quarta-feira, 28 de junho de 2017

Desapego a Matéria

  Escritor maldito é aquele que tem suas obras censuradas em sua época e obtêm reconhecimento muitos anos após sua publicação.

  Sou um escritor maldito?

  Bem, se algum dia depois de minha morte vou ter algum reconhecimento é impossível dizer, provavelmente não.
  Isso me torna ainda mais “maldito” (de amaldiçoado)
  Escritor eu sou, textos me vem fáceis.

  Não escrevo bem?

  É evidente que já fiz uma meditação lógica sobre isso.
  Por vezes gostamos muito de uma atividade, mas infelizmente não a fazemos bem.
  O indivíduo gosta muito de cantar, mas não nasceu com uma voz apropriada.
  Queria ser ... sei lá, um recordista olímpico nadador, corredor ... mas a genética do seu corpo não ajuda.
  A moça gostaria de ser uma Top Model, porém não cresceu mais que 1,65.

  No meu caso eu gosto de escrever e escrevo muito bem.
  Uma coisa comum é alguém me adicionar ou propor amizade no Face para pouquíssimo tempo depois me excluir ou pedir que eu o exclua.
  Sou xingado de muitas coisas a mais suave [que nem chega a ser um xingamento] é que sou “bipolar”.
  Essa “critica” dos leitores considero bastante esclarecedora sobre o porquê da minha maldição.
  O ateu lê um texto meu onde há alguma crítica a religiosidade, gosta tanto que me adiciona instintivamente ... “esse cara é bom!”
  O problema é que ao me adicionar, os textos que criticam o ateísmo começam a aparecer ... “esse cara é um idiota!”

  Minha dedução é que escrevo bem, tão bem que o indivíduo ao invés de defender seu ponto de vista prefere me xingar ou excluir, lhe falta argumento.

  Entretanto “o buraco” é bem mais embaixo.
  Minhas férias foram bem produtivas, consegui publicar muitos rascunhos arquivados.
  Nada melhor que encerrar as férias com uma sequência “daquelas”, muito, muito maldita...
  O texto de ontem foi uma introdução.

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   Espero que no futuro ocorram muito mais suicídios e mortes induzidas.
[William Robson]

  Em meditação mais profunda encontrei algo que me torna um escritor super maldito.
  Minha solidão filosófica é tão imensa que eu a chamo de “solidão sólida”.

  Em geral meus amigos mortos pregam um desapego a matéria.
  Sócrates pregava uma vida bem frugal, sem muitas posses.

  Meus “inimigos” mortos ... pregavam a mesma coisa.
  Nietzsche, Rousseau, Karl Marx ... maldiziam o consumo de “supérfluos”, a posse de propriedade.

  Eu gosto do conforto, condeno apenas o desperdício e o “consumismo” [no sentido de comprar compulsivamente]

  Gosto de ter propriedade, de tecnologia, de fartura de alimentos.
  Se o cidadão gosta de uma Ferrari e tem dinheiro para comprar ... compre o carro sem culpa.
  Desde que você ganhe o dinheiro honestamente e não gaste mais do que ganha ... para eu tá tranquilo.

  Entretanto eu também defendo o desapego a matéria, mas qual matéria?

  O “corpo físico”, a “maquina biológica” ... como queiram.
  Se você é um filósofo materialista (ateu) não deveria se apegar tanto a máquina biológica.
  Se você é um filósofo espiritualista não deveria se apegar tanto ao corpo físico.

  Na minha visão de mundo viveríamos muito melhor se aceitássemos com mais tranquilidade a morte, até porque isso é muito lógico.

  Enquanto podemos ter uma vida biológica satisfatória compensa estarmos vivos, quando a vida biológica se torna extremamente insatisfatória com probabilidade baixíssima de melhora ... para que continuar vivo!?

  Com essa visão de mundo defendo até o aborto.
  Se é para alguém nascer em um situação tão horrível que nem a própria mãe o quer ... pra que nascer!?

  Imagine você sendo mais uma daquelas crianças subnutridas que aparecem naquelas fotos dantescas, geralmente de regiões da África?
  Eu preferia não nascer.

  Evidente que que meu ideal é que casais planejem os filhos [De preferência tenham no máximo dois], sou contra o aborto diante de tantos métodos anticoncepcionais.
 Mas sem dúvida prefiro a cultura abortiva de Cuba que a paternidade irresponsável africana.

  [É aí que me chamam de “bipolar”, mas tiram a proposta do contexto.]

   Vamos ao debate:

  


 
👨 “Embora eu acredite na reencarnação, acho o suicídio algo e ser estudado, porque não acredito em sofrimento eterno, já li que o suicida não tem o "direito" de reencarnar de novo.
  Se Deus é amor, perdão, claro que ele perdoa as fraquezas humanas.
  Acredito que quando nos arrependemos de fato, somos perdoados, então começamos outra jornada!” 
[Comentarista no G+]          
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  “Focando no Cristianismo.”
  Em caso de doença altamente debilitante não consigo entender o motivo de persistirmos até o final.
  Em que isso apraz a Deus de Abraão!?
  Passar dia e noite com dor, em que melhora o meu caráter ou espirito?
  Ser um fardo pesado para minha família vai melhorar minhas chances de “salvação”?
  É dito que a salvação é um dom de Deus, não conquisto isso sofrendo em uma cama.
  Se Jesus já fez o sacrifício, em que o sacrifício da minha família vai fazer diferença?

  E quanto a Deus “perdoar fraquezas”?

  Não tenho nenhuma ilusão que se matar é fácil, se acontecer comigo sei que será um momento angustiante.
  Acredito que precisamos ser muito fortes, corajosos, para cometer o suicídio.
  Muitos não se matam por não ter essa força.
 
  Se você viveu dignamente e não há nada mais de bom a esperar dessa vida, Deus deve te dar a possibilidade de se retirar dela e viver uma outra ou ser aniquilado.

   Na hora da minha morte quero sair da vida em meu último ato de FORÇA, CORAGEM, NOBREZA.
  Vencer o MEDO.



👩  “Nem sei o que falar, meu irmão se matou ... é uma situação bem difícil, era um jovem de apenas 18 anos que desde os 16, sofria de depressão e transtorno bipolar....então, não sei o que achar!”
 [Comentarista no G+]          
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  Se ele tinha graves problemas de transtorno bipolar então ... era um grande “estorvo” para quem estava a sua volta.
  Se percebeu isso em seu momento de lucidez e foi forte para se matar é louvável, muito nobre.

  Sou muito desajustado, mas não atrapalho as pessoas.
  Me isolo bastante, mas me sustento, cumpro com minhas obrigações, na maior parte do tempo fico em silêncio não causo transtorno.
 
  Entretanto eu separo o suicídio...digamos... por necessidade do suicídio por “perspectiva”.

  Tem pessoas que tem uma visão limitada da vida, só veem as coisas pelo ângulo que elas escolheram e se prendem a ele.

  Se matar por amor é bem isso.
  Por mais que você ame uma pessoa, pode se distanciar dela e aparecer um outro amor ou pelo menos perceber que a vida tem outros prazeres, enxergar outras perspectivas.

  Mas se ocorreu uma incontrolável atração, a qual você não consegue viver sem a pessoa...é melhor se matar do que assassinar alguém.

  Temos que tentar mudar a perspectiva da pessoa, mas se ela quiser mesmo desistir da vida arrumará uma maneira.

  Mesmo nesse caso não sei porque Deus não pode dar uma outra chance, precisa nos punir até depois do suicídio!

  Seu filho faz uma traquinagem e quebra o braço, você o leva ao médico ou o deixa agonizando de dor?
  A resposta para nós é fácil/obvia, para Deus deve ser também.

  Se você tinha algo importante para fazer e saiu antes do tempo... descanse um pouco, receba bons conselhos espirituais, depois volte mais preparado para enfrentar o desafio.

 Se é para pensar em algum Deus, prefira pensar em alguém justo e bom.

  Se não tiver nenhum “pós vida” e for só o fim...o suicida não queria mais existir mesmo.

  Já tive muita vontade de morrer, só queria sumir, não existir mais.
  É estranho pensar em um Deus que aprove ou queira tanto sofrimento não é mesmo?
  Desde que me conheço por gente as pessoas tentam me convencer que Deus é sádico.
  Fica colocando provações dolorosas na vida dos indivíduos.
  Trabalho em um hospital e vejo pessoas submetidas a dolorosos tratamentos que só adiam sua morte sem possibilitar uma boa qualidade de vida.
   Se um dia viver essa situação espero ter força e coragem para abreviar meu sofrimento, se algum deus não quiser...depois eu vejo.

  Um deus onipotente, onisciente, onipresente poderia tirar a minha dor, me restituir a saúde, se não fez... deduzo que de certa forma fui induzido ao suicídio, não devo ser punido por isso.

  Eu espero que no futuro ocorra muito mais suicídios ou mortes induzidas/assistidas.
  Há humanidade inevitavelmente vai ficar mais adulta, mais civilizada.
  Esse dogma que a vida pertence a algum espírito e só ele pode tirar não resiste a menor lógica.
  Quando tratamos alguém de uma doença que o levaria a morte não estamos interferindo no seu tempo de vida!?

  Em toda Bíblia “não me lembro” de nenhuma recomendação para procurarmos médicos.

  Se adoecer repouse e ore, que seja feita a vontade de Deus, é o que está na Bíblia.
 
  Não desejo sofrer nenhum acidente que me tire repentinamente da vida, pra falar a verdade não queria nem morrer ☻.
  Ficar para sempre com a aparência e disposição dos 25 anos seria algo muito bom.
  No desejo/imaginação podemos tudo, a realidade não é muito elástica.

  Se nenhum acidente ocorrer a lógica me diz que cometerei suicídio por debilidade física.
  Tenho tudo mais ou menos planejado.
  Não deixarei carta de despedida, todos que me conhecem já sabem meus motivos, minha “visão de mundo”.
  Se tiver algum órgão ainda aproveitável que seja doado.
  Quero ser cremado então deixarei tudo pago, acertado.
  Prefiro morrer dormindo ... humm melhor não dar detalhes, há muitas mentes frágeis.

  Ligarei meu MP3, um bom fone de ouvido ...

  Cheguei chorando sairei cantando e dançando, foi bom, uma experiência fascinante.

  Adeus pessoas amadas, irmãos de humanidade ou ... até a próxima ... fui!






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