domingo, 2 de fevereiro de 2014

Vizinhos Indesejáveis

  “Infelizmente há um consenso na população que a cidade grande tem obrigação de acolher a todos construindo casas e cedendo terrenos.”   




  A Psicologia não é uma ciência, é uma doutrina, por isso raramente a uso para analisar o comportamento humano.
  Gosto da neurociência e estatística, essas sim são boas ferramentas para analisar a "humanidade".

  Estatisticamente foi observado que a maioria das pessoas tende a manter limpo um ambiente que já está limpo.

    “Ninguém jogou papel no chão não sou eu que vou jogar.”

  Por outro lado a maioria não se importa em sujar mais um ambiente que já está sujo.

  Em um local com muitos papéis no chão você joga o papel da sua bala sem pensar no que está fazendo.

  “Todo mundo jogou lixo no chão eu também vou jogar”.

  Temos as exceções.
  Aquelas pessoas que nem ligam se o ambiente está limpo, elas jogam o papel no chão e o faxineiro que varra depois.
  Ou, aquelas que mesmo o ambiente estando sujo não contribuem sujando ainda mais, guardam o papel até encontrar um cesto de lixo.

  Em terreno que não tem barracos dificilmente alguém sozinho irá construir um.

  Percebam que as invasões sempre são organizadas em bandos, várias pessoas invadem ao mesmo tempo.
  E depois que surgem alguns barracos:

  “Se estão construindo barracos naquele local eu irei construir também.”
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  No geral os políticos fazem o que o povo quer, é o povo que tem que querer melhor.

  A população em geral não denuncia invasões, vê uma favela nascer em seu bairro e fica calada.
  Se o proprietário do terreno não se manifestar, a população em volta até ajuda os invasores de alguma forma.

  Todo mundo sabe da desvalorização que qualquer imóvel sofre tendo como vizinhança uma área invadida.
  Você morador do bairro não liga de ver seu patrimônio desvalorizado!?
 
  Claro que a maioria dos que invadem terrenos NÃO são ladrões e assassinos, mas os labirintos formados pelos barracos são sempre um ótimo esconderijo para marginais.
  Pense bem, eu sou um criminoso a polícia descobre meu endereço,
  Um endereço devidamente legalizado está nos mapas da cidade, a justiça, caso esteja a minha procura encontra fácil.
  Se eu moro em um entre 100 barracos dentro de área de invasão...tudo fica bem mais complicado.

  Quando roubaram o Ipad da minha filha, sua última localização rastreada foi no Jardim São José.
 [O aparelho tem um rastreador de localização].
  Eu conheço razoavelmente bem Campinas, o rastreador nos deu a última localização “legalizada”.
  Eu sei que no entorno do São José tem áreas de invasão, quem é louco de entrar lá para resgatar alguma coisa?
  O Bairro São José é desvalorizado não por causa do bairro em si que é bem estruturado, mas por causa do entorno, das áreas invadidas.

  Os que compram casas legalmente são sempre muito solidários com invasores de terras, os consideram vítimas da “sociedade”.

  Brasileiros em geral acreditam que o Estado tem “obrigação moral” de dar casas a todos.
  Pela vontade dos campineiros, cidadãos que “apoiam causas sociais” foram eleitos e pela vontade da maioria aplicaram suas políticas.
  Quem não quer terreno de graça?
  Campinas, principalmente na administração Francisco Amaral, viu as áreas invadidas crescerem exponencialmente.

  Centenas de famílias vinham de regiões distantes para a cidade que estava dando terrenos, bastava invadir.

  Se os campineiros denunciassem as invasões e cobrassem uma ação do poder público de certo seriam atendidos.
  Mas acontecia o contrário.
  Se a polícia de alguma forma intervisse na ocupação irregular era demonizada, o “Estado opressor”.
  E dá-lhe passeatas fechando ruas e rodovias.
  Políticos que fossem contra invasões ou ficassem em silêncio diante do “abuso das autoridades” perdiam votos.
  Político nenhum quer perder votos, se a população é solidária aos invasores ... que seja feita sua vontade.

  Por pensar diferente, pelo meu respeito a propriedade, pessoas próximas me taxavam de “monstro capitalista/materialista”, alguém que sofreu lavagem cerebral do “sistema”.

  Não preciso dizer que mentalmente, como cidadão, foram tempos bem difíceis.

  Ver a cidade que nasci trilhando uma rota tão ineficiente chegava a doer.
  O ápice da dor foram as vezes que fiquei horas parado no trânsito da Rodovia Santos Dumont porque os invasores do que é hoje o Parque Oziel interditavam a rodovia tacando fogo em pneus.
  Não bastava invadir a cidade era preciso criar o caos para conseguirem ainda mais direitos...
  Não pagavam água, luz, impostos ... dever nenhum, direitos todos.
  A parte deles é procriar feito ratos e exigir mais creches, escolas, cestas básicas, postos de saúde, “segurança” ...
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
    “Agente é honesto qué paga pelo terreno, ninguém qué nada de graça.”

  É irritante esse discursinho pronto dos invasores.

  O cidadão mal ganha para o sustento e ainda tem filhos, vai pagar como?

  Não sei e nem vou pesquisar preços de mercado, mas aqui em Campinas acho impossível você construir uma casa de 2 quartos, sala, cozinha e banheiro por menos de 100 mil.
  Só o terreno já custará uns 30 mil.
 (Em local bem desvalorizado)

  Vamos fazer uma conta simples:

  Suponhamos que esse cidadão consiga pagar 200 reais por mês de prestação:
  100.000 dividido por 200 dá um total de 500 prestações.
  Cada ano tem 12 meses então:
  500 prestações dividido por 12 = 41 anos.
  Se "tudo" der certo ele quita a dívida em 41 anos!!

  Vejam bem que não estamos nem colocando juros.

  Não duvido que a maioria tenha vontade de pagar, acontece que só ter vontade NÃO É O SUFICIENTE.



  É evidente que esse pessoal “no geral” NÃO são nossos indivíduos mais notáveis, aqueles que estudam, planejam um futuro.

  No geral estudam pouco e viram pais cedo, o que esperar dessa gente!?

  Sem dúvida nenhuma com relação as invasões a prioridade de qualquer cidadão deveria ser denunciar construção de barracos e não permitir que favelas nasçam ou cresçam em seu bairro.
  As que já estão aí vamos urbanizar, não adianta chorar o leite derramado apenas acho LÓGICO evitar que mais leite derrame.

  A punição que os bons sofrem, quando se recusam a agir, é viver sob o domínio dos maus (ou irresponsáveis).
 [Platão/William]



  



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