quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Jogo da Vida

  “Uma paixão expulsa outra, e a do jogo é de todas a primeira.
   O amor e a ambição enfraquecem com a idade, o jogo floresce quando tudo o mais passa.”  [Abade de Choisy]
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    Será que é por isso que tantos na terceira idade gostam de bingo e jogos de cartas?

   Desde criança nos interessamos por jogos, qual mãe não “joga” com seu bebe de se esconder e o prêmio é ele a achar, daí vem o indefectível... “axôooooooooooo”.

   Minhas duas filhas gostam de jogos, mas sem dúvida a Aléxia gosta muito mais.
  Diferente de outros pais eu não coloco limites no tempo que minha filha pode jogar, ela joga até cansar.
  Ela é boa aluna, cumpre seus horários na escola e nessa fase da vida dela é o que me basta.
  Eu vejo muitas vantagens nos jogos a única desvantagem é o vício, mas o vício [ser dominado pelo prazer] pode acontecer em qualquer coisa.

  O que é o amor senão o vício em uma pessoa?
  E esse vício não provoca uma enormidade de crimes passionais?
 
  Decidir por liberar o jogo na vida da minha filha foi uma decisão fácil, não precisei de muita meditação, mais difícil foi convencer minha esposa sobre seus benefícios.
  Ainda bem que casei com uma mulher de bom senso, tirando sua crença na Bíblia ela consegue ser lógica na maior parte do tempo.

  A principal vantagem dos jogos é exercitar os neurônios.

  Quando comecei a estudar matemática era como se engrenagens movessem em meu cérebro, era bem desconfortável, mas no final do processo eu sentia que minha mente ficava diferente, mais EFICIENTE.
  É como os exercícios físicos, é raro eu acordar com vontade de caminhar ou fazer exercícios, é desconfortável, no entanto a melhora da minha eficiência física é inegável.

  Preste atenção nessa parte que ela estrutura todo esse texto.

  O futebol é um exercício físico que você faz se divertindo.
  Os jogos são um exercício dos neurônios que você faz se divertindo.

  Pode substituir o futebol por skate, vôlei, natação, dança...qualquer atividade física do seu agrado.

  Se minhas filhas aprendessem matemática de qualidade desde o primeiro ano escolar o desenvolvimento de seus neurônios estaria garantido.
  O problema é que assim como nem todos aturam fazer ginastica, corrida ou caminhada, muitos não aturam a matemática.

  Como não posso contar com a qualidade de nosso currículo escolar fico satisfeito que tenham esses jogos eletrônicos complexos para garantir o bom desenvolvimento dos neurônios de minhas filhas.
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  Vixe, se deixar esse assunto vira um livro, dezenas de textos vão se formando em minha mente, vou pegar o que está me provocando mais nesse momento: 

  A vida de certa forma é um jogo e os melhores jogadores deveriam ser admirados, mas na cultura brasileira [em se tratando do jogo da vida] se dar bem é um crime, algo execrável.

  Alguém que nasce de família abastada ou consegue ficar rico é um “coxinha” desgraçado.

  É, aquele que entrou bem no jogo, ou entrou mal, mas deu sorte ou foi um exímio jogador é alguém que deveria se envergonhar de alguma coisa, se culpar pela situação de outros jogadores.

  Aqui admiramos a pobreza, a miséria, as dificuldades ao mesmo tempo que ninguém quer ser pobre, miserável e nem ter grandes dificuldades.
  [Eu não disse que fazia sentido é apenas o que observo a minha volta.]

  O porteiro do prédio é sempre uma pessoa maravilhosa e o morador que chega com seu carrão é um burguês maldito, alguém que se deu bem no jogo da vida.

  Entretanto não é nada “pessoal”.

  Se daqui 5 anos nessas viradas da vida o morador perde seu bom emprego e vai morar de favor na casa da sogra e se mantem agora como operador de alguma maquina ele passa a ser o “proletário”, alguém que se deu mal no jogo da vida e por isso merece toda honra e toda gloria, “um ser humano de verdade.”

  Nesses 5 anos o porteiro passou a ocupar um cargo de supervisor na empresa, seu salário aumentou bastante e agora ele mora bem e tem um carrão...coxinha, burguês, elite dominante... “ser humano desprezível”.

  Meditem sobre isso depois continuamos em outro texto.

  Espero que minhas filhas não se sintam culpadas por vencerem um jogo. Vencer na vida não é o objetivo de todos?
  E os que perdem?
  Ganhar ou perder faz parte do jogo, todos devemos ser tratados com respeito.

  “É horrível desprezar uma pessoa apenas por sua situação financeira.”

  Quando lemos pensamentos como esse nos condicionamos/limitamos a pensar só em quem está na pobreza ou miséria.
  Mas porque ele não serve também para você?
  É você.
  Que tem internet banda larga, mora em uma boa casa, trabalha em uma boa empresa ou é proprietário de uma.

  Você, BURGUÊS MALDITO!



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