segunda-feira, 30 de março de 2015

Manipulação Cronológica

  “O sindicato defende o sistema de cotas para negros no serviço público, essa população que por 358 anos foi vítima da escravidão e, depois da lei áurea, sempre sofreu com racismos e desigualdades que a formação histórica brasileira lhe impôs.
  Cota não é privilégio é reparação.” [Jornal do Sindicato]
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  No próximo texto falarei sobre formação histórica nesse vamos focar em REPARAÇÃO.

    Informações erradas ou incompletas nos levam a formas de pensar erradas ou ineficientes.  [William Robson]


  A informação incompleta [meia verdade] é a mais utilizada para defender/justificar dogmas e ideologias.
  Nessa questão da escravidão negra nós observamos o que eu chamo de manipulação cronológica.
  Você não mente, a informação não é errada, apenas conta a partir do ponto no tempo que beneficia sua crença, ideologia, interesse.

  É muito importante que você entenda a manipulação cronológica, ela pode "iluminar" sua mente sobre as mais diferentes situações do passado, mudar sua perspectiva histórica.
  Vamos a um exemplo cotidiano, se entender o simples o complexo vai se estruturando.

  Por algum motivo tenho interesse em denegrir a imagem da minha esposa, meu interesse pode ser justificar a familiares e amigos meu desejo de separação ou simplesmente por um prazer de me fazer de vítima, gostar que as pessoas tenham dó de mim.
  Eu digo/informo que minha esposa dorme até o meio dia, não é mentira, isso realmente acontece.
  A princípio a imagem que você faz da minha esposa é de uma pessoa preguiçosa, uma mulher que nem se preocupa em fazer o almoço para as crianças e o marido.
  Mas e se eu completar essa informação recuando no tempo?
  Minha esposa trabalha a noite inteira e dorme até o meio dia.
  Sua visão da situação muda quase que totalmente.

  Na escola começaram a me contar a história da escravidão a partir dos navios negreiros e suas condições sub humanas. 

  O que antecedia a isso ficou por conta da minha imaginação.
  Eu imaginava os portugueses chegando na África bem armados e literalmente caçando pessoas.
  Imaginava aquelas cenas de filmes onde guerreiros mercenários atacam pacíficos camponeses saqueando alimentos e bens, capturando pessoas que seriam tornadas escravas.
  Como me considero uma pessoa do bem minha antipatia pela ação dos portugueses e simpatia pelos africanos foi natural.

   Mas o que realmente acontecia antes dos africanos serem embarcados no navio?

  Africanos constantemente estavam em guerras tribais muito antes de qualquer contato com europeus até porque a existência do ser humano [sapiens] iniciou na África.
  Em tempos remotos os africanos colonizaram os demais continentes e isso se faz conquistando territórios.
  As tribos mais fortes invadiam as mais fracas escravizando ou matando seus aldeões.
  Os africanos vendiam seus conterrâneos para quem fizesse a melhor oferta.
  O africano capturado era aprisionado esperando comprador que podia ser inclusive do próprio continente africano, alguma tribo poderosa.
  Você imagina que se o negro não fosse embarcado para o Brasil viveria uma vida longa e próspera com seus amigos e familiares na África?
  NÃO!
  Ele estava preso e seria vendido para qualquer que fizesse uma boa oferta ou seria escravizado na própria África.
  Percebe a manipulação cronológica?

  Vamos a mais um exemplo.
  Seu colega está triste, arrasado, você pergunta porquê e ele te conta:

  “Minha namorada me traiu com meu melhor amigo.”

  A maioria de nós corre a tomar partido do colega traído, pensamos o pior da moça, queremos que a justiça divina lhe dê uma punição, se fosse possível mover uma ação de REPARAÇÃO por danos morais de certo aconselharíamos isso ao nosso colega.

  Mas sabe como é, notícias/fofocas vão passando de boca em boca.
  Você está solidário com seu colega quando tropeça na informação que já namorando ele teve um caso com a Mariquinha e quem é essa pessoa?
  A agora “ex melhor amiga” da namorada dele...

  Não sei quanto a vocês, mas aquela história de reparação por danos morais perde totalmente o sentido para mim.
  A traição assim como a escravidão são coisas erradas de fazer mesmo que seja por vingança, mas ver a moça como uma vilã desprezível...eu também já não consigo.

  Meu conselho para o casal é que se o namoro não é mais possível que pelo menos sigam em paz como amigos sem ficar alimentando desejos de reparação e vingança.
  Não dá para tornar isso uma guerra entre homens e mulheres porque não podemos simplesmente tirar da equação a Mariquinha.
  Ela de certo sabia do namoro e a informação não diz que ela foi pega a força.
  Se formos transformar isso no detestável homem corneando primeiro a pobre e indefesa mulher...só se a Mariquinha for um traveco...HAHAHAHAHAHAHAHAAH!
  Em se tratando de homem e mulher tem culpa todo mundo.

  Em se tratando de africanos e europeus tem culpa todo mundo.
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  Encontrar o que acontecia antes dos negros serem embarcados nos navios não é muito difícil, mas também não é fácil.
  Seria bom que algum historiador se debruçasse sobre isso e resumisse em um livro, no entanto eu ainda não encontrei, pelo menos traduzido para o português.
  Isso seria útil para cicatrizar velhas feridas que tantos insistem em manter abertas e com bastante pus, quanto mais infeccionado melhor.
  Encontrei esse Blog que concentra informações de maneira bem eficiente, a maioria das coisa citadas eu já tinha conhecimento uns 20% foi novidade.

   A escravidão era uma cultura africana da época, negros eram conquistados por outros negros que os vendiam como escravos.

  “Os negros traziam seus prisioneiros de bandeja para os brancos
   Os brancos, simplesmente, permaneciam a bordo de seus navios, esperando que guerreiros das nações vitoriosas e dominantes da área trouxessem os seus próprios escravos já de produtividade baixa, ou aqueles capturados, provenientes das tribos vencidas ou dominadas pelos primeiros, sendo estes os vencedores das guerras étnicas e territoriais que lá se desenvolviam.
   Inclusive, em certas praias africanas, havia verdadeiros entrepostos de “passagem”, venda e “estoque” de lotes de prisioneiros negros, que eram comerciados pelos “reis” e outros grande chefes das tribos dominantes da região – entrepostos esses erigidos pelos próprios africanos para esse fim específico.
  Os entrepostos de comércio de escravos eram, muitas vezes, muito grandes, o que causava admiração aos “visitantes” estrangeiros.
  Assim, o comércio de escravos negros era, na verdade – e antes de mais nada – fomentado, alimentado, incrementado e muito bem administrado pelo próprios negros da Mãe África.
  Havia, inclusive, algumas tribos dominantes, como os ferozes ashantis, por exemplo, que a literatura da época relatava como “cobertos de ouro”, de tão grandes que eram os lucros por eles obtidos com a venda de outros negros.
  Esses mesmos negros que dominavam os demais povos negros, cultural e socialmente mais atrasados, e os vendiam aos traficantes europeus, ao ver a escravidão banida por imposição político-econômica da Inglaterra – os brancos, portanto – dirigiram-se em comissão à Europa para protestar contra o término do comércio de escravos… Alguém já ouviu falar disso? Não? Pois isso é um fato histórico!” [Blog do Ambientalismo]  Clique Aqui

  Aposto que você e seu filho nunca leram sobre isso na escola...eu nunca li.
  É um assunto até difícil de pesquisar, eu “tropecei” nele em algum dos inúmeros livros que li na biblioteca vasculhei um pouco mais e fiquei estarrecido com esse novo conhecimento.
   Faço questão de dividir isso com minhas filhas para que elas não sejam VITIMAS de informações parciais como eu fui porquê... informações erradas ou incompletas nos levam a formas de pensar erradas ou ineficientes. 
  Você negro que se sente tão injustiçado, porque essa cobrança de reparação convenientemente não vai até seus ancestrais africanos!?
  Você branco que se sente tão culpado porque a conta quem tem que pagar é a atual geração!?
  Doe metade de seus ganhos a movimentos raciais, pague do seu bolso.
  Você que já estudou não será prejudicado por um sistema de cotas quem vai pagar a conta é o garoto que está no ensino fundamental.

  Você deve estar resmungando que estou legislando em causa própria.
  Pois saiba que pelos atuais critérios minhas filhas podem se declarar afrodescendentes e ter direito a todo tipo de cotas destinadas a isso de universidades a postos de trabalho.
  É, estou dando um tiro no meu pé.
  Quem pode dizer que eu como bom filósofo não persigo a verdade?



Essas são minhas filhas Aléxia e Ellen com total direito a cotas.


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