica e à justiça: "dar o mérito a quem tem". Você critica o cenário onde um faz o trabalho e outro leva a fama ("papagaio come milho, periquito leva fama"), defendendo que a análise dos fatos é essencial para punir ou premiar corretamente os envolvidos.

 

  


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